Serpa é caso mais preocupante em Portugal Continental

Cidade alentejana é um dos três concelhos que mais cresceu a 14 dias, até 9 de março, juntamente com a Vidigueira e Carrazeda de Ansiães. O único concelho no nível extremo é o Funchal - governo regional e DGS trocam acusações sobre acerto de números, que coloca o arquipélago como a zona mais mais casos cumulativos.

Dos 308 concelhos em Portugal continental e insular, 19 estavam na linha vermelha definida pelo Governo para desconfinar, sendo que 289 encontravam-se no nível de risco moderado, no dia 9 de março, segundo os dados do boletim Epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS). Esta segunda-feira foram reportadas 10 mortes e 256 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas - números que recuam ao verão do ano passado.

O único concelho no nível muito elevado em Portugal continental há uma semana era Serpa (Alentejo) com 517 casos a 14 dias. Resende (464), Penela (389), Lamego (333), Rio Maior (324), Santa Marta de Penaguião (318), Carrazeda de Ansiães (318), Montijo (288), Vidigueira (272), Torres Vedras (270), Monforte (269), Castelo de Paiva (259) e Vila Nova de Cerveira (247) são os outros concelhos onde se registaram mais casos a 14 dias.

Vidigueira, Serpa e Carrazeda de Ansiães são mesmo os três concelhos do continente que registaram o maior aumento no número de novos casos por 100 mil habitantes.

Dos 19 concelhos na linha vermelha: 14 estavam no nível de risco elevado, quatro no nível muito elevado e um no nível extremamente elevado (Funchal). A região da Madeira tinha a maior incidência, com três dos concelhos no nível muito elevado (Ponta do Sol, Santa Cruz e Câmara de Lobos) e o concelho no nível extremo (Funchal).

No entanto a DGS avisou que os dados da Madeira "devem ser interpretados atendendo ao atraso entre diagnóstico e notificação verificado no período em análise". A situação repete-se há dias e já levou o governo regional a acusar a DGS de apresentar sistematicamente dados incorretos para o arquipélago. Segundo o boletim da DGS, a 9 de março o Funchal registava 1128 novos casos por 100 mil habitantes.

Nos Açores o cenário era inverso. Todos os concelhos se encontram no nível de risco moderado, incluindo o da Ribeira Grande, onde se localiza Rabo de Peixe, com 177 casos em 14 dias e até 9 de março. Número superior ao geral do País continental (96 novos casos a 14 dias por 100 mil habitantes). Contabilizando apenas os números do continente são 84,2.

Entre os 10 concelhos que apresentaram as maiores descidas na incidência numa semana (Manteigas, Barrancos, Resende, Sobral de Monte Agraço, Bombarral, Castanheira de Pera, Monchique, Penamacor, Murtosa e Arraiolos), cinco continuavam há uma semana acima dos 120 novos casos por 100 mil habitantes (Manteigas, Resende, Sobral de Monte Agraço, Bombarral e Castanheira de Pera).

Dos concelhos com nível de risco moderado - abaixo dos 240 novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias - 239 tinham menos de 120 casos por 100 mil habitantes, uma das linhas vermelhas definidas pelo Governo, sendo que 145 tinham mesmo menos de 60 casos por 100 mil habitantes.

Beja, Coimbra, Faro, Lisboa e Setúbal eram as cinco capitais de distrito do continente acima da linha vermelha, embora todas no nível de risco moderado. Coimbra, que, na semana anterior, era a única no nível de risco elevado, desceu de nível, mas continua a ser a capital de distrito com a incidência acumulada mais alta (187 casos por 100 mil habitantes).

O índice de transmissibilidade, o famoso R(t) é agora de 0,83 em Portugal, valor que mantém Portugal no "verde", de acordo com a matriz de risco apresentada por António Costa, quando apresentou o plano de desconfinamento que entrou esta segunda-feira em vigor com a abertura das creches.

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