Só menos de metade das crianças compareceram na reabertura do pré-escolar

A Fenprof diz que a afluência total andará à volta dos 35%. Mas, em grande parte dos estabelecimentos de pré-escolar, abertos a partir desta segunda-feira, o número de crianças presentes não chega a 20%, dizem diretores. Estatísticas que contrariam as expectativas.

Com regras apertadas para a utilização de cada espaço e com menos crianças do que aquelas que estão inscritas. Assim reabriram, esta segunda-feira, os estabelecimentos dedicados à educação pré-escolar, no mesmo dia em que arrancou a terceira fase do plano de desconfinamento. Ainda assim, a afluência das famílias aos jardins-de-infância acabou por ser menor do que se apontava nas previsões de professores e diretores.

Numa primeira ronda, a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) concluiu que "menos de metade" das crianças entre os 3 e os 6 anos marcaram presença esta manhã no pré-escolar. "A Fenprof [Federação Nacional de Professores] apontava para que apenas metade comparecesse, mas são menos de metade, muito menos", disse Filinto Lima, dirigente da ANDAEP, em declarações ao DN. "Não quero avançar números certos, mas grande parte está com menos de 20% das crianças", acrescenta.

Segundo indiciou a Fenprof ao DN, a afluência total neste primeiro dia andará à volta dos 35%. Ou seja, de um total de mais de 227 mil crianças inscritas no pré-escolar - de acordo com os mais recentes dados da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), relativos ao ano letivo 2017/2018 -, só cerca de 80 mil compareceu.

Um cenário que contraria as expectativas de pais e diretores, que acreditavam que a segurança sentida nas creches e nas escolas secundárias poderia levar mais encarregados de educação a confiar no arranque do pré-escolar.

Crianças podem já não voltar este ano

Filinto Lima não descarta a hipótese de a afluência vir a aumentar, com o decorrer dos dias, confiante de que "o feedback sobre as condições vai ser positivo", porque "estão reunidas todas as condições de segurança". Mas admite que, a três semanad do final do ano letivo, a 26 de junho, e com uma semana de feriados pelo meio, "os pais que não vierem agora podem já só vir trazer as crianças para o próximo ano".

Do lado das famílias, pais dividem-se e muitos continuam a mostrar-se receosos com a reabertura das instituições, admitindo os representantes dos encarregados de educação que as famílias que puderem continuar a trabalhar a partir de casa vão optar por manter os filhos também em casa. Apesar de o teletrabalho já não ser obrigatório a partir desta segunda-feira, o apoio aos trabalhadores com filhos ou outros dependentes a cargo menores de 12 anos continua até ao final do presente ano letivo.

Em declarações ao jornalistas, esta manhã, à porta de uma escola com pré-escolar, em Almada, o ministro da Educação lembrou que a fraca afluência de pode dever também às "muitas famílias" que "estão na sua segunda habitação" e, por isso, "longe". Tiago Brandão Rodrigues garante que estão a ser asseguradas "as medidas para mitigar o impacto, mas é preciso criar a confiança".

Mas nem todos estão de acordo. A Fenprof voltou esta segunda-feira a criticar a tutela por ter decidido não generalizar a realização de testes à covid-19 a educadores e funcionários e por não ter procedido à contratação de mais pessoal docente e não docente.

Mais creches abertas

Também nas creches se espera, a partir deste dia, um aumento no número de crianças, uma vez que termina o período de transição em que as instituições estiveram abertas, mas as famílias puderam optar por ficar com os filhos em casa, mantendo o apoio financeiro do Estado. Cerca de 70% das creches reabriram no dia 18 de maio, de acordo com a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. No entanto, a perceção dos educadores dita que a afluência de crianças nestes estabelecimentos foi muito pouco significativa.

Com o regresso do pré-escolar voltam também a funcionar as respetivas atividades de apoio à família e de ocupação de tempos livres que, para os outros níveis de ensino, só serão retomadas após o final do ano letivo, em 26 de junho.

Para esta segunda-feira, estava também prevista a reabertura das Atividades de Tempos Livres (ATL) não integradas em estabelecimentos escolares, adiada para 15 de junho por decisão do Governo, que justificou a nova data com a necessidade de preparar a organização dos espaços onde se desenvolvem estas atividades.

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