Sociedade Portuguesa de Matemática aponta erro no exame da 2.ª fase de Matemática A. EduQa rejeita e afasta medidas corretivas
Foto: Igor Martins

Sociedade Portuguesa de Matemática aponta erro no exame da 2.ª fase de Matemática A. EduQa rejeita e afasta medidas corretivas

Em causa o enunciado da questão 5 da prova de Matemática A, que a SPM diz comprometer o rigor matemático do item em causa.
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A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) identificou um erro na formulação de uma das perguntas do exame de Matemática A da segunda fase, realizado na quarta-feira, que diz comprometer o rigor matemático do item em causa. O presidente do EduQa rejeita.

Numa carta dirigida ao presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), a SPM explica tratar-se do enunciado da questão 5 da prova de Matemática A.

O item em causa pede ao aluno que “considere todos os números naturais com cinco algarismos diferentes” e “determine quantos destes números são múltiplos de cinco e maiores do que 50.000”.

“Esta formulação, que não exprime certamente a intenção dos autores do enunciado, não é (…) compatível com os passos apresentados nos critérios específicos de classificação”, refere a carta, publicada esta quinta-feira, 23 de julho, no site da SPM.

A SPM acrescenta que, conforme os critérios gerais de classificação, as etapas indicadas só seriam adequadas se a primeira frase do enunciado definisse um conjunto finito de números, mas, conforme está formulada, abrange “infinitos números que satisfazem os requisitos definidos”.

Em alternativa, refere que uma formulação adequada seria, por exemplo: “Considere todos os números naturais de cinco algarismos, todos diferentes”.

“A SPM lamenta esta imprecisão no enunciado que, na realidade, é um erro formal”, escreve a SPM, acrescentando que “as incorreções de português são reprováveis em qualquer prova e refletem-se (…) no rigor matemático dos itens”.

Já esta sexta-feira, 24, o O presidente do EduQa contestou as acusações da Sociedade Portuguesa de Matemática, afirmando que não há fundamento para medidas corretivas e garantindo que todas as respostas cientificamente corretas serão avaliadas.

Luís Pereira dos Santos considera que “a expressão ‘formulação deficiente’ usada pela SPM (…) peca por excessiva”, defendendo que foi usada uma formulação habitualmente utilizada neste tipo de provas que “pressupõe um nível de familiaridade compatível com o percurso escolar dos alunos”.

O EduQa não considera ser "inadequado que um enunciado deste tipo recorra a formulações correntes na linguagem matemática escolar”, até porque "o essencial" é perceber se o aluno consegue compreender “de forma inequívoca” o que lhe é pedido e “não se é possível conceber interpretações alternativas particularmente criativas ou inesperadas”.

Por isso, entende não haver fundamentos “para qualquer medida corretiva” e sublinha que, se algum aluno apresentar “uma interpretação cientificamente correta e fundamentada do enunciado”, a resposta será devidamente apreciada no âmbito dos mecanismos de supervisão da classificação, garantindo-se a equidade e a justiça do processo avaliativo.

O presidente do EduQa acrescenta ainda que ter em conta respostas diferentes que sejam cientificamente corretas e estejam fundamentadas é uma “prática habitual nos processos de classificação e supervisão das provas de avaliação externa”.

Luís Pereira dos Santos lamentou também "a ausência” da SPM no processo de auditorias do Conselho Científico, que se realiza antes da impressão da versão final dos exames.

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