Trabalho esteve na origem de 95,7% das novas autorizações de residência em Portugal em 2025
O trabalho esteve na origem de 95,7% das novas concessões de autorização de residência em Portugal em 2025. O dado consta no Relatório de Migrações e Asilo 2025, divulgado pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) esta manhã, 22 de setembro.
Ao todo, foram concedidos 337.880 títulos de residência durante o ano, um aumento de 55% em relação a 2024. A AIMA destaca que o número reflete, em grande medida, a recuperação de processos que estavam pendentes há vários anos. Ou seja: não corresponde diretamente ao número de pessoas que entraram em Portugal em 2025. Em muitos casos eram imigrantes que há anos esperavam o documento.
Entre as novas concessões, a população em idade potencialmente ativa representou 92,9%, com destaque para a faixa entre os 18 e os 34 anos, que reuniu 177.906 novos títulos de residência. Os jovens entre 0 e 17 anos representaram 5,5% das concessões, enquanto as pessoas com 65 anos ou mais corresponderam a 1,6%.
O peso do trabalho aparece também na população estrangeira que já reside no país. Em 2025, a AIMA registava 482.818 cidadãos com autorizações de residência emitidas especificamente para o exercício de atividade profissional. Desse total, 402.314 estavam em atividade profissional subordinada, 64.375 em atividade profissional independente e 10.723 em atividade altamente qualificada.
Entre as novas concessões de 2025, os brasileiros aparecem com ampla vantagem entre as nacionalidades. Foram 115.709 títulos concedidos a cidadãos brasileiros, seguidos por indianos (25.694), nepaleses (17.689), bengalis (17.499) e paquistaneses (15.656).
Reagrupamentos
Em 2025, Portugal concedeu 17.359 autorizações de residência por reagrupamento familiar. O número representa 5,1% das 337.880 novas autorizações de residência concedidas no país durante o ano.
O relatório distingue estas concessões dos processos que permaneciam em tramitação: no final de 2025, havia ainda 24.476 cidadãos associados a processos de reagrupamento familiar já atendidos e em fase de conclusão, aguardando decisão.
O documento regista ainda, num recorte específico das autorizações de residência para investimento, 3.967 autorizações de residência por reagrupamento familiar emitidas ao abrigo do artigo 98.º da Lei n.º 23/2007. A estas somam 2.685 autorizações de residência para investimento concedidas em 2025.
Número total
Em 31 de dezembro de 2025, Portugal tinha 1.585.854 cidadãos estrangeiros residentes, segundo a AIMA. O número resulta de uma revisão e atualização da base estatística da Agência, que prosseguiu em 2025 o trabalho de correção e validação iniciado no ano anterior.
A população estrangeira considerada pela AIMA não corresponde apenas às pessoas com título de residência válido: inclui também cidadãos com processos de regularização em curso e autorizações emitidas ao abrigo de instrumentos legais específicos.
Entre os residentes contabilizados estão, por exemplo, 66.740 beneficiários de proteção temporária, 50.695 pessoas com processos de manifestação de interesse já atendidos e aguardando decisão, 42.521 com autorizações CPLP caducadas já atendidas para renovação, 76.907 com títulos caducados que já tinham pago as taxas para atendimento e 24.476 cidadãos com processos de reagrupamento familiar já atendidos e ainda em fase de conclusão.
O relatório também destaca que a revisão estatística alterou a forma de contabilizar a população estrangeira. A agência passou a integrar na mesma estimativa não apenas os titulares de autorizações de residência válidas, mas também pessoas com processos de regularização em curso e autorizações emitidas ao abrigo de regimes legais específicos.
Em junho, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou a revisão oficial dos números. São 11,4 milhões de pessoas, dos quais quase 1,6 milhões são imigrantes, o equivalente a 14% do total da população residente. Em números mais exatos, são 1 597 539 pessoas.
amanda.lima@dn.pt

