O Tribunal Central Criminal de Lisboa decidiu esta sexta-feira, 13 de março, manter a pena de 25 anos de prisão ao homem que confessou ter matado, em 2023, duas mulheres no Centro Ismaili, em Lisboa, recusando considerá-lo inimputável.Para o coletivo responsável pelo julgamento, “a factualidade mantém-se integralmente” e, apesar de Abdul Bashir ter sido diagnosticado, nas perícias feitas durante o julgamento, de esquizofrenia e de perturbação de personalidade mista, “a verdade é que, no momento da prática dos factos, não se provou que estivesse sob efeito” de doença.Abdul Bashir já tinha sido condenado a 2 de junho de 2025 à pena máxima de 25 anos de prisão, mas, em fevereiro passado, o Supremo Tribunal de Justiça anulou o acórdão por não ter sido comunicado ao arguido que deixara de ser considerado inimputável, ordenando a repetição parcial do julgamento.Agora, o tribunal considerou que “a declaração de inimputabilidade é um juízo que cabe única e exclusivamente ao juiz”, explicando que Abdul Bashir terá de cumprir 25 anos de prisão, em estabelecimento prisional.Antes da decisão do coletivo, as partes fizeram as respetivas alegações, com o Ministério Público e a defesa de Abdul Bashir a manterem o entendimento de que o homem deveria ser considerado inimputável com aplicação de uma medida de segurança. .Supremo Tribunal de Justiça manda repetir julgamento do duplo homicídio no Centro Ismaili. Em 14 de março, nas alegações finais do julgamento, o Ministério Público mantivera o entendimento expresso na acusação de que, por estar sob efeito de anomalia psíquica grave e perturbações de personalidade, o cidadão afegão não tinha consciência dos seus atos e pedira a sua condenação a uma pena de internamento por um mínimo de três anos.O caso remonta a 28 de março de 2023, quando o cidadão afegão matou duas mulheres, de 24 e 49 anos, que trabalhavam no serviço de apoio aos refugiados do Centro Ismaili e tentou atacar outros frequentadores do espaço da comunidade ismaelita.No julgamento, iniciado em dezembro de 2024, o arguido argumentou que agiu em legítima defesa.Abdul Bashir foi acusado de 11 crimes: dois de homicídio agravado, seis de tentativa de homicídio agravado, dois de resistência e coação sobre funcionário e um de detenção de arma proibida.O arguido, detido no próprio dia do ataque no Centro Ismaili, aguardava desde junho passado o desenrolar do processo em prisão preventiva, depois de ter estado internado preventivamente..Duplo homicídio no Centro Ismaili. Como o tribunal quebrou o MP que era contra condenar Abdul Bashir à cadeia