'Rei Ghob' recusa falar no arranque do julgamento por violação de menores

Arguido irá ser julgado por 542 crimes de violação

Francisco leitão, conhecido como 'Rei Ghob', recusou hoje de manhã prestar quaisquer declarações ao tribunal durante a primeira sessão do julgamento por 542 crimes de violação de menores, disse à Lusa o advogado do arguido.

De acordo com a acusação do Ministério Público, o arguido irá ser julgado por 542 crimes de violação, seis de pornografia de menores e ainda um crime de ameaça agravada, ofensa à integridade física qualificada e devassa da vida privada.

Os crimes remontam a factos ocorridos entre 2009 e 19 de julho de 2010, data em que foi detido pela Polícia Judiciária por ser o principal suspeito do homicídio de três jovens, crimes pelos quais, em 2012, foi condenado a 25 anos de prisão.

Esta manhã, o sucateiro esteve presente na primeira sessão do novo julgamento, que decorreu à porta fechada por envolver menores de idade.

Entretanto, a sessão foi interrompida para almoço e à saída do tribunal o advogado de Francisco Leitão, Hélder Cristóvão, adiantou apenas que o arguido se tinha recusado a prestar declarações ao coletivo de juízes.

A sessão irá prosseguir à tarde, com a audição de algumas das vítimas de Francisco Leitão.

O sucateiro convivia com vários jovens, na altura com idades entre os 14 e os 17 anos, fazendo-se passar pelo amigo que os levava a passear, pagava jantares ou bebidas e oferecia-lhes telemóveis.

Dizia ter poderes sobrenaturais e quando ganhava a sua confiança e sabia que estariam convictos dos seus poderes, levava os jovens para a sua casa, na Carqueja, Lourinhã, onde os amedrontava incorporando "entidades" sobrenaturais ou dizendo que vinha a mando delas informá-los de que eles ou seus familiares corriam perigo de morte.

Para evitar as consequências, teriam de se sujeitar a "injeções de energia", que, como descreve a acusação, seriam transmitidas do corpo do arguido para o corpo da vítima sob a forma de relações sexuais.

As queixas chegaram ao MP ainda em 2009, mas o inquérito veio a ser arquivado.

Contudo, o processo foi reaberto na sequência de buscas domiciliárias da PJ e de novas denúncias no período em que o arguido esteve a ser investigado pela morte de três jovens.

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