Sabe montar um kit de emergência? Um ano depois do apagão, medida de segurança precisa de "chegar a todos"

Estamos mais preparados, depois da falha de energia de há um ano, mas ainda é preciso fomentar "cultura de segurança". Veja o que o presidente da Escola Nacional de Bombeiros tem no próprio kit.

Nos próximos dias, a Escola Nacional de Bombeiros (ENB) vai lançar um novo produto voltado para o estímulo de comportamentos de prevenção e segurança dos cidadãos. Um pequeno rádio portátil, com lanterna incluída, que carrega a sua bateria com energia, mas também através de luz solar ou dínamo, e ainda serve o próprio rádio como carregador para telemóveis. Um tipo de rádio que ficou esgotado em variadas lojas físicas há um ano, quando Portugal se viu completamente às escuras e sem comunicações durante o apagão de 28 de abril e as pessoas encheram os estabelecimentos comerciais à procura de itens de ‘sobrevivência’ para aquela situação.

Passado exatamente um ano, o presidente da ENB, Lídio Jorge, avalia que “estamos melhor preparados”. Sente que o interesse das pessoas em medidas preventivas tem aumentado, “e também das autoridades”, mas admite que “temos de conseguir chegar a todos” com a mensagem de que prevenção nunca é demais.

Material informativo da ENB.
Material informativo da ENB.

Um dos elementos mais falados desde então, o kit de emergência, continua a suscitar interesse e o lançamento do rádio também vai ao encontro dessa demanda. “Há uma equação prévia que nós devemos atender. Entre um qualquer acidente e a chegada do socorro formal, nesse tempo nós estamos sozinhos. E vamos estar tanto mais tempo sozinhos quanto maior for o acidente. Esta equação é a que nos conduz a sugerir que cada um se prepare para esse tempo, em três momentos, no antes, no durante e depois daquilo que é um qualquer incidente. Mas neste caso, no antes, na preparação, o que nós apelamos é que as pessoas tenham um kit de emergência e um plano familiar de emergência. Porque um sem o outro também é, caso para dizer, só meio caminho andado”, explica Lídio Jorge.

O kit de emergência deve ser montado de acordo com o perfil da família, ou do sítio onde ficará guardado, como dentro do carro ou no local de trabalho. Em comum, elementos básicos como ferramentas simples - um canivete multifunções - e medicamentos que sejam importantes para aquele agregado familiar. Outros artigos a incluir são um rádio, apito, lanterna e óculos protetores, itens para os animais de companhia, uma muda de roupa, fotocópias dos documentos e dinheiro em papel, água e alimentos, tudo organizado em local acessível. “As minhas latas de atum, salsichas, não estão no saco do kit de emergência, estão arrumadas na despensa, mas eu sei que chego lá e, em 30 segundos, meto tudo dentro de um saco e posso levar para qualquer lado. Eu sei onde é que tenho aquela roupa que posso usar se eu tiver de sair da minha casa, em 3 minutos. Sei onde é que vou buscar as coisas, porque já estão mais ou menos arrumadas para agarrar. Portanto, isto é prevenção”, destaca o presidente da ENB.

Rádio de emergência da ENB vai custar 18 euros.
Rádio de emergência da ENB vai custar 18 euros.Caroline Ribeiro

Com os contextos de instabilidade na Europa e no mundo, aumento de eventos climáticos extremos e conflitos armados, vários países estão a apelar à população que tenha kits de emergência. “A Suécia publicou um folheto para que os cidadãos se preparassem para a guerra”, recorda Lídio Jorge, a pontuar que “esta foi uma situação extraordinária”, mas que “na área da Proteção Civil, por todas as boas razões”, um país deve “transmitir noções e conhecimento aos seus cidadãos”.

A mensagem que deixa é a de que a prevenção “nunca é demais”. “Tal qual nós há uns anos conseguimos, com uma significativa intensidade, colocar na cabeça das pessoas a necessidade da reciclagem, e as pessoas começaram a fazer reciclagem, também hoje temos de fazer o mesmo para aquilo que é a cultura de segurança.”.

Lídio Jorge, presidente da Escola Nacional de Bombeiros.
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