Luís Carrilho, diretor nacional da PSP.
Luís Carrilho, diretor nacional da PSP.FOTO: JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

PSP excluiu 85 candidatos a agentes em provas de despiste de atitudes radicais e agressivas

Diretor nacional da PSP garantiu aos deputados numa audição na Assembleia da República que foram tomadas medidas adicionais no plano de formação de agentes da PSP.
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Luís Carrilho, diretor nacional da PSP, disse esta terça-feira, 3 de março, na Assembleia da República que em 2025 foram excluídos 85 candidatos a agentes, na sequência do reforço de provas psicológicas de despiste de atitudes radicais e agressivas.

Ouvido na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na sequência de dois requerimentos do Partido Socialista, Luís Carrilho explicou aos deputados que foram tomadas medidas adicionais no plano de formação de agentes da PSP.

O diretor nacional da PSP adiantou que, além do reforço nos testes psiocológicos que levaram à exclusão de 85 candidatos no ano passado, serão reforçadas em 2026 matérias de “prevenção da discriminação, extremismo e radicalismo, uso de redes sociais e telemóveis pessoais, passando estas a ser matérias obrigatórias”.

Para este ano, está também a ser preparada a regulamentação de um período experimental de 30 horas adicionais e obrigatórias no primeiro ano de formação nesta polícia, um “sistema de mentoria operacional e a possibilidade de exoneração no caso de deficiências éticas e comportamentos graves”.

Esta informação foi avançada a propósito do requerimento do PS, que pediu esclarecimentos sobre os casos da esquadra do Rato, em Lisboa, em que dois agentes da PSP foram acusados de tortura e violação, visando sobretudo toxicodependentes, sem-abrigo e estrangeiros.

Na acusação deduzida pelo Ministério Público a 9 de janeiro, os acusados são dois agentes da PSP, de 21 e 24 anos, detidos em 10 de julho do ano passado, após buscas domiciliárias e nas esquadras do Bairro Alto e Rato, em Lisboa.

Na acusação é referido que os dois agentes agrediram pessoas detidas com “socos e chapadas e coronhadas na cabeça, tendo inclusivamente filmado e fotografado algumas dessas situações e as respetivas vítimas”.

O Ministério Público conta na acusação que os agentes escolhiam maioritariamente toxicodependentes, pessoas que cometeram pequenos delitos, muitos com nacionalidade estrangeira e ilegais, ou em situação de sem-abrigo.

Um dos casos relatados é o de um cidadão marroquino que alegadamente terá sido sodomizado com um bastão por um dos arguidos e espancado e depois levado no carro patrulha e abandonado na rua.

“O uso do bastão para sodomizar é relatado noutra situação, onde também foi utilizado o cabo de uma vassoura. Tudo filmado e muitas vezes partilhado em grupos de WhatsApp com dezenas de outros polícias”, lê-se na acusação.

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