Primeiros dados da expedição Madeira Ocean dão "sinal encorajador" sobre saúde de áreas marinhas protegidas
Entre descobertas que surpreenderam os investigadores e novos dados que serviram para atestar realidades já conhecidas, os resultados preliminares da primeira expedição do programa Madeira Ocean, que decorreu durante este mês de outubro nas ilhas da Madeira, Porto Santo e Desertas, vieram dar corpo à convicção que os mais de 200 participantes neste levantamento científico tinham quando os trabalhos ainda estavam em curso: as medidas aplicadas nas Áreas Marinhas Protegidas (AMP) do arquipélago estão a funcionar e a estimular a biodiversidade. “Os primeiros resultados indicam que a proteção funciona. Encontrámos agregações de meros juvenis dentro e fora das Áreas Marinhas Protegidas, um sinal encorajador das medidas implementadas”, sublinhou João Canning-Clode, coordenador científico da expedição, esta quarta-feira, no Funchal.
A observação de meros (e também badejos) de maior porte e outros juvenis comprovam que a proteção das áreas marinhas contribuiu positivamente para o seu crescimento em volume e para a reprodução.
Por outro lado, foi confirmada a “presença de Ecossistemas Marinhos Vulneráveis em águas mais profundas”, até aos 1000 metros de profundidade, em zonas do norte da Madeira “até agora inexploradas”, sendo que os dados recolhidos vêm juntar-se a outros que permitirão, no futuro, identificar novas áreas de interesse para a conservação.
Um dos objetivos do programa Madeira Ocean, além do diagnóstico à saúde das atuais AMP, é dotar os responsáveis políticos de mais informação, científica e comprovada, que possa fundamentar uma eventual decisão futura sobre novas zonas a proteger, sendo que a ambição passa por apoiar a Madeira a proteger de forma efetiva 30% do seu mar até 2030 – incluindo pelo menos 10% em proteção total.
Outros sinais positivos sobre a saúde das AMP, que resultaram da investigação, foram “a presença de jardins densos de corais ao largo do Porto Santo, incluindo espécies vulneráveis e com interesse para a conservação”, bem como de “mais de cinco tipos de raias, classificadas como vulneráveis, ameaçadas ou em perigo de extinção, em zonas arenosas no fundo do mar”.
Os resultados agora recolhidos irão ser publicados num relatório científico da Expedição no início de 2027, seguindo-se uma nova expedição nas ilhas Selvagens.
O Madeira Ocean foi estabelecido a 7 de maio de 2026, data em que foi assinado o Memorando de Entendimento entre o Governo Regional da Madeira (representado pelo IFCN, a quem cabe a supervisão de todo o projeto), a Fundação Oceano Azul, a ARDITI - Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação, e a National Geographic (através do programa Pristine Seas). A iniciativa reuniu mais de 200 participantes, incluindo 116 cientistas nacionais e internacionais e 25 instituições científicas num trabalho que incidiu em várias camadas, desde o céu e o estudo das aves marinhas até aos corais de grande profundidade.
