O primeiro-ministro em exercício, Paulo Rangel, encontrou-se esta segunda-feira com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, às 10 horas da manhã, já depois de acionados os planos de resposta ao sismo que ocorrera pouco tempo antes, a 58 quilómetros a oeste de Sines. Não houve danos materiais nem pessoais, só múltiplos telefonemas para a Proteção Civil, do Alentejo a Coimbra, e um susto. Antes de ir a Belém e à saída da reunião com a Proteção Civil, Paulo Rangel classificou todo o processo, desde o abalo de terra até ao sossego da população, como um “teste real à nossa capacidade de reposta no caso de uma catástrofe real”. Em relação aos cerca de 30 minutos que separaram o sismo do alerta da Proteção Civil, Marcelo justificou-os com a necessidade de “validar as informações” e saudou a capacidade “muito rápida” de respostas das autoridades..“Não se sabia, na altura, da incidência total - que felizmente não é o que se temia - do sismo. Portanto, a mensagem é muito simples: serenidade, tranquilidade, normalidade. Quem andar por Lisboa verifica isso e a informação que temos de outros pontos da área teoricamente abrangida é a mesma: é um começo de semana normal, natural e, portanto, sem razões nenhumas da preocupação particular”, vincou o Presidente da República, depois da reunião com Paulo Rangel, no Palácio de Belém..Em relação à resposta ao sismo, Marcelo explicou que “funcionou aquilo que devia ter funcionado”, acrescentando, porém, que se “retiram lições para o futuro” sobre a aptidão da Proteção Civil em comunicar com a população. Neste contexto, Marcelo agradeceu aos órgãos de comunicação social a forma como informaram a população, considerando que “foram essenciais na comunicação aos portugueses”..“Eu sei que a Proteção Civil está atenta a pormenores de comunicação e à capacidade de fazer face àquilo que é a resposta da parte dos portugueses ao quererem informação. Já não é a primeira vez que acontece com uma entidade pública”, justificou..Antes do encontro com Marcelo, Paulo Rangel reuniu-se com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, concluindo, depois, que o abalo permitiu verificar a forma como os “meios estão ou não em prontidão”, explicando que foram discutidas as estratégias de prevenção..“Sobre aquilo que são os planos que estão já testados e vistos há muito tempo”, Paulo Rangel afirmou que “têm de ser constantemente atualizados e renovados”, motivo pelo qual “houve aqui alguma projeção para o futuro no sentido de preparar as estruturas portuguesas, a proteção civil, nacional e regional, e a população em geral para termos capacidade de resposta”..Questionado pelos jornalistas sobre o balanço que faz do teste que Portugal enfrentou, o primeiro-ministro em funções na ausência de Luís Montenegro considerou que a avaliação é “muito positiva quanto à capacidade de resposta, à prontidão da resposta, à forma como a informação circulou”. Sem explicar se há aspetos a melhorar, Paulo Rangel deixou uma garantia: “Tudo será revisto, vamos aos vários pontos e trabalhar.”.“Na legislação portuguesa antissísmica houve já uma evolução muito grande, mas também é importante ver se no terreno ela é executada e cumprida com rigor”, completou. Sobre a ação da Proteção Civil, Paulo Rangel diz que foi “altamente profissional”..Novos hospitais vão ter proteção.O sismo que ocorreu esta segunda-feira, com uma magnitude de 5.3 na escala de Richter, com quatro réplicas com magnitudes mais baixas, não foi suficientemente intenso para provocar danos, mas levantou questões adjacentes, como a adaptação de edifícios e a prevenção de perdas materiais..O tema foi sublinhado pelo Presidente da República, quando apelou ao debate em torno da “construção de grandes obras públicas”, considerando que é possível “aprender-se mais” sobre a resposta aos fenónemos naturais. Sem entrar em grandes detalhes, Marcelo lembrou que o Tribunal de Contas, recentemente, “entendeu propor, levando até mais longe do que normalmente é o papel do Tribunal de Contas, um aditamento contratual, ou uma revisão contratual, para incluir requisitos que não estavam previstos à partida no processo do concurso”..Também os hospitais de Lisboa Oriental, do Seixal e do Algarve terão sistemas antissísmicos, respeitando deste modo as recomendações técnicas, confirmou ao DN fonte do Ministério da Saúde. No que diz respeito ao Hospital de Lisboa Oriental, que será construído em Chelas, a cargo da Mota-Engil, vai implementar as alterações pedidas pelo Tribunal de Contas..No mesmo dia, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) alertou para o facto de apenas 19% das habitações do país terem cobertura contra sismos, sendo que 47% não têm qualquer tipo de cobertura.