Enquanto o mundo aguarda com expectativa o lançamento da Artemis II, agendado para esta quarta-feira, dia 1 de abril, a engenharia portuguesa prepara-se para o seu maior teste de sempre. Longe de ser um participante acidental, Portugal consolidou a sua posição como um parceiro tecnológico de elite, um estatuto que foi diplomaticamente selado a 12 de janeiro deste ano, com a assinatura dos Acordos Artemis.Este momento, embora celebrado como uma vitória política recente, é na verdade o desfecho natural de um percurso tecnológico que começou há mais de 30 anos, implicou iniciativa tanto pública, como privada, e teve, até, face visível no famoso PoSAT-1, o primeiro satélite português – e a subsequente adesão à Agência Espacial Europeia (ESA) já no virar do milénio.A maturidade alcançada pelo setor, que passou pela gestão do Gabinete do Espaço da Fundação para a Ciência e Tecnologia, e ganhou um novo fôlego com a criação da Portugal Space, em 2019, permite hoje que as empresas nacionais não forneçam apenas componentes isolados, mas sim sistemas críticos, sem os quais a missão não poderia avançar. O contributo nacional divide-se entre a proteção física extrema e a inteligência digital que garante a sobrevivência dos astronautas no espaço profundo.No campo da segurança de voo, a Critical Software assume um papel de relevo ao ser responsável pela validação e verificação do software do I-Hab, o que seria o módulo de habitação internacional da estação Gateway e que será adaptado para a nova base lunar. Numa missão onde o erro não é uma opção, os engenheiros portugueses asseguram que os algoritmos que gerem os sistemas de suporte de vida e a pressurização do habitat são infalíveis, servindo como o ‘cérebro invisível’ que monitoriza cada respiração da tripulação em órbita lunar..Enquanto o mundo aguarda com expectativa o lançamento da Artemis II, agendado para esta quarta-feira, dia 1 de abril, a engenharia portuguesa prepara-se para o seu maior teste de sempre. Longe de ser um participante acidental, Portugal consolidou a sua posição como um parceiro tecnológico de elite.. Esta inteligência digital é protegida, no plano físico, por uma herança que une a tradição à inovação. A Corticeira Amorim, cuja colaboração com a NASA remonta ao programa Apollo, fornece o isolamento térmico para o adaptador de estágio do foguetão SLS e para a cápsula Orion. A cortiça portuguesa, processada com polímeros de última geração, é o material de eleição para enfrentar o calor infernal da descolagem e a radiação cósmica, garantindo que o veículo mantém a sua integridade estrutural sem o peso excessivo dos isolamentos metálicos.A precisão do voo é outro domínio com assinatura nacional, executado através do Módulo de Serviço Europeu (ESM) da nave Orion, a contribuição fundamental da ESA para o programa. É neste "coração" da nave que a Deimos Engenharia lidera o desenvolvimento dos sistemas de GNC (Guiamento, Navegação e Controlo). Trata-se das ferramentas matemáticas e algoritmos complexos que permitem que as naves se orientem no vácuo e efetuem manobras críticas de trajetória com precisão milimétrica. Sem este sistema de navegação desenhado em Portugal, a Orion seria incapaz de manter a rota correta rumo à Lua.Este trabalho de inteligência é complementado pelo hardware de alta precisão da LusoSpace. Integrados também via ESA no Módulo de Serviço, os magnetómetros e a tecnologia ótica da empresa funcionam como os "olhos" e a "bússola" da Orion. Estes sensores medem o campo magnético e as distâncias relativas, fornecendo os dados brutos necessários para que os algoritmos de navegação saibam exatamente onde a nave está e para onde aponta durante as manobras mais delicadas da missão.Este ecossistema de alta tecnologia é também ajudado por uma estratégia de investimento público que viu a contribuição de Portugal para a ESA crescer 51% em 2026. Através do princípio do retorno geográfico, este investimento de 204 milhões de euros garante que a tecnologia desenvolvida em Coimbra, Porto ou Lisboa regressa ao país sob a forma de contratos de elevado valor acrescentado. Quando o primeiro astronauta da era Artemis pisar o Polo Sul lunar, levará consigo o culminar de três décadas de engenharia portuguesa, provando que o país já não é apenas um observador das estrelas, mas um dos arquitetos do futuro da Humanidade no espaço..Partida da 'Artemis II' para a Lua marcada para esta quarta-feira. A Humanidade volta a mergulhar no espaço profundo