"Sim ao Sado. Não às dragagens". Ambientalistas marcam nova manifestação em Setúbal

As escavações no Sado estão paradas até outubro, altura em que deverá começar a segunda fase do projeto de requalificação do Porto de Setúbal.

As associações ambientalistas Zero, Clube da Arrábida, SOS Sado e Ocena Alive marcaram uma nova manifestação contra as dragagens no rio Sado para 28 de setembro às 15:30 na doca dos pescadores de Setúbal. O objetivo é evitar o recomeço das escavações no fundo do rio já em outubro.

Em causa está a requalificação do Porto de Setúbal, iniciada a 1 de outubro do ano passado, promovida pela administração do próprio porto e pelo Governo. O investimento de 25 milhões de euros tem como objetivo alargar o canal marítimo de acesso ao porto, permitindo assim a passagem de embarcações de maior calado e se necessário mais do que uma em simultâneo. É a transformação de um porto de recreio numa autoestrada marítima para navios que transportam contentores.

"Durante este ano, o assunto das dragagens tornou-se um tema com uma magnitude maior que apenas Setúbal. Houve uma série de ações judiciais contra as dragagens pelo Clube da Arrábida, pela SOS Sado, pelo grupo Pestana, algumas não tiveram sucesso foram indeferidas. Houve um envolvimento dos grupos parlamentares ", explica ao DN Pedro Viera, presidente do Clube da Arrábida.

Segundo a Declaração de Impacte Ambiental do projeto, as dragagens retirarão ao Sado quase 6,5 milhões de metros cúbicos de areia, em duas fases. Um volume que levanta duvidas ambientais; o próprio parecer da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), realizado no ano passado, revela que viabiliza o processo "Melhoria da Acessibilidade Marítima ao Porto de Setúbal" pela sua rentabilidade económica, mas admitindo riscos ambientais elevados.

Podem estar em causa as espécies marítimas do Sado, como os golfinhos avistados naquela zona, uma diminuição da quantidade de areia nas praias da Arrábida, com impacto negativo também para quem tem profissões ligadas ao rio.

Neste momento, as dragagens estão paradas, uma vez que o estudo de Impacte Ambiental, realizado pela APA, só permite que estas sejam feitas entre outubro e maio. Recomeçarão no próximo mês caso a reavaliação da APA o admita.

Para tentar travar as novas dragagens, o Clube Arrábida colocou uma nova providência cautelar, aceite pelo Tribunal Administrativo Central, que obriga o Tribunal de Almada a reapreciar a decisão de deixar prosseguir as escavações.

O protesto agendado para o final deste mês, sob o mote "Sim ao Sado. Não às dragagens", acontece passado um ano da última manifestação.

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