Este insulto homofóbico não é homofóbico

O tribunal considerou que, se for usado acerca de um cabeleireiro, o termo "paneleiro" não é homofóbico. Ministra do Emprego está revoltada
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A ministra francesa do Emprego criticou uma decisão de um tribunal do trabalho, que arquivou uma queixa por homofobia apresentada por um cabeleireiro. O cabeleireiro, que é homossexual, foi despedido do seu trabalho um dia após ter sido chamado de "paneleiro sujo" numa mensagem enviada por engano pela sua chefe.

O cabeleireiro foi despedido durante o período de experiência, com a justificação de que não seria competente o suficiente para o lugar. O queixoso acredita, no entanto, que se tratou de discriminação laboral tendo como base a sua orientação sexual, e apresentou como prova o SMS que recebera da chefe no dia antes de ser despedido.

O tribunal decidiu arquivar a queixa porque o termo "sale PD", traduzível como "paneleiro sujo", não pode ser considerado homofóbico "no contexto dos salões de cabeleireiro, que empregam regularmente pessoas homossexuais, especialmente nos cabeleireiros femininos, sem que levante problemas", segundo se lê na decisão de tribunal, citada pelo Huffington Post francês.

A decisão do tribunal da região de Paris foi tomada em janeiro mas foi divulgada esta sexta-feira pela France Info, que transcreve a SMS completa enviada pela chefe ao empregado por engano: "Não gosto deste tipo, não vou ficar com ele, é um paneleiro sujo, e eles só fazem maus cortes de cabelo".

"Espero que a pessoa que foi discriminada recorra da decisão", afirmou na rádio RTL a ministra do Trabalho, Myriam El Khomri. "É extremamente chocante".

O tribunal decidiu que a mensagem enviada por engano da chefe para o empregado que foi despedido, mesmo que fosse ofensiva, não era homofóbica nem discriminatória.

Com Reuters

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