Revogado mandado europeu de detenção da ex-agente da CIA

Ao contrário do previsto, Sabrina de Sousa poderá não ser extraditada para a Itália esta quarta-feira

O mandado de detenção europeu de Sabrina de Sousa foi revogado por um procurador italiano, segundo o jornal Público, que cita Magalhães e Silva, o advogado português da ex-espia da CIA.

A extradição de Sabrina de Sousa está marcada para esta quarta-feira e apenas acontecerá se o despacho da revogação não chegar a Portugal a tempo, segundo o mesmo jornal. Ainda assim, caso a ex-espia detida em Portugal em 2015 seja obrigada a viajar para a Itália, deverá desembarcar neste país em liberdade.

O Presidente da República italiano, Sergio Mattarella, concedeu esta terça-feira um indulto parcial de um ano à ex-agente da CIA, reduzindo a pena de prisão efetiva para três anos. Segundo Magalhães e Silva, Sabrina de Sousa pediu para cumprir os três anos de prisão em serviço comunitário e em Portugal.

O seu advogado em Itália, Dario Bolognesi, sustentou que o indulto presidencial permite pedir a suspensão condicional da pena e da consequente extradição.

O Presidente de Itália justificou o perdão parcial com a conduta da ex-agente e com a necessidade de reajustar a pena à dos outros condenados, segundo a agência Lusa.

Sabrina de Sousa já tinha beneficiado, no passado, de uma redução de pena de sete para cinco anos.

A ex-agente dos serviços secretos norte-americanos foi detida em Portugal, a 20 de fevereiro, para ser extraditada para Itália, na sequência de uma decisão do Tribunal da Relação de Lisboa.

Perdeu vários recursos contra a extradição desde que foi detida inicialmente no aeroporto de Lisboa, em outubro de 2015, no âmbito de um mandado de detenção europeu.

Nos recursos, alegava que nunca havia sido informada oficialmente da decisão do tribunal italiano, que a condenou, e que não podia usar em sua defesa informação confidencial do governo norte-americano.

A ex-agente da CIA, de 60 anos, nasceu em Goa, tendo dupla nacionalidade (norte-americana e portuguesa). A ex-espia foi condenada à revelia, em Itália, a cinco anos de prisão pelo envolvimento no rapto do egípcio e radical islâmico Abu Omar, ocorrido em 2003, em Milão.

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