Temperatura dos oceanos bate recorde absoluto e preocupa cientistas
Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens

Temperatura dos oceanos bate recorde absoluto e preocupa cientistas

Os mares atingiram uma média de 21,1 ºC à superfície, segundo o observatório europeu Copernicus. O aquecimento global e o fenómeno El Niño estão na origem do novo máximo.
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A temperatura da água à superfície dos oceanos no mundo atingiu 21,1ºC, em média, no último sábado (22 de agosto), um recorde absoluto para um dia, devido ao aquecimento global e do fenómeno climático El Niño, anunciou o observatório europeu Copernicus.

O recorde de temperatura superou o estabelecido em março de 2024, de 21,09ºC, numa altura em que o fenómeno El Niño pode ser o mais significativo jamais registado, de acordo com os cientistas.

O El Niño é um fenómeno climático global que surge de variações nos ventos e nas temperaturas da superfície do mar sobre o Oceano Pacífico tropical. Com este fenómeno natural, que regressa a cada dois a sete anos, as águas de superfície no centro e no leste do oceano Pacífico equatorial aquecem, o que provoca durante meses alterações substanciais nos regimes de ventos, pressão e precipitações à escala global.

Este fenómeno climático junta-se a uma tendência de aquecimento dos oceanos, devido à acumulação de gases com efeito de estufa na atmosfera.

O recorde diário registado no mês de agosto é invulgar, assinala o Copernicus em comunicado, citado pela AFP, porque as temperaturas oceânicas globais “atingem geralmente o seu nível mais elevado em março e abril”, no final do verão no hemisfério sul, onde se localizam as maiores áreas oceânicas.

Os oceanos têm um papel regulador do clima ao absorverem 90% do calor em excesso gerado pela atividade humana, sobretudo o uso de combustíveis fósseis, como o petróleo, gás e carvão.

“O recorde é um novo sinal evidente de um oceano sujeito a um stress crescente”, frisou Samantha Burgess, do Copernicus, citada no comunicado. “À medida que as temperaturas oceânicas continuam a aumentar, os riscos para os ecossistemas marinhos e as comunidades costeiras aumentam igualmente”, acrescenta.

O aumento da temperatura nos oceanos aumenta igualmente o risco de fenómenos meteorológicos extremos, recorda o Copernicus, referindo que um oceano mais quente transporta mais calor e humidade para a atmosfera, o que pode intensificar a precipitação e as tempestades.

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