Várias são as reações ao relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país, realizada por António José Seguro entre 06 e 10 de abril às zonas afetadas pelas tempestades. Autarcas, a Região de Leiria e chefe da Estrutura de Missão, entendem que o comboio de tempestades e a resposta foram uma espécie de aprendizado.Numa declaração enviada à agência Lusa, Gonçalo Lopes, autarca de Leiria, afirma que o país continua “a enfrentar um défice estrutural de preparação e resiliência perante fenómenos extremos”.“As conclusões do relatório devem, por isso, merecer uma reflexão séria e uma ação consequente por parte do Estado, seja ao nível da proteção das infraestruturas críticas, da capacidade de resposta institucional, da gestão florestal ou da preparação das populações”, defendeu Gonçalo Lopes.O autarca vincou que a depressão Kristin “não foi apenas um fenómeno extremo circunscrito aos dias da emergência”, mas sim, com efeitos "que prolongaram-se muito para além desse momento, deixando impactos profundos” em habitações, empresas, infraestruturas, floresta e na vida de milhares de pessoas, afirmou o autarca.Já o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria afirmou que o relatório deve servir de base para aprendizagem. “Entendemos que este documento deve servir de base para uma aprendizagem, eu relembro que vivemos durante vários dias sem comunicações e sem energia elétrica”, disse à agência Lusa Jorge Vala, recordando que, para comunicar com os restantes nove municípios para “marcar a primeira reunião”, teve de “enviar um emissário”.Saudando “a forma objetiva como identifica alguns constrangimentos” e relevando “a importância de apontar algumas soluções”, Jorge Vala, também presidente da Câmara de Porto de Mós, assinalou ainda o facto de o relatório – “um bom documento” - ter sido feito num curto período.“Só não identifica, de uma forma mais completa, a inutilidade de algumas entidades, que achamos que são redundantes e inúteis, como é o caso da AGIF [Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais], por exemplo”, declarou, considerando ser necessário fazer “um exercício sobre a utilidade de algumas das entidades que estão associadas” à questão da floresta e também a outras situações.Paulo Fernandes em tom conciliadorO coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, Paulo Fernandes, afirmou ver alinhamento entre os documentos. “Eu vejo um grande alinhamento entre muitas das sugestões, propostas, reflexões estratégicas que traz o relatório e muitas das medidas que estão no PTRR [Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência]”, afirmou à agência Lusa Paulo Fernandes.Paulo Fernandes evitou críticas ao Governo. “Numa situação destas, é sempre muito mais relevante olharmos para aquilo que nos junta e para aquilo em que, de facto, há uma concertação ou um alinhamento estratégico do que, obviamente, falarmos de outras questões”.O PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência é um programa de resposta à catástrofe climática que assolou várias regiões do país entre 28 janeiro e 15 de fevereiro, e que visa preparar o país “para um futuro mais seguro, resiliente e competitivo, segundo o Governo..PTRR: Depois das tempestades, vêm 22,6 mil milhões de euros e um seguro obrigatório .António José Seguro alerta para lentidão nos apoios e falhas de coordenação na resposta às tempestades