A filha do milionário Lúcio Tomé Feteira ainda tentou chegar a acordo com a secretária dele, Rosalina Ribeiro. Caso ela devolvesse os 28 milhões de euros alegadamente retirados das contas do falecido, Olímpia Menezes retiraria o processo instaurado para anular a deixa testamentária que lhe dá 5% da fortuna total do empresário. Uma proposta inviabilizada pela defesa de Rosalina, a cargo do ex-deputado Duarte Lima..Rosalina Ribeiro começou por tentar, no Brasil, obter o reconhecimento da "união estável" entra ela e Lúcio e, assim, obter a parte da fortuna que por lei caberia à sua mulher legítima, Adelaide. O processo terminou em 2004, pouco depois de Adelaide morrer, com o tribunal de Brasília a recusar reconhecimento. Olímpia interpôs então, em Portugal, uma acção para anular a deixa testamentária que concedia a Rosalina cerca de 5% da herança do milionário, porque a lei portuguesa impede deixas testamentárias a "concubinas". . Olímpia ainda tentou um acordo, mas a defesa de Rosalina, a cargo de Duarte Lima, recusaram a entrega de qualquer valor. Só em Setembro, através de cartas roga- tórias, se descobre que os cerca de nove milhões de euros retirados de uma conta na Suíça tinham sido transferidos por Rosalina para Duarte Lima e para uma conta sem nome..O caso foi decidido em Março a favor de Rosalina, mas Olímpia recorreu. Até decisão final, os bens de Rosalina estavam arrestados..O amargo relacionamento entre a filha Olímpia de Menezes, 69 anos, e a secretária Rosalina Ribeiro, 74, levou Lúcio Tomé Feteira a ser cauteloso. Três anos antes de morrer, Feteira juntou uma equipa médica que atestou a sua sanidade mental e assinou o testamento, para que ele não fosse reclamado. O documento prevê duas situações distintas: caso ele morresse antes da esposa, Adelaide, ou depois. Feteira queria garantir que se morresse antes da mulher, como aconteceu, a casa onde viviam na Avenida Júlio Dinis, Lisboa, ficaria para ela até morrer. Caso contrário, seria imediatamente doada ao Telhal, onde o seu filho recebera tratamento por sofrer de esquizofrenia antes de morrer. Mas a deixa testamentária relativa à criação da Fundação Família Feteira - e não em seu nome individual por causa da importância dos seus antecedentes em Vieira de Leiria - é igual nas duas versões. .Ainda de acordo com a mesma fonte, ao deixar à filha Olímpia apenas a quota legítima (ou seja, pouco mais de 33 por cento da sua fortuna), Feteira pediu "desculpa" e explicou que o seu desejo era criar a fundação e, por isso, não lhe deixaria mais que a parte estabelecida por lei. "Não levei nada a mal", afirma Olímpia ao DN. .Também Rosalina fez um testamento antes de morrer. Os três apartamentos em Lisboa, a vivenda do Algarve, e os apartamentos de Vieira de Leiria e do Rio de Janeiro (Brasil) ficariam para dois sobrinhos e três sobrinhos-netos (fruto do seu casamento).