Relatório PISA. 20 números que ajudam a perceber como estão os alunos portugueses
Os resultados do PISA 2025 fizeram soar alarmes sobre o estado da Educação em Portugal, com a descida generalizada das notas obtidas pelos alunos portugueses em matemática, leitura e ciência. Os resultados dos 6.945 alunos de 225 escolas portuguesas “regressaram a valores próximos dos observados em 2006 nas três disciplinas, revertendo completamente os ganhos anteriores”, refere o estudo da OCDE. “Estamos a falar de resultados que são históricos, mas no sentido negativo”, lamentou o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo.
Para lá das conclusões imediatas, há um retrato mais amplo, recheado de contrastes, que permite olhar melhor para dentro das escolas e perceber como estudam os jovens, como se relacionam com os professores e os pais, quanto faltam às aulas, de que forma usam a inteligência artificial ou até que problemas enfrentam as escolas para conseguir ensinar.
Por exemplo: 64% dos alunos portugueses estudam em escolas cujos diretores dizem ter falta de pessoal auxiliar, contra 39% na média da OCDE; quase metade recorre a chatbots de inteligência artificial pelo menos uma vez por semana para aprender; e o acompanhamento familiar diminuiu de forma acentuada desde o estudo anterior, de 2022.
Ao mesmo tempo, há indicadores que contrariam uma leitura exclusivamente negativa. Portugal tem menos alunos vítimas de bullying do que a média da OCDE e níveis de absentismo inferiores. A maioria diz recorrer aos professores quando precisa de ajuda e uma percentagem elevada considera que os docentes se preocupam com a aprendizagem de todos os alunos.
Destacamos 20 números que permitem contar uma história menos simples do que um mero ranking.
64% estudam em escolas com falta de pessoal auxiliar
É um dos números mais expressivos do retrato português. 64% dos alunos estão em escolas cujos diretores identificam falta de pessoal de apoio como um obstáculo ao ensino, contra 39% na média da OCDE. A diferença é de 25 pontos percentuais e mostra que a falta de trabalhadores não docentes continua a ser um problema particularmente sentido nas escolas portuguesas.
44% estão em escolas onde faltam professores
A falta de pessoal não se limita aos funcionários auxiliares. 44% dos alunos portugueses frequentam escolas cujos diretores dizem que a falta de professores prejudica o ensino, contra 39% na OCDE. Ainda assim, houve uma melhoria relativamente a 2022, quando essa situação abrangia 62% dos alunos.
48% usam inteligência artificial pelo menos uma vez por semana
Quase metade dos alunos portugueses diz utilizar chatbots de inteligência artificial pelo menos semanalmente para aprender. A proporção é ligeiramente superior à média da OCDE, de 46%. Só 8% dos alunos portugueses dizem nunca ou quase nunca recorrer a chatbots em nenhuma das tarefas escolares analisadas.
Só 53% discutem semanalmente com os pais problemas da escola
O acompanhamento familiar diminuiu de forma significativa. Em 2025, 53% dos alunos dizem discutir pelo menos uma vez por semana com os pais problemas que têm na escola, numa quebra acentuada face aos 69% de 2022. Também caiu a percentagem dos que dizem ser questionados semanalmente pelos pais sobre o que fizeram na escola: passou de 84% para 73%.
14% são vítimas de bullying
14% dos alunos portugueses dizem ser vítimas de bullying pelo menos algumas vezes por mês. É uma proporção inferior à média da OCDE, de 20%, mas a evolução recente é negativa: o problema aumentou entre 2022 e 2025, depois de ter diminuído entre 2018 e 2022.
56% chegam atrasados à escola
Mais de metade dos alunos portugueses - 56% - diz ter chegado atrasado à escola pelo menos uma vez nas duas semanas anteriores ao teste. Na OCDE a média é inferior: 50%.
Só 7% faltaram um dia inteiro nas duas semanas anteriores
Já ao nível do absentismo, Portugal apresenta um resultado claramente melhor do que a média internacional: 7% dos alunos faltaram pelo menos um dia de aulas nas duas semanas anteriores ao teste, contra 22% na OCDE. Também apenas 12% faltaram a pelo menos uma aula, contra 24% na média da organização.
76% atingem pelo menos o nível 2 em ciência
Na área de ciência, 76% dos alunos portugueses alcançam pelo menos o nível 2 de proficiência, ligeiramente acima dos 74% registados na média da OCDE. Isso significa que cerca de três em cada quatro alunos atingem o patamar considerado mínimo pela avaliação.
65% chegam ao nível mínimo em matemática
Em matemática, 65% dos alunos portugueses atingem pelo menos o nível 2, exatamente a mesma proporção registada na média da OCDE. O problema está na evolução: desde 2015, a percentagem de alunos abaixo desse nível aumentou 11 pontos percentuais.
Mais 11 pontos percentuais de alunos abaixo do nível mínimo em leitura
A leitura acompanha a tendência da matemática. Desde 2015, a proporção de alunos portugueses abaixo do nível 2 aumentou 11 pontos percentuais. Em ciência, o aumento foi de sete pontos. O PISA identifica assim uma deterioração do desempenho entre os alunos que se encontram na base da escala.
92 pontos separam os alunos mais ricos dos mais pobres em ciência
A desigualdade socioeconómica aparece de forma clara nos resultados. Os 25% de alunos portugueses mais favorecidos economicamente obtêm, em média, mais 92 pontos em ciência do que os 25% menos favorecidos. Na OCDE, a diferença é de 85 pontos.
13% da variação dos resultados depende do estatuto socioeconómico
O estatuto socioeconómico explica 13% da variação dos resultados dos alunos portugueses em ciência, contra 12% na média da OCDE. É uma diferença pequena em termos percentuais, mas revela que a origem socioeconómica continua a estar fortemente associada ao desempenho escolar.
Só 11% dos alunos desfavorecidos conseguem chegar ao topo
Há, apesar das desigualdades, alunos que conseguem contrariar o efeito da origem social. 11% dos estudantes portugueses socioeconomicamente desfavorecidos estão entre os 25% com melhores resultados em ciência. A chamada resiliência académica fica, assim, próxima da média da OCDE, de 12%.
77% dizem ser curiosos sobre muitas matérias
A curiosidade é um dos pontos positivos identificados pelo estudo. 77% dos alunos portugueses dizem ter curiosidade sobre muitas matérias, contra 73% na média da OCDE. Mas há uma nota de alerta: desde 2022, a proporção caiu 5,1 pontos percentuais.
69% dizem esforçar-se mais quando a tarefa se complica
Quase sete em cada dez alunos portugueses - 69% - dizem aplicar esforço adicional quando a tarefa se torna difícil. Na OCDE, são 60%. A persistência perante a dificuldade surge, portanto, como uma caraterística relativamente forte dos estudantes portugueses.
67% têm uma mentalidade de crescimento
67% dos alunos portugueses revelam uma mentalidade de crescimento, isto é, acreditam que as suas capacidades podem desenvolver-se, contra 69% na média da OCDE. Entre os alunos portugueses, esta característica está associada a uma vantagem de 33 pontos no desempenho em ciência.
82% pedem ajuda aos professores
A relação com os docentes aparece entre os indicadores mais positivos. 82% dos alunos dizem pedir ajuda aos professores quando precisam, contra 77% na OCDE. Os alunos que recorrem mais frequentemente a este tipo de ajuda obtêm, em média, mais 11 pontos em ciência.
31% dizem que os colegas se distraem com dispositivos digitais
31% dos alunos portugueses dizem que os colegas se distraem frequentemente com dispositivos digitais, contra 28% na OCDE. Entre os alunos que relatam esse tipo de distração, o desempenho em ciência é, em média, 12 pontos inferior.
Só 25% estudam em escolas com proibição de telemóveis
Apenas 25% dos alunos portugueses frequentam escolas onde os telemóveis não são permitidos nas instalações, contra 49% na média da OCDE. O dado ganha relevância num contexto em que a própria avaliação identifica a distração digital como um fator associado a piores resultados.
80% dizem que os professores mostram interesse por todos
A relação com os professores fecha o retrato com um dos indicadores mais favoráveis. 80% dos alunos portugueses dizem que, na maioria das aulas de ciência, o professor mostra interesse pela aprendizagem de cada aluno, contra 69% na OCDE. Outros 77% dizem que o professor continua a explicar até os alunos compreenderem e 83% afirmam receber ajuda adicional quando precisam.
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