Luís Carrilho, diretor nacional da PSP, disse esta terça-feira, 3 de março, na Assembleia da República que em 2025 foram excluídos 85 candidatos a agentes, na sequência do reforço de provas psicológicas de despiste de atitudes radicais e agressivas.Ouvido na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na sequência de dois requerimentos do Partido Socialista, Luís Carrilho explicou aos deputados que foram tomadas medidas adicionais no plano de formação de agentes da PSP.O diretor nacional da PSP adiantou que, além do reforço nos testes psiocológicos que levaram à exclusão de 85 candidatos no ano passado, serão reforçadas em 2026 matérias de “prevenção da discriminação, extremismo e radicalismo, uso de redes sociais e telemóveis pessoais, passando estas a ser matérias obrigatórias”.Para este ano, está também a ser preparada a regulamentação de um período experimental de 30 horas adicionais e obrigatórias no primeiro ano de formação nesta polícia, um “sistema de mentoria operacional e a possibilidade de exoneração no caso de deficiências éticas e comportamentos graves”.Esta informação foi avançada a propósito do requerimento do PS, que pediu esclarecimentos sobre os casos da esquadra do Rato, em Lisboa, em que dois agentes da PSP foram acusados de tortura e violação, visando sobretudo toxicodependentes, sem-abrigo e estrangeiros.Na acusação deduzida pelo Ministério Público a 9 de janeiro, os acusados são dois agentes da PSP, de 21 e 24 anos, detidos em 10 de julho do ano passado, após buscas domiciliárias e nas esquadras do Bairro Alto e Rato, em Lisboa.Na acusação é referido que os dois agentes agrediram pessoas detidas com “socos e chapadas e coronhadas na cabeça, tendo inclusivamente filmado e fotografado algumas dessas situações e as respetivas vítimas”.O Ministério Público conta na acusação que os agentes escolhiam maioritariamente toxicodependentes, pessoas que cometeram pequenos delitos, muitos com nacionalidade estrangeira e ilegais, ou em situação de sem-abrigo.Um dos casos relatados é o de um cidadão marroquino que alegadamente terá sido sodomizado com um bastão por um dos arguidos e espancado e depois levado no carro patrulha e abandonado na rua.“O uso do bastão para sodomizar é relatado noutra situação, onde também foi utilizado o cabo de uma vassoura. Tudo filmado e muitas vezes partilhado em grupos de WhatsApp com dezenas de outros polícias”, lê-se na acusação..Queixas contra a atuação da PSP e GNR aumentam desde 2014, mas muitas são arquivadas.Sindicato da PJ pressiona PSP sobre transferência de 100 agentes e oficiais para a Polícia Municipal de Lisboa