A paisagem atravessada pela depressão Kristin na madrugada de quarta-feira é hoje polvilhada pelas cores das lonas que protegem os telhados destruídos, mas a procura de telhas tornou-se uma urgência para proteger as casas da chuva.“Vou buscar telhas a Coruche, um euro cada uma. São mais caras que ouro”, diz Carlos Sousa, morador de uma terra perto da Freixianda, concelho de Ourém.Ao seu lado, na localidade de Lameiria, o construtor José Martins transporta uma palete de telhas do armazém, que ficou também destruído pelo temporal.“Tenho pedidos de telhas de mais de cem clientes”, relata, salientando que vai levar este lote a Carcavelos, no mesmo concelho, para uma pessoa que “dorme à chuva há vários dias”.No Suimo, Tomar, José Manuel e Maria Fernanda Neves pediram ajuda a amigos para proteger a casa, com o telhado arrancado pelo vento.Alojados numa pensão em Tomar pela autarquia, “porque a casa não tem condições, chove em todos os sítios”, Fernanda Neves explica que o marido e os amigos estão a retirar telhas dos beirais e da varanda para as colocar no telhado.“Não resolve, mas pelo menos chove menos”, afirma a proprietária da casa, com menos de 20 anos, onde investiu as poupanças da vida.“Estamos vivos, sobrevivemos”, desabafa José Manuel, que recorda os momentos de terror da depressão.“Ouvimos o barulho antes da tempestade chegar. Foi uma coisa indescritível”, diz.O negócio das telhas é agora o grande tema para quem quer proteger as casas.“Estou a tirar telhas de um telheiro de um vizinho para pôr na minha casa. Porque não encontro iguais às minhas”, conta José Pinto, nas Olalhas, Tomar.O construtor José Martins explica que esse é o grande problema dos telhados, pois “não há uma marca, nem um formato, há telhas de fábricas que já não existem”.E, se em Coruche Carlos Sousa não encontrar as suas telhas, só tem uma solução: “é tirar as que tenho e pôr todas de outro tipo”..Ministra desconhece o que falhou e Proteção Civil diz que não se justifica ativar mecanismo europeu de ajuda . Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros..Presidente da Câmara de Alvaiázere pede "desesperadamente" mais bombeiros. "Os nossos estão exaustos", diz