Presidente da Escola Nacional de Bombeiros demite-se e acusa Liga de “ameaça e chantagem"
O presidente da Escola Nacional de Bombeiros (ENB) apresentou esta terça-feira, 8 de setembro, a demissão devido à falta de “tranquilidade, previsibilidade e estabilidade necessárias” para as funções e acusou o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses de “ameaça e chantagem”.
Numa carta enviada à presidente da mesa da assembleia geral da ENB, a que Lusa teve acesso, Lídio Lopes renuncia ao cargo a partir de 01 de outubro, referindo que está impedido de continuar a desempenhar as funções por considerar que “a partir de agora, não haverá a tranquilidade, a previsibilidade e a estabilidade necessárias ao exercício de uma função que, pelas suas características, tem contornos muito especiais”.
Lídio Lopes, nomeado pela ex-ministra da Administração Interna Margarida Blasco para um mandato de três anos, entre julho de 2024 e julho de 2027, apresenta a demissão à presidência da ENB, que tem como associados a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), numa carta de 17 páginas.
“Apresento a minha renúncia de funções e faço-o após um período de reflexão bastante penalizante, porque sempre entendi que devia resistir à adversidade no exercício das funções que aceitei, pela formação dos bombeiros portugueses, mas tanto resistimos, tanto fomos condicionados e pressionados, tanto conseguimos ultrapassar, até a um momento em que, perante uma ameaça grave e porque não vale tudo, em nome da honra e da dignidade, tenho de decidir e é o que faço”, lê-se na missiva.
Lídio Lopes justiça também o pedido de renúncia de funções por estar “confrontado com uma ameaça e chantagem de demissão da direção da ENB por parte do presidente da LBP”, que considerou “inaceitável e intolerável”.
Para o presidente demissionário, “existem linhas vermelhas que são inultrapassáveis e inaceitáveis no trato entre pessoas e as instituições que representam e que devem comportar-se com elevação, correção e cooperação nas relações institucionais e não com pressão, ameaças permanentes e, mesmo, chantagem”.
“Apresento a minha renúncia de funções por entender que, se aceitarmos esses impróprios comportamentos passivamente, de forma submissa, ferimos e colocamos em causa todos os nossos princípios e valores. Em suma, faço-o, como disse, porque não vale tudo”, salienta.
Lídio Lopes sublinha que apresenta igualmente a demissão por existir “uma ingerência permanente, que se tornou agora absolutamente inaceitável, da gestão corrente das matérias que à ENB compete, por parte do atual presidente da LBP, com a passividade complacente do associado ANEPC”.
O presidente demissionário acusou também António Nunes de estar pisar “a linha vermelha do inaceitável” ao ameaçar a direção da ENB com a criação de Academia Superior de Bombeiros na Escola Nacional de Bombeiros.
“Apresento a minha renúncia de funções por existir uma ingerência permanente, que se tornou agora absolutamente inaceitável, da gestão corrente das matérias que à ENB compete, por parte do atual presidente da LBP, com a passividade complacente do associado ANEPC”, refere, destacando que sai da ENB “com a tranquilidade de quem tem a consciência de que tudo fez”.
A Escola Nacional de Bombeiros é a autoridade pedagógica responsável pela formação técnica e qualificação de todos os bombeiros em Portugal.

