Fenprof denuncia pagamentos em atraso nos cursos profissionais

Organização sindical acusa governo de fazer "publicidade enganosa" no roteiro do Ensino profissional, iniciado hoje, denunciando falhas nos pagamentos a secundárias e nos apoios dos alunos

O governo lançou nesta segunda-feira, através da Agência nacional para a Qualificação e Ensino Profissional (ANQEP), um "roteiro do ensino profissional" que irá abranger 40 escolas de 18 distritos do país. Mas a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) já reagiu à iniciativa questionando se esta não será antes "um roteiro de ilusões ou publicidade enganosa", face aos atrasos nos pagamentos a escolas públicas e alunos abrangidos por estas ofertas de qualificação.

"É bom lembrar que, como a Fenprof já denunciou diversas vezes, a forma de financiamento que vigora [fortemente dependente de fundos comunitários] está na origem de as escolas públicas com cursos profissionais ainda não terem recebido para financiar, este ano letivo, os cursos de 10.º e 11.º anos. isto, apesar de o 2.º período letivo já se ter iniciado há um mês", denuncia em comunicado a organização sindical, acrescentando que também existem nas escolas públicas "alunos que não recebem há um ano, como têm direito, o subsídio de transporte e material".

O roteiro do ensino profissional tem como objetivo esclarecer os estudantes, em particular aqueles que estão a terminar o 3.º ciclo, sobre o que é o ensino profissional, que cursos existem e que possibilidades de estudo ou trabalho permitem após a sua conclusão, estando ainda previsto o lançamento de um concurso, dirigido a alunos do 3.º ciclo, intitulado: "Há mais mundo no ensino profissional - profissões da primeira circum-navegação".

No entanto, a Fenprof defende que, "neste seu roteiro, antes de tentar convencer os jovens, o governo deveria esclarecer o país sobre a forma como irá resolver estes gravíssimos problemas que desvalorizam o ensino profissional em Portugal e estão na origem de muitos dos estigmas que sobre si recaem".

O DN contactou o Ministério da Educação, estando a aguardar resposta do gabinete do ministro Tiago Brandão Rodrigues

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