Criam pranchas de surf com milhares de beatas e querem o fim do lixo nos oceanos

The Cigarette Surfboard é um projeto de dois americanos que viajam à procura de soluções para o lixo nos oceanos, organizam campanhas de sensibilização, criam pranchas com milhares de beatas e desafiam surfistas a experimentá-las. Jack Johnson foi a mais recente estrela mundial a querer fazer parte do movimento.

Taylor Lane é designer industrial, Ben Judkins é o camera man. Os dois estão a criar um filme de surf que alerte para os problemas ambientais por cada beata que é atirada para o chão ou que acabe nos oceanos e de que forma se pode mudar a mentalidade do uso do plástico. E estão lançados, depois de uma campanha de crowdfundinge de muitas voltas pelo mundo a espalhar uma mensagem, a ouvir especialistas, ambientalistas, mas também em busca de ondas.

Tudo começou quando Taylor participou numa competição internacional, na qual o desafio anual são criarem-se soluções «amigas do ambiente» para pranchas de surf, utilizando lixo como parte dos materiais. Taylor apresentou uma tábua com mais de 10 mil beatas apanhadas na costa da Califórnia. E ganhou. Foi em 2017 e a partir dessa altura focou-se em aperfeiçoar o shape de mais pranchas, recorrendo a profissionais com melhores técnicas.

Jack Johnson, músico, ativista ambiental e surfista profissional, conheceu a dupla num evento em San Diego, nos EUA, em 2018. Quando soube que iriam fazer mais pranchas, não hesitou convidá-los para irem ao Havai - a «sua terra». Um ano depois, a viagem concretizou-se e Jack pôde fazer-se às ondas com milhares de beatas. «Atirar um cigarro para o chão era um gesto quase elegante, como víamos nos filmes a preto e branco. Felizmente, agora é o oposto», conta Jack Johnson num vídeo de divulgação feito pela dupla. «Nas primeiras ondas precisei de me habituar, como em qualquer prancha boa. É sempre preciso adaptação».

O ativista ambiental acredita que é um desafio fazer parte de um problema e encará-lo de forma divertida, usando soluções para combatê-lo. "Recebemos tanto do oceano que em determinada altura só queremos retribuir e dar-lhe alguma coisa de bom. E esta é a altura certa para o fazer."

Para a dupla, Taylor e Ben, a poluição do plástico é um problema mundial, sem fronteiras, e é isso que querem mostrar com o filme: "de que forma podemos agir, que soluções existem e o impacto que isso poderá ter no presente e futuro", explicam numa entrevista à revista de surf Carve Magazine .

Taylor e Ben sentem a responsabilidade de ser ativos, de contribuir para um planeta melhor e de espalhar uma mensagem. "Precisamos de encontrar um equilíbrio no mundo entre o que damos e os recursos que retiramos. E é aí que os surfistas têm um papel importante, como líderes que podem chamar a atenção. Damos de caras com plástico dentro de água, seja em que parte do mundo estivermos."

Os dois reconhecem que o impacto deles tem pouca expressão - para já -, mas acreditam que é com as pequenas comunidades que o trabalho deve ser feito e, aos poucos, vamos atingindo mais pessoas, mudando mentalidades e hábitos. "Precisamos de começar por algum lado. Primeiro limpamos o quarto e depois a casa toda".

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