Putin num encontro com crianças, em Moscovo.
Putin num encontro com crianças, em Moscovo.EPA/ALEXANDER KAZAKOV / SPUTNIK / KREMLIN

“Exército privado” de Putin absorveu Grupo Wagner

Britânicos dizem que membros do grupo de Prigozhin fazem parte de uma nova unidade de voluntários da Rosgvardia.
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Três unidades de assalto do Grupo Wagner foram incorporadas na Guarda Nacional Russa, depois de o presidente Vladimir Putin ter autorizado a Rosgvardia a ter as suas formações de voluntários. A informação foi avançada pelos serviços de informação militares britânicos, que dizem que isto “indica muito provavelmente” que houve uma subordinação do grupo formado pelo falecido Yevgeny Prigozhin à Rosgvardia - por vezes apelidada de “exército privado” de Putin -, “aumentando o comando e controlo do Estado russo sobre o Grupo Wagner”.

Segundo a mesma fonte, os destacamentos de voluntários serão provavelmente enviados tanto para a Ucrânia, como para África. “A Rosgvardia está alegadamente a oferecer aos voluntários contratos de seis meses para serviços na Ucrânia e contratos de nove meses para serviços em África”, disseram os britânicos.

O Grupo Wagner era uma formação paramilitar privada, com fortes ligações ao governo russo, que foi fundada por Prigozhin em 2014. Atuou em vários cenários de conflito, desde a Síria à Ucrânia, passando por África, sendo acusada várias vezes de cometer crimes de guerra. Chegou a ter mais de 50 mil membros. A 23 de junho, após choques entre Prigozhin e a liderança militar russa, o Grupo Wagner encetou uma revolta e partiu a caminho de Moscovo, ficando a apenas 200 quilómetros da capital russa.

Prigozhin acabaria contudo por recuar, após chegar a acordo com o Kremlin, já depois de Putin os apelidar de “traidores”. Os elementos do grupo foram convidados a integrar o exército ou ir para a Bielorrússia (algo que nunca aconteceu a 100%), tendo Prigozhin escapado a acusações judiciais. O líder do grupo acabaria contudo por morrer na queda de um avião, dois meses depois, suspeitando-se de que tenha havido mão de Moscovo - as autoridades sempre negaram qualquer responsabilidade.

Kiev destrói corveta russa?

Os serviços de informação militares ucranianos reivindicaram esta quinta-feira a destruição de uma corveta russa da frota do Mar Negro, divulgando um vídeo gravado pelos drones que atingiram a embarcação que estava no lago Donuzlav, na Crimeia. “Como resultado dos impactos diretos, o navio russo sofreu danos”, que levaram ao seu afundamento, referiram em comunicado. A Rússia não reagiu ao anúncio. Segundo os ucranianos, a corveta russa teria um valor de entre 60 e 70 milhões de dólares (entre 55 e 65 milhões de euros no câmbio atual).

Entretanto, Moscovo apresentou o que diz serem “provas” de que um míssil Patriot norte-americano foi usado pela Ucrânia para abater, na semana passada, o avião onde seguiam os prisioneiros de guerra. O aparelho, com 74 pessoas a bordo, caiu em Belgorod a 24 de janeiro, com a Rússia a acusar de imediato Kiev de ser responsável. Esta quinta-feira, os investigadores russos indicaram que soldados ucranianos dispararam dois mísseis da área de Lyptsi, na região de Kharkiv, dizendo ter encontrado no meio dos destroços um número de série com acrónimos em inglês. Os ucranianos não reagiram. 

susana.f.salvador@dn.pt

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