O chef Nelson Grilo, da equipa de Tony Martins, serve as entradas
O chef Nelson Grilo, da equipa de Tony Martins, serve as entradasGerardo Santos

Vêm aí experiências gastronómicas suspensas a 50 metros de altura

Lisboa, Aveiro, Porto e Algarve vão acolher o Sky Lounge, plataforma elevada através de um sistema de gruas, onde os chefs Chakall, Tony Martins, Ricardo Costa e Noélia Jerónimo servem menus de degustação. Só recomendado para quem não tem vertigens.
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“Não tentem sair do vosso lugar”, diz o responsável pela segurança quando a enorme plataforma onde decorrerão as experiências gastronómicas que vão acontecer em Lisboa, Porto, Aveiro e Algarve começa a subir. Um alerta em tom de brincadeira, já que sair daquela cadeira seria missão impossível. Aliás, a segurança, dizem-nos, está garantida nesta aventura que consiste em usufruir de uma refeição confecionado por um chef de renome estando suspenso a 50 metros de altura.

As Chefs Sky Sessions só acontecerão a partir do fim de maio, mas um grupo de jornalistas foi na quinta-feira, 26 de março, experimentar a sensação de subir aos céus de Lisboa e degustar o menu preparado pela equipa do chef Tony Martins, um dos quatro que irão fazer parceria com o Sky Lounge nesta iniciativa. Para compreender a sensação, pode dizer-se que será semelhante a estar numa cabine aberta de uma roda gigante, mas esta ter uma rotação suave ao sabor do vento. Claro que quem sofre de vertigens poderá achar essa sensação desagradável... mas se não for o caso não há razão para receios: cada um dos convivas está seguro por dois sistemas de retenção, ao nível dos ombros e da barriga.

Cada um dos convivas está seguro por dois sistemas de retenção, ao nível dos ombros e da barriga
Cada um dos convivas está seguro por dois sistemas de retenção, ao nível dos ombros e da barrigaGerardo Santos

A plataforma, que em Lisboa está montada no Terreiro das Missas, junto à Estação fluvial de Belém, é elevada por uma estrutura de gruas. Acomoda 22 pessoas sentadas ao redor de um balcão e, no centro, presos por arneses, posicionam-se um chef de cozinha e dois ajudantes, e o chefe de segurança, havendo ainda capacidade para outra pessoa, um fotógrafo, por exemplo, para registar os melhores momentos da refeição.

Depois de todos sentados, a plataforma é elevada por uma grua
Depois de todos sentados, a plataforma é elevada por uma gruaGerardo Santos

A subida acontece de forma suave e demora cerca de um minuto. O chefe de segurança aproveita para fazer as recomendações: não interferir com os cintos de segurança, não fumar e tentar manter os objetos seguros para que não caiam ao chão, apesar de, lá em baixo, existir um cone de segurança para que ninguém se intrometa em zona de risco. Chegados lá acima, o ambiente é animado, mais não seja porque esta é uma experiência diferente. Os assentos rodam 180 graus e observam-se o rio, a ponte, o CCB, o Padrão dos Descobrimentos, o Palácio de Belém... e alguns rostos mais apreensivos, enquanto a equipa do chef começa a dispôr talheres e copos em frente dos clientes.

Cachorro de camarão e coleslaw com maionese de camarão e camarão em picle servido como entrada
Cachorro de camarão e coleslaw com maionese de camarão e camarão em picle servido como entradaGerardo Santos

O vento revela-se um problema para manter os guardanapos e os cabelos no lugar. Mas a plataforma mantém-se estável, rodando ligeiramente e permitindo observar melhor todos os ângulos da paisagem. Mas, para a experiência não se tornar desagradável, a plataforma desce uns metros para fugir à ventania. Frio não há, graças ao sol e aos aquecedores distribuídos pela cobertura. E ouve-se um fado pela voz de Flávia Pereira, acompanhada à guitarra portuguesa por Miguel Conchinha e à viola de fado por Diogo de Castro, trio que foi responsável por alguns momentos musicais da experiência.

A refeição foi acompanhada por fado ao vivo
A refeição foi acompanhada por fado ao vivoGerardo Santos

Enquanto isso, já o chef Nelson Grilo, da equipa de Tony Martins, serviu a entrada: um cachorro de camarão e coleslaw com maionese de camarão e camarão em picle. Degusta-se num instante ao mesmo tempo que o chef e um dos ajudantes se veem aflitos para colocar a salada nos tacos de pernil com molho barbecue de marmelada, devido à força do vento. Mas a plataforma continua estável, a rodar muito lentamente nas alturas. A finalizar, para sobremesa, vem um sponge de lima com calda de coco, ananás marinado em lima, baunilha e açúcar, com espuma de coco e lasca de merengue com flor de sal e limão. O café será em terra e desce-se até ao solo num minuto.

Parte da vista que se tem lá de cima
Parte da vista que se tem lá de cimaGerardo Santos

A experiência, com três momentos e menos de uma hora de duração foi uma amostra daquilo que acontecerá quando esta estiver disponível ao público. Aí terá três horas de duração, incluindo os momentos anteriores e posteriores à subida, num espaço reservado. Além de Lisboa, em que nos dias 29, 30 e 31 de maio estará o chef Chakall aos comandos, as Chefs Sky Sessions acontecerão no Porto, em junho, com o chef Ricardo Costa, do The Yeatman, com duas estrelas Michelin; em Aveiro, em julho, com o chef Tony Martins, eleito Chef do Ano em 2020 e fundador do Vagos Sensation Gourmet; e no Algarve, provavelmente em Olhão, em agosto, com Noélia Jerónimo do restaurante com o seu nome em Cabanas de Tavira.

“Queremos marcar uma experiência pioneira, que combina gastronomia e espetáculo com uma vista privilegiada sobre algumas das cidades mais emblemáticas do país”, diz Francisco Mendonça, fundador e CEO do Sky Lounge, que assume que este é o relançamento de um produto já lançado há uns anos, possível devido às mudanças que o país viveu, nomeadamente ao nível do turismo. “Mais do que uma refeição, é uma experiência sensorial completa, que estará disponível em Portugal apenas nestas edições limitadas”, alerta.

Os menus serão surpresa e adaptados à região onde decorrem, e, por agora, sabe-se apenas o preço para as experiências de Lisboa: 145 euros para almoços e 175 euros para jantares (reservas no site do Sky Lounge). Curiosamente, o chef Chakall já participou numa iniciativa semelhante, há cerca de 20 anos, no âmbito de um festival no Parque da Bela Vista. Não se lembra do que cozinhou mas não esquece a “salada pelos ares” devido ao vento.

As experiência estão acessíveis a todos, desde que tenham mais de 1,50 metros.

Além dos eventos gastronómicos abertos ao público, o Sky Lounge - que representa um investimento na ordem dos 350 mil euros - estará disponível para empresas e organizadoras de eventos.

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