O Benfica preparou desde a saída previsível de José Mourinho para o Real Madrid a aquisição de Marco Silva para o cargo de treinador e o acordo será feito com dois anos de contrato, mais um de opção. O Diário de Notícias ouviu fontes que acompanharam de perto o processo de evolução do treinador que passou dez anos no estrangeiro, nove deles em Inglaterra, e traça o perfil e a evolução do lisboeta de 48 anos. Uma das marcas características do português foi a utilização de um esquema tático assente em quatro defesas, primando pela utilização de um jogador na posição 10. O 4x2x3x1 no Fulham tinha interpretações diferentes: Smith-Rowe era um criativo, um médio, mas quando era preciso forçar o ataque eram colocados segundos avançados em campo. No Benfica, Rafa terá esse papel de segundo avançado, Sudakov, por outro lado, é mais conhecido por ser organizador de jogo e na abordagem inicial Marco Silva terá tendência a preferir um 10 com características de organização e não tanto de rutura. No ataque, haverá a intenção de ter jogadores polivalentes: Pavlidis e Ivanovic já o são, com o intuito de segurarem a bola, mas também de procurarem a profundidade. Nos extremos, há a intenção de explorar sempre um jogador mais em diagonais, outro mais aberto no corredor. No meio-campo, pelo que foi possível saber, Marco Silva opta por um duplo pivô, um jogador com mais chegada à área - Ríos e Barreiro podem ter este perfil - e outro atleta mais posicional. A construção a partir da defesa não é feita com um centrocampista a ir buscar a bola aos centrais, por isso é fulcral, de acordo com o treinador, haver a aquisição de um central canhoto para dar fluidez à saída de bola. Fragilizado pela saída de Otamendi e ainda sem estar certo se Tomás Aráujo e António Silva continuam, será no setor mais recuado que se atacará o mercado com mais prontidão. Entre canhotos, Cuenca, espanhol de 26 anos do Fulham, é um dos jogadores apreciados, mas é incerto se há interesse em mudar da Premier para Portugal.Marco Silva foi campeão no Olympiacos após vencer a Taça de Portugal pelo Sporting, do qual foi despedido, de forma polémica, por Bruno de Carvalho. Esteve no Hull, no Watford e saltou para o Everton onde fez uma época sólida em 2018/19, com o oitavo lugar na Premier League. A aventura nos toffees ficou interrompida na época seguinte, esperou mais de um ano pelo projeto certo e rumou a Londres para recolocar o Fulham na Premier League. Foi campeão do Championship até. Em 10.º, 13.º e duas vezes 11.º nos quatro anos de principal escalão no Fulham, Marco Silva projetou objetivos mensais de pontos, tentou motivar o plantel para sonhar com um pouco mais do que a manutenção. Andou sempre confortável, mas faltou o investimento para um passo maior de ambição, de chegar às provas europeias. E durante esses nove anos de Inglaterra as pessoas que o acompanham retratam um treinador que percebeu que teria de contornar a pressão alta da Premier com um jogo mais direto e que passou a focar no discurso a intensidade e a importância de cada duelo. Continua, dizem ao DN, convicto de que a sua equipa tem de mandar no jogo, construir a partir do guarda-redes, mas também de gerir os ritmos e ser equilibrada a todo o momento. A principal adaptação teve, sim, encontro na necessidade de saber contornar o pressing, ser mais pragmático e ter jogadores a saírem rápido em contragolpe. Esse ponto é especialmente relevante quando o Benfica defrontar rivais diretos ou adversários, na Europa, à partida mais pressionantes.Feita a radiografia ao estilo de jogo de posse de Marco Silva, é inequívoco que o discurso tenderá a ser diferente do adotado em Inglaterra. A principal motivação do regresso a Portugal é conquistar títulos, algo que no Fulham foi ficando claro que, sem reforços, seria complicado. Gorada a hipótese Chelsea - Xabi Alonso foi o escolhido -, Marco Silva assumirá as metas de procurar a vitória a cada jogo e quererá avaliar em treino a larga maioria dos jogadores que pertencem aos quadros do Benfica. Tem-se marcado pela discrição nas intervenções à Imprensa e, pelo que foi possível saber, falar de transferências é algo que evita com regularidade.Posições a precisar de retoqueO plantel do Benfica tem, nesta fase, de suprir a saída de Otamendi do eixo defensivo. A entrada de um central é imperativa, mas até podem ser dois reforços para o setor. Um deles, pelo menos, de acordo com o novo treinador, terá de ser canhoto. Na esquerda, Dahl está sem a devida retaguarda e um lateral canhoto está também na lista de cogitações. O reforço com um médio-centro dentro da ideia do treinador dependerá da colocação de outros ativos. Certo é que a vontade é ter um centrocampista polivalente, agressivo na recuperação de bola e capaz de gerir os ritmos no passe. Sudakov, que perdeu espaço durante a época com Mourinho, terá oportunidade para se mostrar. No ataque e para as posições de extremo uma incursão ao mercado depende de alguma venda que possa também acontecer nesses setores.Mário Branco é diretor conhecido, treinador de guarda-redes volta a PortugalMário Silva está a começar a ter contacto com os dossiês e uma das pessoas com quem fala proximamente é Mário Branco, diretor geral para o futebol e que o acompanhou no Estoril, quando os canarinhos foram quintos na I Liga. A política de contratações, a personalidade dos próprios jogadores do plantel e a experiência da época passada nos encarnados serão temas para atacar da melhor forma a próxima temporada. Marco Silva terá ainda o reforço Fernando Ferreira, treinador de guarda-redes. O técnico esteve no Benfica, mas mudou-se para Londres, para o Fulham, a pedido de Silva. Agora, mantém-se com o técnico lisboeta, é responsável pelo treino dos guardiões, volta a trabalhar com Trubin, mas também tem experiência na formação encarnada para avaliar possíveis subidas de elementos da equipa secundária..Mourinho regressa ao Real Madrid após vitória de Florentino Pérez.É oficial. Marco Silva deixa o Fulham e está livre para ser o próximo treinador do Benfica.Fulham de Marco Silva acaba com série de 26 jogos sem perder do Liverpool.Fulham anuncia renovação com Marco Silva até junho de 2026