Um semi-submersível intercetado no oceano Atlântico pela PJ e pela Marinha portuguesa
Um semi-submersível intercetado no oceano Atlântico pela PJ e pela Marinha portuguesaFoto: Polícia Judiciária

Portugal ganha peso nas rotas da cocaína para a Europa, alerta ONU

Relatório revela deslocação das rotas de tráfico para o sul da Europa e uso de submarinos.
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Portugal está a ganhar importância como porta de entrada da cocaína na Europa, à medida que as redes de tráfico procuram alternativas aos grandes portos do norte do continente. O alerta é deixado pelo Relatório Mundial sobre Drogas 2026, divulgado esta sexta-feira (26 de junho) pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

Segundo o documento, as apreensões de cocaína na Europa Ocidental e Central "deslocaram-se dos principais portos da Bélgica, Alemanha e Países Baíses Baixos para França, Portugal e Espanha", após alterações nas rotas e nos métodos de tráfico, refletindo uma adaptação das organizações criminosas ao reforço da cooperação internacional entre autoridades policiais e aduaneiras.

A mudança de rotas, porém, não significa uma redução do tráfico. Pelo contrário. A UNODC sublinha que os fluxos de cocaína para a Europa "continuam abundantes", apesar das alterações nos pontos de entrada e nos métodos de transporte utilizados pelos traficantes. Entre essas novas estratégias está o recurso cada vez mais frequente a embarcações semi-submersíveis para atravessar o Atlântico. No comunicado que acompanha o relatório, a agência da ONU refere que, entre 2023 e 2025, foram detetados pelo menos seis destes aparelhos nas proximidades da Península Ibérica e dos Açores. Um dos casos resultou na apreensão de cerca de 6,5 toneladas de cocaína a cerca de 500 milhas náuticas a sul do arquipélago.

Mais de 6% da população mundial consumiu uma droga ilícita

De resto, o relatório traça um retrato de um mercado global em expansão. Em 2024, a produção potencial de cocaína pura ultrapassou as 4.100 toneladas, mais de quatro vezes acima do registado há uma década, impulsionada pelo aumento das áreas de cultivo e da produtividade. Ao mesmo tempo, o número de consumidores de cocaína aumentou mais de um terço nos últimos dez anos.

A tendência, avisa a UNODC, é de continuação da expansão. "Grupos do crime organizado continuam a direcionar volumes crescentes de cocaína para mercados tradicionais e emergentes", procurando alargar a base de consumidores e aumentar os lucros. Além da Europa Ocidental e Central, África e Ásia surgem cada vez mais como destinos destas redes.

O consumo de drogas também continua a crescer. Em 2024, estima-se que 331 milhões de pessoas, o equivalente a 6,2% da população mundial entre os 15 e os 64 anos, tenham consumido pelo menos uma droga ilícita. A canábis mantém-se como a substância mais consumida, seguida dos opióides, anfetaminas, cocaína e ecstasy.

Outro dos alertas do relatório prende-se com a rápida evolução das drogas sintéticas. Em 2024 foram identificadas 755 substâncias psicoativas, das quais 118 surgiram pela primeira vez.

"A necessidade de concentrar esforços em desmantelar os grupos do crime organizado nunca foi tão urgente", afirma a diretora executiva da UNODC, Monica Juma. A responsável defende um reforço da cooperação internacional, da partilha de informações entre autoridades e do investimento na prevenção e no tratamento das dependências.

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