Corte de 15% no consumo de gás? Bruxelas pede "cabeça fria" a países como Portugal

Proposta não é para "pegar ou largar" e pode ser "debatida", diz a Comissão Europeia
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"Não há nenhum texto da Comissão que não possa ser discutido de uma forma ou de outra, e até alterado", admite porta-voz de Bruxelas.

A Comissão Europeia apelou esta sexta-feira (22) a que os governos da União Europeia mantenham "a cabeça fria" para debater as "soluções" para o "risco não negligenciável" de um "corte total" do abastecimento do gás russo à União Europeia.

"É extremamente importante que todos guardemos a cabeça fria - apesar das altas temperaturas no exterior -, para debatermos a melhor solução que possamos dar a esta crise", afirmou o porta-voz do executivo comunitário, Eric Mammer, chamando a atenção para um "risco não negligenciável" de a Rússia vir a cortar por completo o fluxo de gás para a União Europeia

Chamando a atenção para as consequências na economia europeia de uma falha no abastecimento, o porta-voz apontou a necessidade de uma "poupança", para "obter um volume adicional de gás em toda a União Europeia, para que se possa acumular um stock de 45 mil milhões de metros cúbicos".

Questionado sobre se a Comissão Europeia admite rever a proposta, agora que os governos de vários Estados-Membros se opuseram às medidas, - como foi o caso do português, mas também o governo espanhol, o grego e o polaco -, o porta-voz admitiu alterações, desde que essa seja a decisão adotada pelo Conselho da UE.

"Não há nenhum texto da Comissão que não possa ser discutido de uma forma ou de outra, e até alterado conforme o Conselho considere justificado", afirmou, lembrando que "um documento que é posto em cima da mesa pela Comissão não é um documento para "pegar ou largar".

Eric Mammer disse ainda que a Comissão Europeia considera "normal" oposição de "certos Estados-Membros" ao plano para limitar em 15% o consumo de gás entre os 27, apresentado na quarta-feira desta semana.

O porta-voz da Comissão deu ainda resposta a uma questão sobre o contributo que Portugal e Espanha poderão dar para resolver escassez energética, tendo em conta que o nível de interligações entre a Península Ibérica e os restantes países do bloco é reconhecidamente "baixo", apesar da insistência das autoridades dos dois países para que seja melhorado.

Bruxelas afirma que já há um volume "importante" de gás a ser transferido para a rede europeia, através dos Pirenéus", mas admite uma "situação diferente" em relação às interligações da rede de eletricidade.

"A minha informação é que o grau de interligações é de 30% e que vários milhares de milhões de metros cúbicos de gás podem, portanto, ser transferidos de Espanha para o resto da Europa", afirmou o porta-voz, assumindo que "quando falamos de interligações, estamos obviamente a falar frequentemente de eletricidade, onde sabemos que a situação é diferente".

"Mas em termos de gás, as interconexões não só existem, como também são importantes", vincou.

Na quarta-feira passada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen apresentou o referido plano focado na "redução" do consumo de gás na União Europeia, com medidas direcionadas para a indústria e também para os consumidores domésticos.

A Comissão Europeia pretende que os Estados-Membros adiram de forma voluntária ao plano em que propõe uma "redução de 15%" no consumo total de gás, já a partir de agosto, para garantir "um inverno seguro".

Bruxelas quee que os governos europeus avancem com campanhas nacionais dirigidas às famílias para estimular a poupança de gás através da diminuição da temperatura do aquecimento nas habitações. Os edifícios públicos, escritórios e comércio não deverão exceder os 19 graus.

Carvão e nuclear

Os Estados-membros deverão poder escolher de forma "temporária" se pretendem utilizar outras fontes de produção de electricidade, por exemplo, recorrendo ao uso de "carvão" e aos geradores "nucleares".

Bruxelas espera que estas medidas possam ser levantadas o mais rápido possível, para que as metas do clima não sejam comprometidas.

Numa primeira fase, a medida avança com base numa adesão "voluntária" ao plano da presidente da Comissão Europeia, mas Ursula von der Leyen admite o racionamento "obrigatório" do consumo de gás, no caso de "uma emergência".

As medidas que contam com a colaboração "de todos", desde a indústria aos consumidores domésticos, visam uma "redução de 15%" no consumo total de gás, já a partir de 01 de agosto, para garantir "um inverno seguro".

"Quanto mais rápido agirmos, mais poupamos, e mais seguros estaremos", afirmou a presidente da Comissão, justificando a urgência de um plano que para já assume um caráter voluntário, dependendo das circunstâncias.

"Por agora, os 15% são o desejável. É uma meta voluntária. Mas, no caso de estarmos numa emergência, então o objetivo vai tornar-se obrigatório", admitiu a presidente da Comissão Europeia, que está a contar com a possibilidade de um corte "abrupto e unilateral" do abastecimento do gás proveniente da Rússia.

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