Pelo menos 14 estradas nacionais fechadas. Mais de 1400 ocorrências em Portugal continental até às 18:00

Prevê-se agravamento do estado do tempo para a próxima madrugada, com rajadas de vento que podem atingir os "150/160 km/h". Nova depressão Kristin tem um "potencial destrutivo muito significativo".
Efeitos do mau tempo em Almada
Efeitos do mau tempo em Almada

Pelo menos 14 estradas nacionais fechadas pelas 20:45

Pelo menos 14 estradas nacionais estavam pelas 20:45 de hoje interditadas ao trânsito em Portugal continental, por inundação ou desmoronamento, devido ao mau tempo, uma diminuição face ao balanço anterior, segundo a Guarda Nacional Republicana (GNR).

Segundo dados transmitidos à agência Lusa pela GNR, mantêm-se interditadas ao trânsito a Estrada Nacional (EN) 9-1 (Estrada da Lagoa Azul) no Linhó (concelho de Sintra), EN 10 Torres do Mondego (Coimbra), EN 262 em São Romão do Sado (Setúbal), e EN 365 na Golegã (Santarém).

Estão também suspensas à circulação a EN 3-2 em Valada (Vale de Santarém), EN 8-2 em Casal Lourim (Lourinhã), EN 205-1, em Rio Tinto (Braga), EN 358-2 em Constância (distrito de Santarém), EN 9 em Torres Vedras (distrito de Lisboa), EN 329 Vila Chã do Monte - Tarouca (distrito de Viseu), e EN 202-2 em Sistelo (distrito de Viana do Castelo).

Estão ainda cortadas a EN 245 Fronteira (distrito de Portalegre), EN 361 na Lourinhã (Lisboa) e a EN 246-1 em Portagem (distrito de Portalegre).

De acordo com a GNR, há ainda troços fechados na rede viária do Maciço Central da Serra da Estrela, devido à queda de neve, mantendo-se abertos os troços da EN339 Seia - Sabugueiro e Covilhã - Piornos.

No ponto de situação anterior, pelas 14:30, estavam no total 17 estradas nacionais cortadas, bem como o IC9 na zona de Alcobaça.

Lusa

Navegação de embarcações com menos de 12 metros interdita no rio Douro

O alerta laranja de cheias foi ativado na Via Navegável do Douro (VND) e impedida a navegação às embarcações com menos de 12 metros de comprimento, mantendo-se interdita a navegação noturna e a cinco quilómetros das barragens.

Em comunicado, a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) adiantou que, com a ativação do alerta laranja de cheias para toda a VND, depois do agravamento das condições hidrológicas e meteorológicas, foram implementadas medidas e condicionamentos na via que tem uma extensão de 208 quilómetros, entre a barra do Douro (Porto) e o local transfronteiriço de Barca D'Alva.

Nesse sentido, fica interdita a partir de hoje a navegação a todas as embarcações com menos de 12 metros de comprimento, mantendo-se as medidas já implementadas de interdição a navegar a cinco quilómetros das barragens e a navegação noturna, salvo casos excecionais devidamente justificados.

Durante a tarde, foi emitido um alerta laranja de cheias para a albufeira de Carrapatelo que foi, ao início da noite, alargado a toda a VND.

A gestora da VND apelou a uma "extrema necessidade e cuidado na navegação, tendo em conta a existência de alguns objetos flutuantes em suspensão e à menor visibilidade dos mesmos, assim como dos caudais elevados que se continuam a verificar nas barragens do Douro e seus fluentes.

Para o estuário do Douro, pediu ainda uma "especial atenção aos períodos de enchente até à preia-mar, que coincidindo com caudais efluentes mais elevados (superiores a 2.500 metros cúbicos) da barragem de Crestuma, poderão originar um aumento significativo das cotas em todo o estuário".

Alertou ainda para a necessidade de uma "vigilância ativa no que concerne às embarcações acostadas, o respetivo reforço nas amarrações e qualquer eventual retirada/limpeza das áreas, deverá ser precedida dos devidos cuidados inerentes".

A APDL lembrou que o assinalamento fluvial da VND poderá apresentar algumas falhas, com a eventual deslocação de boias da sua posição, pedindo que qualquer anomalia verificada no canal de navegação seja comunicada ao Centro RIS Douro.

Advertiu que podem vir a ser implementadas novas medidas, caso a situação se agrave consideravelmente e que será realizada nova avaliação, em função dos comunicados da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e da Capitania do Porto do Douro.

A subida do caudal do Douro levou hoje a Câmara do Peso da Régua a interditar a zona ribeirinha, onde ficaram submersos os cais fluviais da Junqueira e da Régua e parte da ciclovia.

Lusa

Mais de 1400 ocorrências em Portugal continental até às 18:00

Mais de 1.400 ocorrências relacionadas com o mau tempo foram registadas hoje em Portugal continental, até às 18:00, afetando sobretudo a Área Metropolitana do Porto, Coimbra e a região do Oeste, revelou a Proteção Civil.

“Desde as 00:00 e até às 18:00, registámos um total de 1.439 ocorrências relacionadas com quedas de árvores, com limpezas de via, inundações, quedas de estruturas e movimentos de massa [deslizamento de terras]”, afirmou o oficial de operações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) Paulo Santos, em declarações à agência Lusa.

Este balanço da ANEPC não inclui as ocorrências na cidade de Lisboa, onde foram registadas, entre as 21:00 de segunda-feira e as 13:00 de hoje, um total de 56 ocorrências devido às condições meteorológicas adversas, sobretudo quedas de árvores, informou à Lusa o diretor do Serviço Municipal de Proteção Civil, André Fernandes.

Relativamente às regiões mais afetadas pelo mau tempo em Portugal continental, com a passagem da depressão Kristin, após outras duas tempestades nos últimos dias – Ingrid e Joseph –, o oficial de operações ANEPC realçou a Área Metropolitana do Porto, a região de Coimbra e a região do Oeste.

Paulo Santos disse que não há informação de vítimas e reforçou que “em todo o país os serviços municipais de proteção civil estão a trabalhar com a população” para solucionar as ocorrências registadas devido ao tempo.

“Há várias zonas que já foram inundadas, seja pela precipitação, seja pelo transbordo do leito dos rios, e é também do nosso conhecimento que existem diversas infraestruturas afetadas, algumas habitações”, adiantou.

Questionado sobre pessoas desalojadas por inundação de habitações, o oficial de operações da ANEPC confirmou que existem casos, mas disse não dispor de dados concretos, ressalvando que “é uma situação dinâmica” e que está a ser acompanhada pelos diferentes serviços municipais.

O responsável da Proteção Civil revelou que existem diversas estradas cortadas em Portugal continental, sobretudo estradas municipais e caminhos rurais, mas também algumas estradas nacionais.

No socorro às ocorrências registadas hoje, até às 18:00, foram mobilizados “mais de 5.000 operacionais”, apoiados por “mais de 2.000 meios terrestres”, indicou Paulo Santos.

Portugal continental está a ser afetado pelos efeitos da passagem da depressão Kristin, após outras duas tempestades nos últimos dias – Ingrid e Joseph –, com chuva, vento, neve e agitação marítima, tendo sido emitido vários avisos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Lusa

Câmara encerra acessos à Serra de Sintra devido à previsão de vento forte

Os acessos à Serra de Sintra estão hoje encerrados desde as 19:00 para garantir “a segurança de pessoas e bens, mantendo-se esta limitação até que estejam reunidas as condições de segurança” para a reabertura, anunciou a autarquia sintrense.

A decisão de encerrar os acessos à serra devido à previsão de condições meteorológicas adversas foi tomada pelo presidente da autarquia, Marco Almeida, em articulação com os agentes de proteção civil de Sintra, e “visa garantir a proteção da população sintrense e dos visitantes”.

“As previsões meteorológicas apontam para ventos fortes, com rajadas que poderão atingir os 140 km/h. Estas condições aumentam significativamente o risco de queda de árvores e ramos, instabilidade de elementos soltos e fragilidade de estruturas”, referiu, em comunicado, a autarquia.

Os acessos vão estar encerrados na “cancela na Azóia”, no percurso Urca para o Convento dos Capuchos e para a Peninha, nos cruzamentos da Azóia, da Portela (para a Azóia) e dos Capuchos (para a Portela).

“O encerramento manter-se-á enquanto persistirem as condições meteorológicas adversas, sendo a situação acompanhada de forma permanente pelas entidades competentes”, que vão avaliando constantemente a segurança na área da serra, lê-se na nota.

A Câmara Municipal de Sintra reforçou o apelo à população para que respeite a sinalização existente e as orientações das autoridades, evitando deslocações para a Serra de Sintra durante o período crítico.

Lusa

São João da Madeira fecha pavilhão e biblioteca devido a estragos

O Pavilhão Desportivo das Travessas e a Biblioteca Municipal de São João da Madeira estão encerrados devido a estragos causados pelo mau tempo, revelou hoje a Câmara Municipal.

Segundo essa autarquia do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, a decisão foi tomada após análise dos referidos edifícios municipais na sequência da chuva e vento fortes da madrugada.

Questionada pela Lusa, a autarquia liderada pelo PSD não prestou esclarecimentos sobre a ocorrência, pelo que ficaram por especificar os estragos em causa e a data prevista para retoma do normal funcionamento do pavilhão e da biblioteca. Nas redes sociais, contudo, a câmara informa que foram as “más condições atmosféricas” a ditar o encerramento dos dois equipamentos.

“Devido às condições atmosféricas muito adversas que se têm feito sentir, foi determinado o encerramento ao público do Pavilhão das Travessas e da Biblioteca Municipal. Estas instalações foram particularmente afetadas pela intempérie e não apresentam, neste momento, as devidas condições de funcionamento”, diz a publicação.

Sobre o mesmo assunto, a vereação do PS lamenta a situação, mas realça que os problemas na origem dos estragos já estavam identificados no mandato anterior (cujo executivo tinha maioria socialista) e tinham solução prevista.

“O Pavilhão das Travessas e a Biblioteca Municipal são dois equipamentos que o executivo anterior já tinha identificado como prioritários face às patologias a corrigir e para os quais deixou prontos os devidos projetos de requalificação, que cabe ao executivo atual executar”, diz o comunicado dos vereadores José Nuno Vieira, Paula Gaio e José Fonseca.

Contactado o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Área Metropolitana do Porto, esse recusou-se a disponibilizar informações sobre as ocorrências de São João da Madeira.

Rio Tâmega galga margens em Chaves. Moradores e comerciantes alertados

O rio Tâmega galgou hoje as margens na cidade de Chaves, onde algumas ruas e vias de acesso foram interditadas e moradores e comerciantes avisados para salvaguardarem os seus bens, disse o presidente da câmara

Nuno Vaz disse que o Tâmega galgou as margens primeiro na zona do balneário termal e na margem esquerda do rio, junto ao campo de futebol de praia, tendo transbordado, depois, em “vários outros locais”.

“Nós neste momento, já estamos com um plano de salvaguarda e já temos um conjunto de ruas e de vias de acesso interditadas”, disse o autarca do distrito de Vila Real, que falava à agência Lusa pelas 18:00.

O presidente referiu que, nesta fase, não há edifícios ou estabelecimentos comerciais “em risco” e explicou que a zona inundada é de espaços verdes, agrícola e de acessos.

“Estamos a falar de água com 10 a 12 centímetros de altura”, apontou, adiantando não ter o registo, até ao momento, de “nenhum dano relevante” resultante da subida do rio.

Nuno Vaz disse que já está previamente sinalizada e identificada a área historicamente mais suscetível à cheia, tal como os moradores e comerciantes dessa zona, aos quais foi atempadamente enviada uma mensagem, via telemóvel, para se prevenirem e salvaguardarem os seus bens.

Para além disso, acrescentou, circulou ainda uma viatura municipal nas zonas mais críticas e que habitualmente ficam sujeitas a inundação com a missão de avisar os respetivos residentes.

Foi ainda feita uma reunião com a PSP, GNR e as corporações de bombeiros do concelho para uma cooperação neste processo.

O autarca disse que está a feita uma monitorização constante do causal do rio, considerando que, perante as condições (precipitação, degelo e caudal elevado proveniente de Espanha), o nível do rio poderá continuar a subir.

Mas, segundo Nuno Vaz, no concelho há também preocupações quanto às rajadas de vento previstas e com a possibilidade de queda de neve até ao 600/800 metros.

Neste sentido, explicou, os meios da Proteção Civil e dos bombeiros estão a ser preposicionados nas zonas mais sensíveis para uma atuação mais imediata em caso de neve ou de formação de gelo nas estradas.

"Vamos acompanhar a evolução da situação e, se necessário for, tomar-se-á uma decisão que acautele as pessoas e os bens”, referiu.

O município apela à população para a adoção de comportamentos preventivos, recomendando que sejam evitadas deslocações desnecessárias, a não permanência em áreas arborizadas ou locais expostos ao vento e uma especial atenção à circulação rodoviária face ao risco de gelo, neve e queda de gelo.

Estrada nacional entre Tarouca e Vila Nova de Paiva novamente cortada

A Estrada Nacional 329 (EN329) encontra-se novamente cortada entre Vila Chã do Monte e Espinheiro, devido ao deslizamento de terras, e deverá demorar cerca de dois meses a reabrir, avançou hoje o presidente da Câmara de Tarouca.

Em declarações à agência Lusa, José Damião Melo explicou que, na última noite, a força das águas voltou a levar a terra por baixo da estrada, num troço que dista cerca de 500 metros daquele que esteve cortado durante meio ano em 2025, mas no concelho de Moimenta da Beira.

No ano passado, também devido ao mau tempo, a EN329 - que liga Tarouca a Vila Nova de Paiva (distrito de Viseu) - tinha estado cortada entre 26 de janeiro e 16 de julho, e reabriu após trabalhos de reposição da via.

Segundo José Damião Melo, a causa foi a mesma nas duas situações: “a água vai levando a terra que está por baixo da estrada”, deixando-a sem apoio.

“Estivemos com os técnicos da autarquia no local e já fizemos contactos com outros técnicos e empresas que nos possam prestar algum apoio para rapidamente voltarmos à normalidade, sendo que há procedimentos de contratação pública a seguir, há prazos a garantir e a própria obra em si é demorada”, avisou.

O objetivo do autarca é “colocar novamente a via em condições de circulação o mais rapidamente possível”, mas a estimativa é que isso demore, no mínimo, cerca de dois meses.

Esta é a principal via de ligação entre Tarouca e Vila Nova de Paiva, que atravessa também uma parte do concelho de Moimenta da Beira.

José Damião Melo referiu que a alternativa é “fazer um desvio de cerca de 2,5 quilómetros, indo por Vila Chã do Monte, Alvite e Porto da Nave (CM1039)”.

Escolas encerradas na quarta-feira em Montalegre

As escolas de Montalegre vão ficar fechadas na quarta-feira por causa das previsões meteorológicas adversas, como a queda de neve, precipitação e vento, informou hoje o agrupamento escolar.

“Por razões de prudência e de salvaguarda da segurança dos alunos, amanhã [quarta-feira] não haverá atividade letiva nos estabelecimentos de ensino do Agrupamento de Escolas Doutor Bento da Cruz”, disse o estabelecimento de ensino, num aviso à comunidade escolar.

As escolas que vão ficar fechadas são a Secundária Doutor Bento da Cruz, a Secundária do Baixo Barroso e as escolas Básicas de Montalegre; Salto e de Cabril.

Também o município de Montalegre referiu que a Proteção Civil Municipal “considera não estarem reunidas as condições de segurança adequadas para a normal circulação dos veículos de transporte escolar”, pelo que na quarta-feira não se realizará este transporte.

A autarquia do distrito de Vila Real disse que a evolução das condições meteorológicas está a ser acompanhada em permanência pela Proteção Civil Municipal por forma a garantir a segurança de pessoas e bens.

Já hoje, por causa da queda de neve e das previsões de um agravamento das condições meteorológicas, com vento e precipitação fortes, as escolas do concelho encerraram à tarde e os alunos foram transportados mais cedo para casa.

No concelho vizinho de Boticas, o transporte escolar foi também antecipado hoje, mas apenas para os alunos das zonas mais altas do concelho, como Alturas do Barroso, Couto de Dornelas e Covas do Barroso.

O município também justificou o regresso a casa mais cedo para alguns alunos do Agrupamento de Escolas Gomes Monteiro, “por prudência, na sequência da análise das condições climáticas e tendo em conta a possibilidade de agravamento do estado do tempo”.

Já na sexta-feira, as escolas destes municípios estiveram encerradas por causa do aviso vermelho para a queda de neve.

Os dois concelho inserem-se no distrito de Vila Real, que se encontra, agora, sob aviso laranja devido à queda de neve, vento e precipitação.

Lusa

1700 clientes sem energia elétrica às 16:00

Cerca de 1.700 clientes estavam sem energia elétrica às 16:00, em consequência das condições meteorológicas adversas que se fizeram sentir na última noite, uma diminuição face ao anterior balanço da E-Redes, segundo informação da empresa.

De acordo com informação enviada pela E-Redes à agência Lusa, Bragança, Leiria e Portalegre são os distritos mais pressionados.

No balanço anterior, feito às 11:30, dez mil clientes estavam sem eletricidade, a maioria nas regiões centro e norte litoral.

A E-Redes, empresa do grupo EDP que opera as redes de distribuição de energia em Portugal continental, informa que tem 400 operacionais no terreno e que reforçou “todas as equipas” para enfrentar “eventuais agravamentos no impacto na rede de distribuição”.

Hoje, em conferência de imprensa, a Proteção Civil alertou para o impacto que a passagem de uma nova depressão, Kristin, poderá ter nas redes de distribuição, tendo sugerido que fornecedores e distribuidoras reforcem os operacionais e elevem o seu estado de prontidão.

O presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Cívil, José Manuel Moura, antecipa que a passagem da nova depressão “vai afetar sobretudo a vulnerabilidade das redes” de transportes, elétrica, etc., apelando à população que garanta “adequada fixação de estruturas soltas”.

Lisboa contabiliza 56 ocorrências sobretudo quedas de árvores

A cidade de Lisboa registou, entre as 21:00 de segunda-feira e as 13:00 de hoje, um total de 56 ocorrências relacionadas com o mau tempo, sobretudo quedas de árvores, revelou o diretor do Serviço Municipal de Proteção Civil.

“Até agora, não há vítimas a registar, apenas alguns danos materiais, mas diria que é uma situação que, face à situação meteorológica adversa, é de alguma normalidade, com trabalho”, afirmou André Fernandes, em declarações à agência Lusa.

Das 56 ocorrências registadas em Lisboa, entre as 21:00 de segunda-feira e as 13:00 de hoje, a maioria tem a ver com quedas de árvores (38), verificando-se também quedas de estruturas (10), quedas de revestimentos (2) e inundações na via pública (6), indicou o responsável do Serviço Municipal de Proteção Civil.

“Neste momento, não temos registo de nenhuma inundação em habitação, nem pessoas desalojadas”, indicou André Fernandes.

Relativamente às freguesias mais afetadas, destacam-se Alcântara, Marvila e Olivais, com cinco ocorrências cada, e Alvalade, Arroios, Santa Clara e Santa António, com quatro cada.

As freguesias de Areeiro, Avenidas Novas, Benfica e Campolide registaram três ocorrências cada, enquanto Campo de Ourique, Carnide, Misericórdia e Penha de França verificaram duas cada e Ajuda, Belém, Lumiar, Santa Maria Maior e São Domingos de Benfica uma cada, de acordo com a Proteção Civil.

Relativamente aos danos materiais, André Fernandes referiu que algumas quedas de árvores, inclusive em Arroios e Benfica, danificaram “algumas viaturas”, adiantando que o levantamento desses danos ainda está a ser feito.

Questionado sobre se há estradas cortadas ou condicionadas devido ao mau tempo, o diretor do Serviço Municipal de Proteção Civil disse que, “neste momento, não”.

“Há todo um sistema de proteção civil que está apto e está a trabalhar para dar resposta às situações”, realçou, acrescentando que toda a estrutura municipal, em particular de intervenção no espaço público e socorro à população, está “no máximo esforço para dar a melhor resposta face a esta situação meteorológica adversa”.

Sobre se se prevê o envio de SMS no âmbito do sistema municipal de avisos à população da Proteção Civil de Lisboa, André Fernandes disse que essa possibilidade vai ser avaliada na reunião do Centro de Coordenação Operacional Municipal.

“Essas medidas de antecipação serão tomadas e o envio de SMS é algo que estamos a considerar”, expôs.

O sistema municipal de avisos à população da Proteção Civil de Lisboa pode ser subscrito pelos cidadãos através do envio de um ‘sms’ com o texto “AvisosLx” para o número 927 944 000.

Lusa

Barragem da Bravura no Algarve com medida histórica de 82% da capacidade

A barragem da Bravura, no concelho de Lagos, distrito de Faro, encontra-se com 82% da sua capacidade, uma medida histórica segundo o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), lembrando que na última década tem rondado os 12%.

“Podemos dizer que nos últimos anos já tivemos aquela barragem com 10%, 12%, 15% e agora 82%. É uma coisa que eu fico muito feliz de ter acontecido”, disse à Lusa José Pimenta Machado.

O presidente do conselho diretivo da APA adiantou também que, das seis barragens existentes no Algarve, “cinco já fizeram descargas preventivas para não ultrapassarem o nível que põe em causa a segurança das barragens”.

“Na Bravura, um dia destes, eu vou ter que fazer isso [descarga preventiva] porque já está a ter 82%. Continua a chover, continuam a subir caudais. Um dia desses vamos ter as seis barragens do Algarve, que seria histórico, a fazer descargas preventivas por uma questão de segurança”, afirmou, apontado que poderá já ser “daqui a 15 dias ou ainda menos tempo.

O responsável acrescentou também que a barragem do Alqueva “já passou os 90%” e que, no Algarve, as seis barragens – Odelouca, Odeleite, Beliche, Funcho, Arade e Bravura - “estão, em média, com 89%, o que é histórico”, sublinhando que a média nacional é 87%.

“O Algarve tem mais água em média, o que é uma coisa fantástica”, afirmou.

José Pimenta Machado considerou que se está a viver “um ano muito bom, sem qualquer dúvida”, em termos de água nas barragens, e lembrou que estamos em janeiro “em pleno período húmido” e que ainda vem fevereiro, março e abril “de mais chuva”.

“Neste momento, eu estou a tirar a água das barragens. Quando eu dou médias, é um bocadinho mandar médias, porque neste momento – quinta, sexta-feira, sábado e domingo – estou a esvaziar as barragens, para encaixar se chover mais”, explicou, frisando, no entanto, que agora as barragens estão cheias e “há pouco tempo para esvaziar para preparar as próximas tempestades”.

Pimenta Machado considerou também como positivo para o Algarve “a chuva continuada para os aquíferos”, reconhecendo a importância do sistema aquífero Querença – Silves, cuja água é usada na agricultura.

O responsável lembrou ainda que Portugal continental mantém a previsão de chuva para os próximos dias, frisando que estamos, já neste momento, a “usar a cabeça das barragens”, mas que há limites porque “o solo está encharcado, não se consegue absorver nada e a chuva que cai transforma-se em escoamento e rapidamente aflui às albufeiras”.

Pimenta Machado reconheceu a importância do organismo responsável pelas águas em Portugal estar em “articulação meticulosa” com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), bem como com os municípios e também com Espanha, “onde nascem rios que atravessam o país”.

O presidente do conselho diretivo da APA fez ainda um ponto de situação sobre os caudais dos rios de norte a sul do país, frisando que estão a “circular caudais muito elevados” no rio Zêzere (zona centro do país], com “boa parte da água que provém do degelo da Serra da Estrela”.

“E vamos ter mais chuva hoje. Não com a mesma dimensão da tempestade Joseph e Ingrid. Vem outra, que é Kristen. Traz muito vento, acima de tudo, mas traz também mais chuva para um sistema que está neste momento já muito saturado”, avançou, reconhecendo que a “gestão vai ser ainda mais exigente”.

Lusa

Governo acompanha em permanência situação de cheias

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, garantiu hoje que o Governo está a acompanhar em permanência a evolução da situação de eventuais cheias, nomeadamente a norte do rio Mondego e na bacia do Tejo.

“Quero deixar-lhes aqui a garantia de que o Governo está a acompanhar em permanência a evolução desta situação, em articulação com a Agência Portuguesa do Ambiente”, com outras entidades e em coordenação com Espanha, “para desencadear os meios de resposta adequados em caso de necessidade”, disse a ministra.

Maria da Graça Carvalho falava no início de uma audição parlamentar, na comissão de Ambiente e Energia, quando recordou a recente passagem pelo país da tempestade Ingrid, seguindo-se a Joseph, que provocaram níveis elevados de precipitação e queda de neve.

Existe um risco real de cheias a norte do Mondego e na bacia do Tejo “ao longo desta semana”, alertou.

Lusa

A previsão de agravamento do estado do tempo para a próxima madrugada, devido a uma nova depressão meteorológica, Kristin, levou a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) a elevar esta terça-feira, 27 de janeiro, o estado de prontidão para o nível 4 (o máximo) para a orla costeira, entre Setúbal e Viana do Castelo.

Tendo em conta a informação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a Proteção Civil referiu-se à nova depressão como um "fenómeno complexo", com "elevado potencial para afetar a segurança de pessoas e bens".

Nesse sentido, "durante esta manhã, reunimos extraordinariamente o centro de coordenação operacional nacional com os vários agentes de proteção civil e entidades que cooperam conosco e decidimos elevar o estado de prontidão especial para o nível 4 para toda a orla costeira, entre Setúbal e Viana do Castelo", disse José Ribeiro, segundo comandante nacional da Proteção Civil, em conferência de imprensa.

O responsável explicou que o estado de prontidão especial nível 4 "é o máximo que temos no nosso sistema". "Significa uma prontidão de até 100% dos dispositivos num prazo de 12 horas", afirmou.

Maior impacto da nova depressão será entre as 03h00 e as 06h00. Tem "potencial destrutivo muito significativo"

Prevê-se que o maior impacto desta nova depressão meteorológica, denominada de Kristin, será sentido entre as 03h00 e as 06h00 de quarta-feira.

José Manuel Moura, presidente da ANEPC, explicou que "o impacto desta ciclogénese explosiva, como foi explicado pelo IPMA, vai afetar a vulnerabilidade das redes, seja rodoviária, ferroviária, rede elétrica, rede de transportes". "De uma forma ou de outra vai sempre afetar com algum impacto este tipo de meios", acrescentou.

Recomendou a adequada fixação de estruturas soltas, como andaimes, placars. "É fundamental para ventos desta ordem de grandeza, que podem atingir os 150/160 km/h, a ciclogénese explosiva em contacto com a terra tem um potencial de dano muito significativo num curto espaço de tempo", sublinhou o presidente da ANEPC .

O foco das autoridades está agora na depressão Kristin, que tem um "potencial destrutivo muito significativo", indicou José Manuel Moura.

O distrito de Coimbra, até Aveiro, a norte, e até Leiria, a sul, será a zona de maior risco à passagem da depressão Kristin, que sucede à depressão Joseph e que o IPMA qualificou como “ciclogénese explosiva”, termo utilizado para depressões de forte intensidade, tanto em vento como em chuva.

Durante a última noite, foram registadas 490 ocorrências, entre as 00:00 e as 07:45 relacionadas com o mau tempo, a maioria na região metropolitana do Porto e principalmente quedas de árvores.

“Entre as 00:00 e as 07:45 de hoje foram registadas um total 490 ocorrências relacionadas com esta meteorologia adversa, sendo que a região Metropolitana do Porto foi a mais afetada e as ocorrências mais significativas estão relacionadas com quedas de árvores e inundações”, disse à Lusa Paulo Santos, da ANEPC, realçando não haver registo de vítimas ou danos de maior.

“Durante a noite foram empenhados 1694 operacionais e 641 meios terrestres”, disse.

Dez mil clientes sem energia elétrica às 11h30

A E-Redes informou, entretanto, que dez mil clientes, a maioria nas regiões centro e norte litoral, estavam às 11h30 de hoje sem energia elétrica, estando mobilizados no terreno mais de 400 operacionais, segundo informação enviada pela empresa à Lusa.

“A E-Redes tem mobilizados 400 operacionais no terreno, tendo todas as equipas mobilizadas para um reforço para fazer face a eventuais agravamentos no impacto na rede de distribuição”, indica a empresa.

Num comunicado anterior, às 09h00, a empresa tinha indicado que oito mil clientes estavam sem energia por causa das condições meteorológicas adversas.

Ponte sobre o rio Zêzere cortada ao trânsito na Pampilhosa da Serra

A Câmara da Pampilhosa da Serra, no interior do distrito de Coimbra, interrompeu temporariamente a circulação na ponte que liga Porto de Vacas a Janeiro de Cima devido ao aumento do caudal do rio Zêzere.

"As equipas da Proteção Civil e dos serviços municipais encontram-se no terreno a acompanhar a situação e a desenvolver todos os esforços necessários para repor, com segurança, as condições normais de circulação", referiu o município.

A autarquia, através da Proteção Civil Municipal, alertou ainda para a subida dos caudais dos rios Zêzere, Unhais e Ceira, que poderão originar ocorrências e situações excecionais em algumas zonas do concelho.

Zona ribeirinha da Régua encerrada

A Câmara Municipal do Peso da Régua emitiu um aviso à população, dando conta que a zona ribeirinha está encerrada devido à subida do nível do rio Douro. "A ciclovia, o Cais da Régua e o Cais da Junqueira encontram-se temporariamente encerrados, por motivos de segurança", informou a autarquia.

O município pede que seja respeitada "a sinalização existente no local" e que não sejam ultrapassadas as barreiras de proteção.

Pontes submersas em Mirandela

Na sequência do elevado caudal dos rios, a Ponte de Miradeses e a Ponte de Mosteiró, em Mirandela, "encontram-se submersas, estando interdita a circulação pedonal e rodoviária nestas travessias", informou a Câmara Municipal.

"Por precaução e motivos de segurança, será igualmente interdita a circulação na Ponte de Frechas, de forma preventiva", adiantou a autarquia no aviso à população, partilhado nas redes sociais, referindo que o "Serviço Municipal de Proteção Civil encontra-se no terreno, a acompanhar permanentemente a situação".

Mais de 20 estradas nacionais e municipais fechadas

Vinte e cinco vias nacionais e municipais estavam às 07:00 desta terça-feira interditadas por inundação ou desmoronamento nas regiões do norte e centro, devido ao mau tempo, segundo a Guarda Nacional Republicana (GNR).

Segundo dados enviados à Lusa pela GNR, estão interditadas ao trânsito a Estrada Nacional (EN) 9-1 (Estrada da Lagoa Azul) no Linhó, concelho de Sintra, EN 10 Torres do Mondego, em Coimbra, EN 262 em São Romão do Sado, em Setúbal, e EN 365 na Golegã, em Santarém.

Estão também suspensas à circulação a EN 3-2 em Valada, no Vale de Santarém, EN 8-2 em Casal Lourim, na Lourinhã, EN 205-1, em Rio Tinto, em Braga, e EN 301 em Argela, em Viana do Castelo, e EN 358-2 em Constância, no distrito de Santarém.

De acordo com a GNR, estão igualmente fechadas vias na Serra da Estrela, a Nacional 102, ao quilómetro (km) 53,4, em Torre de Moncorvo (Bragança), EN 316 ao quilómetro 37, em Macedo de Cavaleiros (Bragança), a Estrada Municipal (EM) 511 em Merujal (Arouca), EM 1227 Noninha em Arouca, ER 326 em Cando, ER 311, Rio Douro, Cabeceiras de Basto e Várzea (Braga).

Estão ainda fechadas a EM 1133, Estrada de Santo António, em Riba de Mouro (Viana do Castelo), EN 110 km 4,8 entre Penacova e Coimbra, EM 1416 em Moradias, Pampilhosa da Serra, EM 547 em Alto do Fajão, Vila Pouca de Aguiar (Vila Real), EN 344 em Castanheira da Serra (Coimbra), EM 1355 em Covanca, em Pampilhosa da Serra, EN 236 em Casal Novo (Coimbra), e EM 1374 em Barrica Grande-Portela de Unhais (Covilhã).

Na segunda-feira, foram registadas mais de 700 ocorrências, até às 20:00, devido ao mau tempo em Portugal continental, que afetaram sobre tudo a região Norte e de Lisboa e Vale do Tejo, levando ao realojamento de uma família no concelho de Oeiras.

Um deslizamento de terras colocou em perigo uma habitação em Porto Salvo, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, levando ao realojamento de uma família de dois adultos e três crianças pela autarquia, adiantou na segunda-feira à Lusa Pedro Araújo, oficial de operações da ANEPC.

Num balanço à Lusa, Pedro Araújo referiu que o Norte foi a região mais afetada com 237 ocorrências, seguida de Lisboa e Vale do Tejo (215) e Centro (214).

Aveiro, Porto e Coimbra sob aviso vermelho na quarta-feira

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê chuva, neve, vento e agitação marítima como efeitos da passagem da depressão Joseph por Portugal continental, tendo emitido vários avisos.

Devido aos efeitos da depressão Joseph, o IPMA colocou os distritos de Aveiro, Porto e Coimbra sob aviso vermelho entre as 03:00 e as 06:00 de quarta-feira por causa do vento forte com rajadas da ordem dos 140 quilómetros por hora (km/h).

O Instituto já tinha agravado na segunda-feira para vermelho os avisos devido à agitação marítima e para laranja devido à queda de neve, devido aos efeitos da depressão Joseph na passagem por Portugal continental.

Todos os distritos de Portugal continental estão sob aviso amarelo por causa do vento forte com rajadas até 80 quilómetros por horas, sendo até 100 nas terras altas, até às 15:00 de hoje e depois na quarta-feira.

Os 18 distritos estão igualmente sob aviso amarelo entre as 03:00 e as 09:00 de quarta-feira devido à previsão de chuva por vezes forte.

Efeitos do mau tempo em Almada
Agravamento do tempo para esta noite, com três distritos sob aviso vermelho devido a rajadas de vento que podem chegar aos 140 km/h
Efeitos do mau tempo em Almada
Tempestade Joseph traz dias críticos com cheias, rajadas fortes e agitação marítima
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