Fiscalização será reforçada.
Fiscalização será reforçada.Foto: Leonardo Negrão

“São apenas três segundos”. Campanha incentiva uso do cinto de segurança

A iniciativa conjunta, com fiscalização reforçada, é realizada com base em recomendações europeias e no quadro Visão Zero 2030, que tem como objetivo eliminar as vítimas mortais nas estradas.
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“Vou só ali, não preciso de usar o cinto”. Este é um pensamento ainda comum e que pode custar vidas. Nesta semana, as autoridades policiais promovem uma campanha de sensibilização, a “Cinto-me vivo”, com o objetivo de incentivar o uso do cinto de segurança e dos sistemas de retenção para crianças. “Infelizmente temos bastantes casos de pessoas que não possuem a noção de usar o cinto de segurança”, começa por dizer ao DN o capitão João Lourenço, da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Pode parecer que não seria necessário que, em 2026, existisse este tipo de campanha, mas o capitão assegura que só deixará de ser importante quando “forem zeradas as infrações”. Pôr o cinto leva, literalmente, apenas três segundos. “Mesmo assim há quem arrisque perder a vida por três segundos”, sintetiza o capitão da GNR.

Dados relativos ao período entre 2021 e 2024 indicam que 8 210 passageiros que viajavam no banco traseiro sem um sistema de retenção adequado foram vítimas de acidentes, dos quais 274 ficaram gravemente feridos e 69 morreram. Estes números, os mais atualizados disponíveis, foram divulgados num comunicado conjunto da GNR, Polícia de Segurança Pública (PSP) e Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR).

“Um sistema de retenção para crianças corretamente utilizado pode reduzir o risco de morte em cerca de 71% nos lactentes e 54% nas crianças entre 1 e 4 anos. O uso de capacete homologado, devidamente apertado e ajustado, reduz em 40% o risco de morte em caso de acidente”, lê-se no documento. Segundo João Lourenço, há um enfoque na sensibilização dos adultos, responsáveis por assegurar o uso destes mecanismos de proteção pelas crianças. “É importante não só que usem, como façam o uso correto e bem ajustado”, orienta.

O oficial relembra que o não uso do cinto de segurança constitui uma infração. “Em primeiro lugar, é obrigatório por lei. Seja a viagem grande ou curta, é obrigatório. Nem devia ser uma hipótese não usar”, explica. Depois, “A sinistralidade rodoviária não constitui uma fatalidade. As suas consequências mais graves podem ser evitadas através da adoção de comportamentos responsáveis e seguros por todos os utilizadores da estrada”, destacam as autoridades.

Durante toda esta semana, serão realizadas ações de sensibilização, assegurada pela ANSR, incluindo equipas com ações presenciais e divulgação nos meios digitais. Na fiscalização, a PSP e GNR vão atuar na “incidência na utilização do cinto de segurança, dos sistemas de retenção para crianças e do capacete, nos locais onde estes comportamentos representam maior risco”.

A iniciativa conjunta é realizada com base em recomendações europeias e no quadro estratégico Visão Zero 2030, que tem como objetivo eliminar as vítimas mortais nas estradas.

Entre as recomendações reforçadas estão: utilizar sempre o cinto de segurança, em todos os lugares do veículo e em todas as viagens, mesmo nas mais curtas; transportar as crianças num sistema de retenção homologado, adequado à sua altura, corretamente instalado e com o arnês ajustado; utilizar sempre um capacete homologado, devidamente apertado e ajustado; complementar o capacete com equipamento de proteção adequado em veículos de duas rodas a motor; e, antes de iniciar a viagem, confirmar que todos os ocupantes estão devidamente protegidos.

No primeiro semestre de 2026, as estradas portuguesas registaram 225 mortes e mais de 20 mil feridos em 17.941 17.941 acidentes com vítimas, de acordo com os dados consolidados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.

amanda.lima@dn.pt

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