Pais exigem obras urgentes em escola onde recreio é "na lama"

Escola Básica do 1.º ciclo do Afonsoeiro, no Montijo, fica com os pátios de areia e gravilha inundados quando chove com mais intensidade. Pais exigem obras já este ano. Autarquia promete intervenção mas não confirma datas

Na descrição oficial, na página do agrupamento de escolas Joaquim Serra, do Montijo, a Escola Básica do 1.º ciclo do Afonsoeiro, é descrita como um equipamento com oito salas de aula, que "dispõe de refeitório escolar, sala polivalente, espaço de recreio coberto e descoberto e campos de jogos exterior [sic]". Mas os relatos e as imagens partilhadas por vários dos pais dos 200 alunos deste estabelecimento fazem uma caracterização bastante diferente.

"É uma escola com condições desumanas para crianças, onde as temperaturas nas salas já chegaram aos 30 graus no Verão, com piso de gravilha e areia nos pátios, extremamente perigosa, e que tem um pequeno escorrega e não um parque infantil", conta ao DN Carlos Araújo, pai de uma aluna, que também diz "desconhecer" o recreio coberto a que é feita referência na página oficial. "O que eles têm, antes de se chegar ao chamado 'campo [de jogos], um campo de cimento pintado de vermelho, é uma espécie de marquise, que é uma zona muito limitada, onde todos os alunos ficam a aguardar para entrar. Não têm nenhuma zona de recreio coberta", garante, acrescentando que "entre o edifício da escola e o refeitório não há cobertura nenhuma", o que implica que quando chove os alunos têm de fazer esse percurso sem proteção.

"Não queremos que os nossos filhos passem mais um ano nisto"

Em maio, um grupo de pais fez chegar à Câmara Municipal do Montijo imagens onde é possível ver o pátio completamente alagado depois de uma chuvada, a zona exterior de terra com um aspeto enlameado, o escorrega com o piso todo levantado e ainda imagens do braço de uma das "quatro crianças" que, segundo Carlos Araújo, sofreram ferimentos na gravilha no passado recente.

Segundo este encarregado de educação, a vice-presidente do município Clara Silva (PS), que tem o pelouro da educação, terá remetido a solução do problema para "um projeto" já existente mas "sem a menor das hipóteses [de arrancar] antes de 2019/20". Um cenário que este pai considera inaceitável. "Há outras intervenções que estão a ser feitas, há neste exato momento planos de obras em vários escolas deste agrupamento e do concelho, algumas requalificadas recentemente", diz, acrescentando: "Não queremos que os nossos filhos passem mais um ano nisto. As crianças vão continuar a andar na lama. A correr o risco de ferimentos".

Carlos Araújo receia que o "histórico negativo do bairro" e a sua população, onde se incluem "muitas pessoas de etnia cigana, muitos brasileiros, africanos", esteja a contribuir para a "discriminação" da escola face a outros estabelecimentos do concelho e do agrupamento. " É uma escola que do ponto de vista político claramente não tem interesse", considera. "Está num sítio que não é visível, numa região escondida fisicamente".

O DN ligou várias vezes para o número geral da escola sede de agrupamento. Na única ocasião em que a chamada foi atendida, nesta quinta-feira à tarde, recebeu a informação de que, devido à realização de várias reuniões, não havia nenhum elemento da direção disponível para falar.

Contactado o gabinete da vice-presidente da Câmara, Clara Silva, este reiterou que a escola "irá ser sujeita a uma intervenção de requalificação" , abrangendo diferentes vertentes. Desde a "Requalificação de espaços comuns", nomeadamente "sala polivalente, refeitório e cozinha", "instalações sanitárias", "polidesportivo e parque infantil", ao desenvolvimento de "novas funcionalidades", como "recreios cobertos", e de "novos espaços", como "três salas de atividades para o jardim de Infância" e uma "biblioteca". Contudo, a autarquia não especificou qualquer prazo para o início da intervenção, nem esclareceu se poderá ser dada urgência à mesma.

Notícia atualizada a 20 de outubro com a resposta da Câmara do Montijo

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