Urgências pediátricas do Hospital Garcia de Orta: "Se necessário, que se faça uma requisição civil"

Esta manhã, uma ação de protesto juntou mais de uma centena de pessoas à porta do Hospital Garcia de Orta. "Nem mais uma hora de urgência encerrada", "Em defesa do Serviço Nacional de Saúde" lia-se nos cartazes empunhados por pais e avós que responderam à chamada das Comissões de Utentes de Almada e Seixal.

Pelo terceiro fim de semana consecutivo, a urgência pediátrica do Hospital Garcia de Orta está encerrada, por falta de pediatras que assegurem o seu funcionamento. O hospital dispõe de 28 especialistas, destes apenas sete fazem urgência e destes apenas quatro asseguram a urgência noturna. O problema, que se arrasta desde abril, agravou-se no último mês, com o encerramento do serviço em duas noites e dois fins de semana consecutivos.

Uma situação que levou as comissões de utentes de Almada e Seixal, cujas populações são servidas por este hospital, a convocar um protesto, no sentido de manifestar a sua preocupação e indignação e de exigir por parte do governo e do conselho de administração do Garcia de Orta uma solução para o problema.

Elsa Dias, da comissão de utentes de Almada, lembrando que o hospital serve uma população de 350 mil pessoas, das quais 160 mil crianças, considera que a abertura de um centro de saúde em Almada e outro na Amora, ao fim de semana, entre as 10h e as 17h e o direcionamento para as urgências pediátricas dos Hospitais de Santa Maria e Estefânia, em Lisboa, no período noturno, não são solução.

"É como tentar estancar uma hemorragia com um penso rápido. As crianças não adoecem, sofrem acidentes a exigir atendimento urgente exclusivamente entre as 8h e as 20h e a deslocação para Lisboa, pelo tempo e o custo que implica, pode comprometer seriamente a prestação de cuidados", diz, lembrando que "o Hospital Garcia de Orta - cujas urgências pediátricas atendem cerca de 150 a 200 crianças por dia - constituiu há 30 anos um importante avanço na prestação de cuidados de saúde às populações da margem sul, designadamente na área materno-infantil, tendo mesmo sido considerado hospital amigos dos bebés. O que exigimos é que continue a ser um hospital amigo das crianças, prestando-lhes os cuidados a que têm direito".

"É como tentar estancar uma hemorragia com um penso rápido. As crianças não adoecem, sofrem acidentes a exigir atendimento urgente exclusivamente entre as 8h e as 20h"

"Nem mais uma hora de urgência encerrada" ou "Por um Serviço Nacional de Saúde de qualidade" foram as palavras de ordem exibidas em cartazes e gritadas a cada intervenção dos representantes das comissões de utentes e outros participantes no protesto.

José Lourenço, da comissão de utentes do Seixal, acusou o governo de manter uma política de destruição do Serviço Nacional de Saúde e questionou o recurso a privados ou a protocolos com a União das Misericórdias como solução paliativa para a situação que se vive no Garcia de Orta, afirmando que além do mais se mostrou ineficaz. "É mais fácil transferir verbas para os privados do que injetá-las no SNS para a melhoria das condições salariais dos seus profissionais e modernização dos seus equipamentos e serviços?", perguntou, afirmando depois que a mudança que é preciso operar para defender o SNS é estrutural e de paradigma. "Trata-se de investir nele e recolocá-lo no patamar de excelência. Não pode haver uma saúde para os que têm dinheiro e outra para os que não têm".

"Trata-se de investir nele e recolocá-lo no patamar de excelência. Não pode haver uma saúde para os que têm dinheiro e outra para os que não têm"

Entre os manifestantes, Paula Santos e Ana Mesquita, do PCP, marcaram presença, assim como Joana Mortágua, do BE. Joaquim Judas, vereador da Câmara Municipal de Almada, ex-presidente da autarquia, médico e avô, também se juntou ao protesto e apelou à população para não baixar os braços e manter a luta. "É preciso garantir que, para além de todos os argumentos de ordem técnica, se crie uma solução. Criam-se soluções de emergência para os incêndios, para as catástrofes, também tem que se criar soluções para uma situação como esta. Não podemos estar à espera. Há recursos que foram para o privado, se necessário for, faça-se uma requisição civil".

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG