Numa altura em que a discussão pública está centrada no direito de utilização do areal em frente às áreas concessionadas das praias, a Quercus quer saber se “o problema de fundo foi ou não resolvido”. A associação ambientalista enviou uma carta à ministra do Ambiente a questionar se já foi reposto o acesso livre a todas as praias de Grândola.Em causa está a fiscalização efetuada há quase um ano pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que, segundo a Quercus, concluiu que 10 das 22 praias analisadas ao longo de 45 quilómetros de faixa costeira entre Tróia e Melides tinham acesso controlado ou condicionado por empreendimentos turísticos ou barreiras físicas.“Pode qualquer cidadão aceder hoje a todas as praias do concelho de Grândola, tomado de assalto por empreendimentos turísticos de luxo? Está a lei a ser cumprida, no sentido de garantir que as praias em Portugal são, de facto, 'de utilização pública e acesso livre' a toda a população?”, questiona a Quercus num comunicado divulgado esta segunda-feira, 8 de junho, em que dá conta do envio de uma carta a Maria da Graça Carvalho.Segundo a Quercus, no levantamento efetuado pela APA, entre as 10 praias em causa nesta região em julho de 2025, estavam duas praias com acesso controlado (Tróia-Galé e Galé-Fontaínhas), em que o mesmo só era possível através de empreendimentos turísticos; e oito praias com acesso condicionado (Torre, Brejos da Carregueira, Duna Cinzenta, Golfinhos, Garças, Pinheirinho, Malha Branca e Camarinhas), fruto de vários fatores como propriedades privadas, empreendimentos turísticos, estacionamento público e acessos pedonais insuficientes ou inexistentes ou falta de sinalização clara.A Quercus lembra que a ministra a assegurou então que seriam tomadas várias medidas, como a colocação de sinalização, a criação de novos acessos ao areal, a construção de estacionamento, além da remoção de cancelas ou barreiras físicas.Cerca de um ano depois, a associação considera ser “do interesse público a clarificação desta situação, não só no concelho de Grândola, mas também noutras zonas suscetíveis de sucumbir aos interesses privados de empreendimentos turísticos, à revelia da lei e, muitas vezes, com potenciais danos para os ecossistemas costeiros”. Por isso, além dos esclarecimentos da ministra pede a todos os cidadãos que reportem eventuais irregularidades no acesso às zonas balneares para denuncias@quercus.pt.Ministra reforça que areal das praias é de acesso livre exceto nas zonas concessionadas e faixas de segurança