Alunos de classes mais elevadas dominam cursos com notas mais altas

Estudantes de famílias mais pobres optam por institutos politécnicos, enquanto os mais favorecidos vão para as universidades.

As universidades portuguesas reproduzem as desigualdades sociais e económicas das famílias. Os alunos de famílias com mais recursos económicos e cujos pais têm mais habilitações académicas entram em cursos com mais prestígio e notas mais elevadas, enquanto os estudantes vindos de famílias com dificuldades económicas e cujos pais têm menos formação optam por cursos com cotas mais baixas e cursos técnicos. Estas são as principais conclusões do estudo A Equidade no Acesso ao Ensino Superior, realizado pelo Edulog, think tank da Fundação Belmiro de Azevedo, que será apresentado esta quarta-feira em Matosinhos.

As qualificações dos pais e das mães dos estudantes e a percentagem de alunos que recebem bolsas de ação social foram os dois indicadores usados neste estudo com coordenação científica de Alberto Amaral.

De acordo com o Público e com o Jornal de Notícias, as conclusões são muito claras: os estudantes oriundos de famílias com níveis de escolaridade mais altos vão sobretudo para as universidades e não para os institutos politécnicos, e optam por cursos com mais prestígio (como medicina e engenharias).

Repare-se: 73,2% dos alunos de Medicina (em universidades) são filhos de pais com Ensino Superior, ao passo que 73% dos estudantes de Enfermagem e Tecnologias da Saúde (em politécnicos) são filhos de pais com qualificações inferiores.

Medicina é também dos cursos com menor número de bolseiros (na Universidade Nova não chegam aos 8% e no Porto rondam os 11%). No entanto esta situação altera-se nos cursos de Medicina em universidades no interior do país, onde o número de bolseiros é substancialmente maior.

Noutras áreas - como as ciências jurídicas, farmácia e engenharias - os alunos universitários igualmente origens socioeconómicas mais privilegiadas. Globalmente: 28,1% dos alunos que frequentam as universidades têm bolsas, enquanto nos politécnicos essa percentagem sobre para 37,4%.

"Esperava-se que com a expansão dos sistemas educativos fosse possível reduzir asa desigualdades de acesso dos estudantes provenientes de diferentes níveis socioeconómicos. Porém, isso não se verificou", conclui Alberto Amaral. Isso acontece porque "os estudantes mais favorecidos socioeconomicamente estão melhor colocados do que os outros para tirar proveito das novas vantagens oferecidas pela expansão" - isto é, "usam as suas vantagens para obterem melhores resultados, quer quantitativamente quer qualitativamente".

em 2016 o Ministério da Educação tinha feito um levantamento centrado nos alunos 3º ciclo nas escolas públicas e tinha chegado à conclusão que entre os estudantes cujas mães têm a quarta classe ou menos, apenas 19% têm percursos escolares de sucesso; quando as mães têm habilitações ao nível da licenciatura ou bacharelato, a realidade é quase oposta: 71% de sucesso.

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