"A questão do PRR nada tem nada a ver com o público ou com o privado, mas com o país".
"A questão do PRR nada tem nada a ver com o público ou com o privado, mas com o país".Foto: Paulo Spranger

“PRR foi uma oportunidade perdida” na Saúde, diz Óscar Gaspar

Presidente da Associação Portuguesa da Hospitalização Privada critica execução do Programa de Recuperação e Resiliência na Saúde: "É das mais baixas". E critica que só tenha sido pensado para o SNS.
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Portugal é dos países com menor execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), a Saúde não é exceção. Os privados foram contemplados de forma indireta e restrita, em cuidados continuados e saúde digital. Deveria ter sido diferente?

Como cidadão lamento que este processo não tenha vindo a acontecer também na área privada, sobretudo quando se olha para a fatia significativa de investimento que foi destinada ao SNS e o nível de execução baixo que teve. Mas, mais uma uma vez, a questão do PRR nada tem nada a ver com o público ou com o privado, mas com o país. Para nós era importante que os hospitais estivessem todos equipados com o que devem ter para permitir ao país estar ao nível do melhor que se faz na Europa, porque temos excelentes profissionais médicos, enfermeiros, farmacêuticos, dentistas e outros. Mas em termos tecnológicos ficamos aquém do que já é possível lá fora.

Desperdiçou-se uma oportunidade?

Não tenho dúvidas. Sou membro da Comissão de Acompanhamento do PRR pela CIP e há muito tempo que a comissão chamou a atenção para os setores em que o nível de execução do PRR era mais baixo, um deles o da Saúde. E se há situações em que é compreensível haver atraso, como o das obras, por exemplo, do novo Hospital de Lisboa Oriental, noutras não há. Um caso óbvio é o dos investimentos nos cuidados continuados. Não conseguimos perceber como é que havendo uma imensa falta de camas em Portugal e havendo projetos para resolver a situação, nomeadamente na área do privado e do social, acabamos o PRR com um quinto de execução do que estava previsto. Infelizmente, tivemos aqui uma oportunidade perdida.

O PRR poderia ter ajudado na complementaridade entre público e privado?

Claro. Desde o princípio que alertámos o Governo, não o atual, mas o anterior, de que era um erro a concessão do PRR só a olhar para o lado do serviço público. Do nosso ponto de vista, não fazia qualquer sentido, sobretudo quando estamos a falar de desafios do país em termos de transição digital, transição ambiental ou da saúde, porque as questões são exatamente as mesmas para o público e para o privado.

O DN vai publicar na edição desta quarta-feira, 24 de junho, no impresso e online, mais uma parte da entrevista com Óscar Gaspar sobre outros temas, como a relação do público e privado na saúde e a falta de médicos.

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