Da Suíça a Marrocos, com toque argentino: chegou a festa da língua francesa

São mais de cem eventos a decorrer em 24 cidades portuguesas até 31 de março. Em Lisboa, o dia grande da francofonia será 23, no Capitólio e no cinema São Jorge.
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A festa é da francofonia, mas é num português adocicado pelo sotaque brasileiro que o embaixador da Suíça em Lisboa faz as honras da casa. "A francofonia até aceita que alguém de língua materna alemã fale com vocês em seu nome", brinca André Regli, um verdadeiro poliglota.

O diplomata helvético é o anfitrião da apresentação da Festa da Francofonia 2019. Ao seu lado está o embaixador de Marrocos, Othmane Bahinini. Uma pequena amostra da diversidade da Organização Internacional da Francofonia (OIF), que desde 1970 agrupa já 54 membros, 27 observadores e sete associados.

André Regli começou por recordar que "a língua francesa é falada por mais de 274 milhões de pessoas e continua a ser a segunda língua estrangeira mais aprendida no mundo".

Este ano, a organização da Festa da Francofonia em Portugal ficou a cargo de 14 países - Andorra, Argentina, Bélgica, Canadá, Costa do Marfim, Egito, França, Geórgia, Luxemburgo, Marrocos, Roménia, Senegal, Suíça e Tunísia - (representando três continentes), das Alliances Françaises, de escolas, universidades e associações de todo o país. Uma festa que, sublinhou o embaixador suíço, pretende mostrar "como a francofonia pode ao mesmo tempo descrever-se com a palavra unidade por ter uma língua em comum, o francês, como também se pode caracterizar com a palavra diversidade por estar composta de culturas muito diversas".

Ora foi essa diversidade que o embaixador de Marrocos quis sublinhar. Optando por falar em francês ("ainda não falo suficientemente bem português", confessou), Othmane Bahinini lembrou que dos francófonos que hoje falam a língua diariamente 55% residem em África - ou seja cerca de 150 milhões. Um número que está a crescer e que em 2050 deverá representar 85% do total de francófonos. "África é inegavelmente um continente de crescimento demográfico, de juventude, de esperança, de futuro", garantiu, antes de sublinhar: "O futuro da francofonia joga-se em África".

Língua cultural por excelência, até hoje 16 escritores de língua francesa ganharam o prémio Nobel da Literatura.

Durante todo o mês de março, a Festa da Francofonia vai chegar a 24 cidades no continente e nos Açores. O grande momento em Lisboa terá lugar a 23 de março, no Capitólio e no cinema São Jorge. A abertura fica a cargo dos alunos do Liceu Francês Charles Lepierre, mas será ainda possível assistir às atuações do duo Beat Kaestli e Loïc da Silva, da Suíça, ao espetáculo de dança vertical Lumen, de Andorra, ao violinista tunisino Sarawen ou a um concerto de Paulo Bragança. Pelas 19.00, após a abertura oficial, haverá uma viagem gastronómica ao sim do DJ belga Boods. A noite termina no São Jorge com o canadiano Pierre Kwenders. A entrada é livre.

Ainda em Lisboa, a 20 de março será inaugurada a exposição de arte Francofonia 2019, sob a tutela da Embaixada da Argentina e com obras de artistas argentinos com ligação a França. A Argentina aderiu à OIF em 2017, como país observador. A exposição ficará patente até 3 de abril.

Veja a programação em www.festadafrancofonia.com

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