Fotogaleria. Cerca de 500 pessoas manifestam-se em Lisboa por aumentos no setor público

A concentração teve início na Praça da Figueira, em Lisboa, e seguiu para o Ministério das Finanças.
Fotogaleria. Cerca de 500 pessoas manifestam-se em Lisboa por aumentos no setor público
Leonardo Negrão
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Cerca de 500 pessoas manifestaram-se esta, sexta-feira, em Lisboa por aumentos salariais na administração pública após a não resposta do Ministério das Finanças às reivindicações da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública.

A concentração teve início na Paraça da Figueira, em Lisboa, e seguiu para o Ministério das Finanças.

No protesto os manifestantes erguiam faixas com frases como "SNS para todos. Valorizar os trabalhadores, servir às populações" e " Melhores condições de trabalho, melhores condições de aprendizagem".

O coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana, responsabiliza o ministro da Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, pela situação sendo que “no dia 14 de janeiro a Frente Comum entregou ao Governo um pedido de negociação intercalar” e ainda não obteve resposta.

“Hoje é dia 13 de março e ainda não tivemos resposta a esse pedido de reunião, é por isso que hoje viemos para a rua, é por isso que vamos acabar esta manifestação em frente ao Ministério das Finanças”.

A Frente Comum mantém as mesmas reivindicações do ano passado e quer um aumento dos salários na ordem dos 15% com um mínimo de 150 euros, e considera que o Governo quer manter “a política de empobrecimento com os aumentos que fez”.

“O Governo esteve disposto a manter a política de empobrecimento com os aumentos que fez, aquilo que nós exigimos é um caminho inverso, um caminho que desde já dê um sinal de que vamos começar a recuperar o poder de compra”, disse Sebastião Santana.

A Frente Comum admite, caso não obtenha resposta do Governo, avançar com “greves da administração pública que englobem todos os setores”.

A CGTP juntou-se à manifestação da Frente Comum tendo o secretário-geral da central sindical, Tiago Oliveira, marcado presença junto dos manifestantes.

“A CGTP tem que estar onde estão os trabalhadores e hoje estamos aqui, obviamente ao lado dos trabalhadores da administração pública, trabalhadores que estão a denunciar aquilo que é a falta de resposta deste governo a problemas concretos que têm vindo a denunciar há muitos anos”, disse.

Tiago Oliveira fez um paralelismo com a manifestação que os trabalhadores da Lusa fizeram na quinta-feira e teceu críticas ao Governo de Luís Montenegro.

“Os trabalhadores da Lusa ontem [quinta-feira] vieram para a rua denunciar exatamente a mesma questão, um governo que está a colocar em causa a independência da Lusa, um governo que está a colocar em causa a independência editorial da Lusa e que depois diz que quer discutir e que quer falar quando deixou de fora os trabalhadores da Lusa e os sindicatos da Lusa, é isto que caracteriza este governo”, afirmou o dirigente.

“A mesma coisa podemos dizer quando discutimos o pacote laboral, um governo que se tenta de forma sistemática colocar na opinião pública, que quer discutir e está aberto a discutir o pacote laboral, mas depois tem de forma constante deixado de fora a maior central sindical do país e nega-se a reunir com a CGTP”, acrescentou.

Tiago Oliveira garantiu ainda que a CGTP vai continuar a estar nas reuniões da concertação social.

“Iremos estar sempre nas reuniões da concertação social, porque eles aí não nos conseguem deixar fora, outra coisa é esta tentativa do governo de não levar a discussão à concertação social e para retirar a CGTP da discussão faz reuniões bilaterais em que convoca outras estruturas da concertação social, menos a CGTP”, asseverou.

O anteprojeto de reforma laboral, chamado "Trabalho XXI", foi apresentado pelo Governo de Luís Montenegro (PSD e CDS-PP) em 24 de julho de 2025 e a ministra do Trabalho já sinalizou a intenção de submeter a proposta de lei no parlamento, ainda que não se comprometa com uma data.

As confederações empresariais aplaudiram a reforma, ainda que digam que há espaço para melhorias.

O Governo argumenta que a CGTP se colocou desde o início à margem das negociações ao pedir a retirada da proposta da discussão.

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