Os atrasos continuam a ser o principal motivo de queixa.
Os atrasos continuam a ser o principal motivo de queixa.Foto: Paulo Spranger

Reclamações sobre transportes públicos disparam. Atrasos dominam, mas segurança e higiene ganham peso

Em relação ao mesmo período do ano passado, as reclamações relacionadas com Transportes Coletivos de Passageiros aumentaram de 902 para 1181. Queixas incluem presença de baratas numa viatura da STCP.
Publicado a
Atualizado a

As reclamações sobre os transportes coletivos de passageiros dispararam 31% este ano, avança o Portal da Queixa num comunicado esta terça-feira, 25 de agosto, enviado às redações. Os atrasos continuam a ser o principal motivo de queixa, mas as reclamações sobre segurança, higiene e condições de viagem aumentaram e já são o segundo problema mais reportado.

As queixas relacionadas com segurança, higiene e condições de viagem passaram de 15% do total de reclamações em 2025 para 22% este ano, ainda longe da percentagem referente a falta de pontualidade e atrasos (66%, face aos 68% do ano passado).

Em relação ao mesmo período do ano passado (1 de janeiro a 21 de agosto), as reclamações relacionadas com os Transportes Coletivos de Passageiros aumentaram de 902 para 1181.

A maior subida de ocorrências verifica-se nos operadores da Área Metropolitana do Porto, STCP (+103%) e UNIR (63%). Na Grande Lisboa a Carris Metropolitana registou também um aumento (14%), mas a CARRIS apresentou uma ligeira descida (2,31%).

Ainda assim, a Carris Metropolitana continua a liderar o ranking das reclamações (26,58%), seguida da UNIR (24,94%) e da CARRIS (21,82%), enquanto a STCP representa 10,39%.

Entre os relatos registados no Portal da Queixa encontram-se problemas de higiene, incluindo a presença de baratas numa viatura da STCP, problemas de segurança em autocarros da UNIR, atrasos recorrentes e falta de informação sobre horários da Carris Metropolitana e situações de falta de ar condicionado.

A nível regional, o Grande Porto aumentou o peso nas reclamações de 25% em 2025 para 30% em 2026, enquanto Lisboa reduziu de 46% para 36%.

Embora as reclamações tenham aumentado 31%, a média das avaliações de satisfação dos passageiros aumentou 8,92%, passando de 3,04 em 2025 para 3,31 em 2026.

“Os resultados desta análise mostram que o transporte público está no centro da vida do consumidor e, por isso, no centro da sua exigência. Um aumento de 31% nas reclamações não deve ser lido como um ataque ao setor, mas como um sinal de que o passageiro está mais atento, mais participativo e mais consciente dos seus direitos. Hoje já não reclama apenas quando o autocarro se atrasa - reclama quando sente que a sua segurança, higiene e bem-estar não foram respeitados. E isso é positivo", afirmou Pedro Lourenço, Fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, no comunicado.

Segundo o especialista, a reclamação é uma oportunidade de melhoria. "Quando o consumidor reclama, está a dar às marcas uma oportunidade para corrigir, para ouvir e para gerar confiança. Os dados mostram que quem ouve e responde, mesmo quando falha, consegue manter a reputação e a satisfação. A confiança não se constrói com zero reclamações, constrói-se com a forma como cada reclamação é tratada. E é isso que transforma um passageiro insatisfeito num consumidor fiel", pontua.

Os atrasos continuam a ser o principal motivo de queixa.
Condições de acesso aos transportes públicos continuam a condicionar e até inibir uma mobilidade inclusiva
Os atrasos continuam a ser o principal motivo de queixa.
Reclamações contra Metros de Lisboa e Porto duplicaram este ano
Diário de Notícias
www.dn.pt