Rebentamento de petardos no Rossio e homem refugiado em restaurante. Detidos nas acampadas presentes a tribunal
Durante a última noite, a praça do Rossio, em Lisboa, continuou a ser palco dos protestos pelo direito à habitação, tendo sido marcada pelo rebentamento de petardos junto ao Teatro D. Maria II.
Um homem, considerado o alegado autor do rebentamento de petardos, foi perseguido por um grupo de manifestantes, tendo-se refugiado na loja do McDonalds do Rossio, que teve de encerrar as portas, deixando clientes retidos no local, relatou o Observador.
A PSP acabou, mais tarde, por identificar o indivíduo. Fonte oficial da polícia disse à Lusa que o homem de 41 "informou que fugiu porque foi perseguido pelos manifestantes que diziam que era polícia infiltrado", acusação desmentida também pela mesma fonte.
A advogada Joana Marques Brás, uma das representantes legais da acampada de Lisboa, afirmou que o suspeito não participava nos protestos.
Testemunhas relataram que o homem acendeu um petardo que descartou num caixote do lixo, onde o engenho acabou por rebentar, tendo-se afastado do local calmamente, sendo então interpelado por alguns manifestantes. "Infiltrado”, ouviu-se quando dezenas perseguiram o suspeito.
Relata a Lusa que ainda antes das 00h00, as equipas da acampada responsáveis pela segurança apelaram à concentração dos manifestantes na praça do Rossio, para desocupar a zona das esplanadas e evitar uma eventual intervenção das forças de segurança.
O suspeito ainda estava no interior do estabelecimento comercial pelas 01h00, numa altura em que permaneciam no Rossio apenas algumas dezenas de pessoas.
Na praça D. João I, no Porto, os manifestantes montaram tendas, mas começaram a desmobilizar durante a madrugada.
Na madrugada de domingo, o cenário foi diferente. As acampadas, tanto na capital como na cidade Invicta, acabaram por ser alvo de uma intervenção policial, tendo dispersado as pessoas, removido as tendas e tendo desocupado o espaço público na Praça D. João I, no Porto, e no Rossio, em Lisboa.
A operação da PSP culminou em 13 detidos, sete no Porto e seis em Lisboa que vão hoje ser presentes a tribunal para primeiro interrogatório judicial. Houve ainda registo de ferimentos em 13 agentes da PSP e vários manifestantes.
No Porto, os manifestantes detidos pela PSP na Praça D. João I serão ouvidos pelas 10h00 no Tribunal de Pequena Instância Criminal do Porto e em Lisboa serão ouvidos pelas 14h00, no Campus da Justiça.
O advogado Ricardo Sá Fernandes, um dos interlocutores da defesa dos manifestantes em Lisboa, anunciou que vai apresentar uma queixa-crime contra ministro da Administração Interna, Luís Neves, e contra o diretor nacional da PSP, Pedro Moura, contestando a legalidade e o recurso à força na atuação policial.
Em Lisboa, escassos minutos após o início da carga policial da PSP, com petardos e bastonadas, a Praça D. Pedro V ficou vazia. Os manifestantes foram expulsos à bastonada pelos vários acessos ao Rossio.
No Porto, a PSP destruiu o acampamento montado na Praça D. João I. Os manifestantes resistiram, gritando que a sua ação era pacífica, à medida que a força policial avançou, com recurso a bastões e a cães, empurrando-os até à Rua Dr. Magalhães Lemos.
Segundo o INEM, 25 pessoas foram assistidas na sequência da carga policial nas acampadas pelo direito à habitação nas duas cidades.

