Virologista apela ao bom-senso nas iniciativas na campanha eleitoral

Muitas vezes estão a ser infringidas recomendações da Direção Geral da Saúde "sem haver nenhum reparo", observou o virologista Celso Cunha.

O virologista Celso Cunha apelou esta terça-feira ao bom-senso nas iniciativas na campanha eleitoral para as eleições legislativas, alertando que ajuntamentos em espaços fechados e em arruadas são "acontecimentos suscetíveis" de aumentar a propagação do vírus SARS-CoV-2.

"O bom senso é uma coisa que tem andado desde o início um bocadinho alheado e também desde o início que temos visto que há muito barulho de fundo político à volta desta pandemia", disse à agência Lusa o investigador do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IMHT).

Celso Cunha salientou que há recomendações da Direção-Geral da (Saúde) que estão a ser observada na campanha eleitoral "de modo diferente, por diferentes partidos, em diferentes circunstâncias".

Muitas vezes estão a ser infringidas recomendações da Direção Geral da Saúde "sem haver nenhum reparo", observou, advertido que os ajuntamentos, sobretudo, em espaços fechados e nas arruadas, sem manter a distância necessária, "são acontecimentos suscetíveis de promover um grande número de contágios e de aumentar a propagação do vírus".

O investigador concorda que estas situações passam mensagens contraditórias à população.

"As pessoas pensam 'durante a campanha posso andar assim, mas depois no dia a dia não podemos' e eu percebo isso", disse.

"Daí que talvez fosse bom que todos [os partidos] tivessem tido bom senso. Há uns que têm mais, outros que têm menos, mas aquilo a que temos assistido não é muito pedagógico", lamentou.

Nas declarações à agência Lusa, Celso Cunha destacou ainda a importância da vacinação, apelando aos pais para vacinarem os filhos, não havendo contraindicação médica.

"Há muitos surtos nas escolas, o que tem implicações. Há turmas que estão isoladas, há professores e alunos que sem querer vão contagiar pessoas mais velhas" que são mais vulneráveis ao vírus SARS-CoV-2.

O investigador elucidou que, provavelmente, muitas das pessoas que morreram com esta 5.ª vaga de covid-19 não teriam morrido se estivessem vacinadas contra a covid-19.

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