Lavagante, molho de manteiga e lima na Marisqueira Nunes Real.
Lavagante, molho de manteiga e lima na Marisqueira Nunes Real.SALVADOR COLACO

As novidades da Marisqueira Nunes Real e uma lagosta para ficar na memória

Três anos depois da mudança de casa, restaurante de Belém continua a definir o que é comer marisco em Lisboa, agora com novos pratos na carta assinada por João Araújo e Manuel Bóia.
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Desde a primeira trinca na lagosta à basca (ou bitoque de lagosta) servida na Nunes Real Marisqueira, em Belém, há algumas semanas, ficou claro que estávamos perante um daqueles pratos que marcam a memória por algum tempo.

Para quem passou anos - e continua - à procura do bitoque perfeito de Lisboa e arredores, é quase irónico que seja uma variação de um prato do cotidiano, ainda que luxuoso, a galgar posições numa lista na qual os protagonistas são bifes de carne de vaca. Mas convenhamos: não é fácil concorrer com a lagosta. Assim como não é fácil, hoje, para outras marisqueiras, concorrerem com a Nunes Real.

Clássica, sem nunca ter ficado parada no tempo, a casa atravessou décadas como sinónimo de qualidade e consistência. A mudança para o novo espaço, há três anos, não foi apenas uma troca de morada, mas também uma reafirmação de identidade.

Mais ampla, mais luminosa e pensada para diferentes momentos, a Nunes Real manteve intacto o que a fez chegar até aqui e reforçou o resto. Continua a ser um lugar, como dizem os próprios donos, onde se pode tanto fechar um negócio - como parecia ser o caso em algumas mesas vizinhas a da reportagem do DN no dia da nossa visita - como celebrar um aniversário ou simplesmente prolongar a conversa ao fim do dia.

Temos uma enorme diversidade de clientes e queremos que a Nunes Real Marisqueira seja o local ideal para todos os momentos, especiais ou do dia a dia: um almoço de negócios, um jantar com a família, um copo com um grupo de amigos depois de um dia de trabalho. Queremos ser uma segunda casa de quem nos visita e faz questão de voltar”, sublinham Miguel e Vanda Nunes, os proprietários.

A sensação de casa que querem proporcionar começa no produto. O respeito pelo mar, pela sazonalidade e pela sustentabilidade não é discurso de ocasião e a relação diária e próxima com produtores e fornecedores acaba por se traduzir numa regularidade rara num restaurante desta dimensão.

A carta da casa continua a acolher os pratos que fazem clientes regressar regularmente - do pan tomaca com presunto ibérico às amêijoas à Bulhão Pato, dos peixes inteiros ao quilo aos arrozes clássicos. Entre eles, a lagosta à basca, servida com batatas fritas em rodelas e ovo estrelado, mantém estatuto próprio. Intensa, densa, com um molho amanteigado e com resquícios de grelha, não é um prato para comer distraído e entrega tudo que promete.

Ao mesmo tempo, a casa percebe que tradição não significa imobilidade e, recentemente, deu alguma remodelada no menu. A celebração dos três anos no novo espaço coincidiu com a entrada do chef Manuel Bóia, em junho de 2025, e com o desenvolvimento de cinco novos pratos, agora integrados no menu.

O chef chega à equipa depois de mais de duas décadas de carreira, com passagens por restaurantes como a Bica do Sapato, o Grande Real Villa Itália, o 100 Maneiras e o Palácio Chiado. O desafio, diz, foi acrescentar sem desvirtuar. “Trazer algo de novo - juntei espargos ao lavagante, algo que ainda não tinha sido feito, por exemplo -, mas mantendo o que é incrivelmente bem feito há muitos anos nesta casa", diz.

Entre outros pratos, o chef trouxe ainda o ikizukuri, peixe cru marinado servido sobre a própria espinha, a salada de caranguejo real, o lavagante grelhado com manteiga e limão, o lavagante beurre blanc com caviar e um prato de carne de perfil outonal - tornedó com foie gras e cogumelos.

João Araújo, chef residente da Nunes Real Marisqueira há 19 anos, explica que a evolução acontece sem romper com a identidade da casa. “Mantendo o ADN da casa - o produto de grande qualidade -, é preciso evoluir e inovar a nível do empratamento, por exemplo. É o que acontece com o lavagante beurre blanc, que está a ser muito elogiado", sublinha.

As novidades convivem com naturalidade com uma carta extensa, onde convivem mariscadas generosas, peixes clássicos, pratos para partilhar e propostas improváveis como pregos de lavagante ou o próprio bitoque de lagosta.

Uma refeição na Nunes Real deixa essa sensação de continuidade bem afinada, com a a marisqueira sem tentar ser outra coisa que não é, da decoração à mesa. As novidades recentes surgem como complemento a uma carta extensa e reconhecível, pensadas tanto para quem já conhece a casa, quanto para quem chega pela primeira vez.

O restaurante fica situado na Rua Bartolomeu Dias 172E, em Belém. O restaurante abre diariamente, entre o meio-dia e às 23h.

nuno.tibirica@dn.pt

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