Sindicato pede demissão imediata dos responsáveis pela Proteção Civil da Madeira
HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Sindicato pede demissão imediata dos responsáveis pela Proteção Civil da Madeira

O Sindicato Nacional da Proteção Civil quer a instituição "liderada por indivíduos verdadeiramente capacitados para proteger e servir a comunidade". IL também exige demissão.
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O Sindicato Nacional da Proteção Civil exigiu esta quarta-feira a demissão imediata do presidente da Proteção Civil da Madeira, António Nunes, e do secretário regional da Proteção Civil, Pedro Ramos, devido ao fogo que lavra na ilha há oito dias.

"Esperamos que as autoridades competentes tomem as medidas necessárias para proceder a estas substituições de forma rápida e transparente, garantindo assim que a Proteção Civil seja liderada por indivíduos verdadeiramente capacitados para proteger e servir a nossa comunidade", acrescentou o Sindicato Nacional da Proteção Civil (SNPC).

Num comunicado, o SNPC referiu que está a acompanhar o trabalho dos operacionais neste incêndio com "profunda indignação e preocupação", considerando "inadmissível" que o incêndio continue ativo e se tenha intensificado, após uma semana, o que considerou revelar "uma clara falta de liderança e competência por parte daqueles que deveriam zelar pela segurança e bem-estar" da comunidade.

O sindicato criticou, sobretudo, a resistência em pedir ajuda externa e considerou que a resposta foi "tardia, desorganizada e insuficiente", o que "coloca em risco vidas humanas, património natural e a segurança de todos os madeirenses".

"Não entendemos por que razão ainda não foi invocada a ajuda de Protocolo com as Ilhas Canárias que se encontra inscrito no Plano Regional de Emergência de Proteção Civil da Região Autónoma da Madeira", afirmou.

IL também exige demissão

A Iniciativa Liberal (IL) da Madeira criticou entretanto a gestão "desastrosa" e a postura do Governo Regional no combate ao incêndio na ilha da Madeira, defendendo também a "demissão imediata" do secretário com a tutela da Proteção Civil.

"A Iniciativa Liberal/Madeira considera que a demissão de Pedro Ramos, secretário regional da Saúde e Proteção Civil, é inevitável, quer do ponto vista ético, quer do ponto de vista da responsabilidade política", diz a estrutura partidária num comunicado assinado pelo seu coordenador, Gonçalo Camelo.

A IL, que tem um deputado na Assembleia Legislativa da Madeira, composta por 47 parlamentares, considera que o executivo do PSD "geriu o combate ao incêndio de forma desastrosa".

O parlamento madeirense é constituído por 19 deputados do PSD, 11 do PS, nove do JPP, quatro do Chega e dois do CDS-PP (com um acordo de incidência parlamentar com o PSD insuficiente para a maioria absoluta), ocupando a IL e o PAN um lugar cada.

Os liberais consideram que a postura assumida pelo presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, e por Pedro Ramos "é politicamente inadmissível e merecedora de forte censura", já que são os responsáveis máximos da proteção civil no arquipélago.

Para o partido, está patente o "falhanço rotundo das medidas de prevenção e de planeamento adotadas", pelo que é exigível "um pedido de desculpas aos madeirenses".

"Exigia-se, acima de tudo, que tivessem assumido a liderança do combate ao incêndio de forma direta e presencial, e não a partir das areias da praia do Porto Santo e com passagens fugazes pela Madeira", sustenta.

Para a IL, a postura do executivo demonstra que "já não governa para a Madeira, nem para os madeirenses", mas "apenas com o objetivo de manter o poder e os estatutos dos respetivos membros".

O partido diz haver "fortes indícios de que a resposta inicial não terá sido célere e adequada, o que terá contribuído para a propagação do incêndio, bem como que os meios disponíveis não terão sido geridos e utilizados de forma eficaz e correta".

Além disso, censura a postura "errática, contraditória e arrogante" do poder público em matéria de coordenação e comunicação, além da recusa inicial do auxílio da República.

Neste caso, argumenta, está em causa uma forma de gerir "a autonomia focada no confronto político, e não na utilização da mesma em benefício da segurança e do bem-estar dos madeirenses, o que é lamentável".

Os liberais defendem uma "investigação célere, independente e rigorosa" à atuação do executivo para apurar responsabilidades e, eventualmente, "fundamentar a apresentação de uma moção de censura".

O incêndio rural na ilha da Madeira deflagrou há uma semana, dia 14, nas serras do município da Ribeira Brava, propagando-se progressivamente aos concelhos de Câmara de Lobos, Ponta do Sol e, através do Pico Ruivo, Santana.

      Nestes oito dias, as autoridades deram indicação a perto de 200 pessoas para saírem das suas habitações por precaução e disponibilizaram equipamentos públicos de acolhimento, mas muitos moradores já regressaram, à exceção da Fajã das Galinhas, em Câmara de Lobos, e da Furna, na Ribeira Brava.

   O combate às chamas tem sido dificultado pelo vento, agora mais reduzido, e pelas temperaturas elevadas, mas não há registo de destruição de casas e infraestruturas essenciais. 

   Quatro bombeiros receberam assistência hospitalar por exaustão e mal-estar, não havendo mais feridos.

   Dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, indicados pelo presidente do Serviço Regional de Proteção Civil, António Nunes, apontam para 4.392 hectares de área ardida até às 12:00 de terça-feira.

   A Polícia Judiciária está a investigar as causas do incêndio, mas o presidente do executivo madeirense, Miguel Albuquerque, diz tratar-se de fogo posto.

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