Maria da Piedade Ferreira foi editora de António Lobo Antunes na Dom Quixote nos últimos 15 anos e sublinha o impacto que o escritor teve na literatura portuguesa, desde a primeira hora. "Teve uma importância enorme. O António Lobo Antunes mudou a literatura portuguesa, porque quando ele começou a publicar - Memória de Elefante -, foi um cometa na literatura portuguesa que estava nessa altura muito marcada pela política, era uma literatura muito engagé. E ele saiu completamente disso para uma literatura diferente, para uma literatura sobre as pessoas, os sentimentos, e depois também os livros sobre a guerra, porque ele foi médico militar e fez a guerra em Angola. E isso marcou-o muito também e há livros que refletem isso", diz Maria da Piedade Ferreira ao DN. A editora da Dom Quixote diz que trabalhavam "muito bem juntos", apesar da personalidade por vezes difícil do escritor. "Ele uma pessoa exigente e autoritária, mas quando dava as coisas estavam completamente prontas, ele não gostava nada que eu lhe indicasse coisas que não estavam exatas, datas, por exemplo. Ficava muito zangado comigo, mas depois dava-me razão".Eterno candidato ao prémio Nobel da Literatura, Maria da Piedade Ferreira revela que "ele a partir de certa altura deixou de pensar nisso, deixou de algum modo de lhe interessar. Ele achava que merecia - e teria merecido -, mas os anos passavam e não vinha, e depois a certa altura isso passou a nem sequer fazer mais parte da conversa".Sobre o novo livro do escritor que a Dom Quixote anunciou que será lançado em abril, Maria da Piedade Ferreira adianta ao DN "que ainda em vida ele juntou os poemas que tinha feito, uns publicados, outros inéditos, e eu tenho esse livro já pronto a imprimir. Portanto, daqui a um ou dois meses estará na rua".O título ainda não está escolhido, mas a editora adianta que lhe vai dar o nome de um dos poemas, só ainda não sabe qual."E é um livro grandinho, não é um livrinho pequeno. Junta tudo o que ele publicou e não publicou, portanto vai ser um livro importante", considera a editora. .Manuel S. Fonseca: “Imagino António Lobo Antunes ao lado de Marcel Proust, James Joyce ou Jorge Luis Borges”."Aquele que fez da escrita a vida absoluta", diz Lídia Jorge sobre Lobo Antunes.Rui Cardoso Martins: “António Lobo Antunes disse-me ‘olá escritor’ quando ainda nem sabia que o era”