As Unidades Locais de Saúde (ULS) gastaram 468 milhões de euros em trabalho suplementar em 2025, um aumento de 11,4% em relação ao ano anterior, correspondendo a um total de quase 20 milhões de horas.Os dados constam do relatório do Conselho das Finanças Pública (CFP) sobre o desempenho do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 2025, que foi apresentado esta segunda-feira, 29 de julho, em Lisboa. Uma das conclusões é que o recurso ao trabalho suplementar se manteve elevado, refletindo as “dificuldades persistentes na resposta às necessidades assistenciais e a pressão sobre os recursos humanos”.De acordo com o documento, as entidades que integram o SNS registaram 19,8 milhões de horas de trabalho suplementar, um acréscimo de 2,8% face a 2024. Os encargos a aumentaram 11,4% para os 468 milhões de euros em 2025.Os médicos concentraram 36% do total das horas suplementares realizadas, correspondendo a 7,1 milhões de horas. Os enfermeiros representaram 31,5%, com 6,2 milhões de horas.As ULS de Coimbra, Santa Maria e São José destacaram-se como as entidades com maior recurso a trabalho suplementar, registando 1,7 milhões, 1,4 milhões e 1,2 milhões de horas, respetivamente. Os encargos conjuntos foram de aproximadamente 92 milhões de euros, correspondendo a cerca de 20% da despesa total do SNS com este tipo de trabalho.O CFP refere que este volume se deve, em parte, ao elevado grau de diferenciação destas ULS, que asseguram um amplo conjunto de valências clínicas e funcionam como centros de referência nacional. Prestam ainda cuidados a doentes provenientes de várias regiões do país.Serviços médicosEm relação à contratação de serviços médicos, o documento adianta que continuou a assumir um “peso relevante em 2025”, evidenciando a persistência de “constrangimentos na capacidade de resposta do SNS com recursos próprios”. “Em 2025, foram contratadas 6,6 milhões de horas, um aumento de 6% face ao ano anterior, correspondendo a uma despesa de 265 milhões de euros (mais 37 milhões face a 2024)”, alerta o CFP, adiantando que as ULS do Algarve, do Médio Tejo e do Oeste destacaram-se com maior volume de horas contratadas e concentrando 18,4% do total.O Governo aprovou recentemente um novo regime para regular a contração dos chamados médicos tarefeiros, que prevê várias incompatibilidades e que o Ministério da Saúde considera “ser um incentivo” à disponibilidade dos médicos do SNS para manter os serviços de urgência funcionar.O CFP salienta ainda que o absentismo se manteve elevado em 2025 e continua a representar um “desafio relevante” para a gestão dos recursos humanos e para a capacidade de resposta do SNS. “A taxa média de absentismo nas entidades do SNS situou-se em 9,5%, mantendo-se em linha com o valor observado no ano anterior”, adianta o documento, que refere que as taxas mais elevadas observaram-se entre os médicos internos (13,4%), os técnicos auxiliares de saúde (11,7%) e os assistentes operacionais (11,5%).Aumento de utentes na lista para cirurgiasQuanto à atividade cirúrgica, os dados hoje divulgados indicam ainda que o número de entradas em Lista de Inscritos para Cirurgia (LIC) aumentou para 890 mil utentes, face a 873 mil em 2024, enquanto o número de doentes em espera foi de 274 mil. É o valor mais elevado da série analisada pelo CFP.O total de doentes operados no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC) aumentou de 733 mil para 744 mil, refletindo a "manutenção de elevados níveis de produção cirúrgica", indica o documento. “Estes resultados sugerem que, apesar do reforço da atividade cirúrgica, o crescimento da procura continua a superar a capacidade de resposta do sistema, traduzindo-se num aumento da lista de espera e em dificuldades persistentes no cumprimento dos tempos de resposta estabelecidos”, avisa entidade independente que presidida por Nazaré da Costa Cabral..Serviço Nacional de Saúde pagou 249 milhões de euros a médicos tarefeiros .Hospitais superaram atividade pré-pandemia em 2024: 24 milhões de consultas, 1,2 milhões de internamentos e 1,3 milhões de cirurgias .SNS com défice de 1.035 milhões de euros em 2025