Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo
Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russoEPA/Domenic Aquilina

Rússia acusa Joe Biden de tentar desestabilizar região euro-asiática

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, a administração de Joe Biden "está a fazer avançar as infraestruturas da NATO na região Ásia-Pacífico".
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O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, acusou esta quinta-feira a administração norte-americana de tentar "desestabilizar o continente euro-asiático" numa reunião da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) em Malta.

"A administração [do presidente Joe] Biden está a fazer avançar as infraestruturas da NATO na região Ásia-Pacífico", denunciou Lavrov na reunião ministerial da OSCE, a decorrer na cidade de Ta' Qali, em Malta.

"Os exercícios militares estão a multiplicar-se (...). Isto é claramente uma tentativa de desestabilizar todo o continente euro-asiático", afirmou Lavrov, citado pela agência francesa AFP.

O ministro russo acusou o Ocidente de orquestrar uma "nova Guerra Fria", mas avisou que a situação ameaçava entrar num "fase quente", segundo a agência estatal russa Ria Novosti.

"Para voltar a colocar a NATO na cena política após o desastre afegão [a retirada militar ocidental de 2021), era necessário um inimigo unificador", afirmou.

"A solução foi uma reencarnação da Guerra Fria, só que agora há um risco muito maior de passar para uma fase quente", disse Lavrov aos representantes dos 57 Estados da OSCE, cuja maioria denunciou a invasão russa na Ucrânia.

Chefe da diplomacia de Kiev chama criminoso de guerra a homólogo russo

O chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sybiga, descreveu esta quinta-feira o homólogo russo, Serguei Lavrov, presente na mesma reunião em Malta, como um "criminoso de guerra".

"A Ucrânia continua a lutar pelo seu direito à existência e o criminoso de guerra russo que se encontra nesta mesa deve saber que a Ucrânia vai conquistar esse direito e que a justiça vai prevalecer", afirmou Sybiga, referindo-se a Lavrov.

Sybiga falava na reunião ministerial dos 57 países da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), de que Portugal faz parte, que se realiza na cidade de Ta' Qali, em Malta.

A deslocação de Lavrov a Malta é a primeira do ministro russo a um país europeu desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Em 2022, a Polónia, então anfitriã da OSCE, recusou-se a permitir que Lavrov participasse na cimeira, o que irritou a Rússia.

Um porta-voz de Malta disse que Lavrov foi sujeito a um congelamento de bens pela União Europeia (UE), mas não foi proibido de viajar e foi convidado para "manter certos canais de comunicação abertos".

Na intervenção na reunião da OSCE, o ministro ucraniano criticou a participação de Moscovo.

"A participação da Rússia na OSCE é uma ameaça à cooperação na Europa", afirmou Sybiga, citado pela agência francesa AFP.

O chefe da diplomacia da Ucrânia acusou ainda a Rússia de mentir quando fala de paz.

A guerra da Rússia contra a Ucrânia deverá ser um dos temas em destaque na reunião da OSCE, que termina na sexta-feira.

A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 para "desmilitarizar e desnazificar" o país vizinho, segundo justificou na altura o Presidente russo, Vladimir Putin.

Desde então, Moscovo declarou como anexadas à Federação Russa as regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Zaporijia e Kherson, depois de ter feito o mesmo à Crimeia em 2014.

A Ucrânia e a generalidade de comunidade internacional não reconhecem a soberania russa nas cinco regiões ucranianas.

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