A Organização Meteorológica Mundial (OMM) anunciou esta sexta-feira, 3 de julho, a previsão da intensificação das condições do fenómeno meteorológico El Niño nos próximos meses, alertando para o aumento da probabilidade de ondas de calor, secas, chuvas intensas e outros eventos climáticos extremos em muitas partes do mundo.A atualização mensal sobre o Clima Sazonal Global "indica um rápido desenvolvimento para um forte evento El Niño durante o período de julho a setembro de 2026", refere a OMM, em comunicado.Os modelos de previsão revelam uma "concordância notável, proporcionando uma elevada confiança nas perspetivas", apontando para um "aquecimento consistente e significativo das temperaturas oceânicas no Pacífico equatorial central e oriental, com anomalias sazonais médias da temperatura da superfície do mar previstas para exceder 2°C em regiões-chave de monitorização".De acordo com a atualização da OMM, prevê-se "uma probabilidade esmagadora de temperaturas acima da média" na maior parte das áreas terrestres fora das regiões polares, lê-se na nota.No que se refere aos oceanos, as previsões apontam para "temperaturas da superfície do mar acima do normal no Pacífico equatorial" (mais de 80% de probabilidade). Esperam-se também "temperaturas acima do normal para o Oceano Índico e o Atlântico tropical", segundo OMM. Já para o Atlântico Norte, prevê-se temperaturas abaixo ou próximas do normal.Em relação à chuva, na Europa, existem maiores probabilidades de precipitação acima da média no sul do continente e abaixo da média no norte. "No entanto, para a Europa, a fiabilidade das previsões continua a ser inferior à de muitas outras regiões", diz a agência da ONU.Prevê-se ainda uma maior probabilidade de chuvas acima do normal no Pacífico equatorial central e oriental, enquanto as chuvas abaixo do normal são mais prováveis em partes do Oceano Índico tropical, no subcontinente indiano e em grande parte da Austrália."Na África equatorial, (...) prevê-se que as áreas terrestres que ladeiam o norte do Golfo da Guiné recebam chuvas acima do normal, em contraste com as chuvas abaixo do normal no Corno de África", indica a atualização sazonal, acrescentando que se espera também "precipitações abaixo da média em partes da América Central, Caraíbas e noroeste da América do Sul". "Em contraste, condições mais húmidas do que a média são mais prováveis em porções do sudoeste dos Estados Unidos", adianta a OMM. .Agência da ONU em "mobilização sem precedentes" para ajudar governos, organizações humanitárias e setores sensíveis ao clima. “As condições do El Niño já estão em curso e a previsão é que se intensifiquem rapidamente, tornando-se um evento forte – como previsto com precisão pelas projeções da OMM. Isto aumentará as hipóteses de seca e chuvas intensas, bem como o risco de ondas de calor em terra e ondas de calor marinhas em muitas regiões do mundo”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.Perante este cenário, a agência da ONU "lançou uma mobilização sem precedentes" para coordenar as atividades em todas as Nações Unidas e a nível regional", com os serviços de informação climática e o apoio ao alerta precoce, de modo a ajudar governos, organizações humanitárias e setores sensíveis ao clima, como agricultura e saúde, e comunidades vulneráveis a se prepararem para os possíveis impactos, adiantou a responsável. "As previsões sazonais antecipadas e os alertas precoces são vitais para salvar vidas e atenuar o impacto nas nossas economias e comunidades”, destacou.Explica a OMM que o fenómeno meteorológico El Niño, caracterizado pela temperatura acima da média da superfície do oceano no Pacífico Equatorial central e oriental, ocorre "geralmente a cada dois a sete anos" e dura, normalmente, "entre nove a doze meses". Começam frequentemente a desenvolver-se entre Março e Junho, atingem o pico de intensidade entre Novembro e Fevereiro e exercem a sua maior influência nas temperaturas globais durante o ano seguinte ao seu início..El Niño "potencialmente forte" pode aumentar eventos climáticos extremos nos próximos meses. "Precisamos de nos preparar", avisa ONU