Portugal e Alemanha assinam memorando de cooperação militar e compra de equipamento
Portugal e Alemanha assinaram esta quarta-feira (4) um memorando de intenções para aprofundar as relações de defesa entre ambos os países com projetos na área militar, incluindo a construção de drones, satélites e armamento, anunciou o Ministério de Defesa português em comunicado.
A assinatura decorreu numa cerimónia em Berlim, contando com o ministro da Defesa de Portugal, Nuno Melo, e o homólogo alemão Boris Pistorius. À saída, o representante português falou à Lusa de projetos concretos entre empresas e as forças armadas, incluindo a compra de 72 blindados Boxer pelo exército português, num investimento que supera os mil milhões de euros.
Numa conferência de imprensa após a assinatura, o ministro da Defesa português, Nuno Melo, destacou a existência de projetos concretos que juntam empresas e Forças Armadas dos dois países, considerando a Alemanha "um parceiro estratégico fundamental" e "um aliado antigo" de Portugal.
O acordo pretende ainda "promover a consciência situacional e possíveis respostas a ameaças comuns nos domínios marítimo, terrestre, aéreo, especial e ciberespacial", tendo como um dos projetos a instalação de uma "infraestrutura de lançamento de satélites" na ilha de Santa Maria, no arquipélago dos Açores, com participação de empresas alemãs.
"Vamos investir milhões na comunicação de satélites", garantiu ainda Nuno Melo.
Num comunicado emitido pelo Ministério da Defesa lê-se que o entendimento entre os países pretende também "fomentar a prospeção estratégica e a partilha de informações"; "coordenar esforços para proteger as rotas de navegação internacionais".
"Além disso pretendem fortalecer a coordenação em atividades militares e não militares, em especial nas áreas de desenvolvimento e produção de armamento, pesquisa, inovação, aquisições com uso de infraestruturas em ambos os países", lê-se, acrescentando que Portugal e Alemanha querem "cooperar na formação, exercícios e fortalecer a capacidade de conduzir operações combinadas, entre outros objetivos".
Na conferência, o ministro da Defesa destacou ainda os contactos para a formação de pilotos de F-35 em Portugal, no âmbito de uma parceria que envolve a Lufthansa Technik, e sublinhou o compromisso de Portugal com a ajuda à Ucrânia, que inclui formação de militares e um investimento de 50 milhões de euros através do programa PEARL.
"Cada cêntimo que nós entregamos à Ucrânia em material, informação e equipamento não é despesa, é investimento", disse Melo.
Na declaração, ambos os países "sustentam que a guerra de agressão ilegal da Rússia contra a Ucrânia constitui uma violação grave do direito internacional e dos princípios e objetivos da Carta das Nações Unidas, e condenam esta violação nos termos mais veementes", lê-se.
"Os signatários consideram que os seus interesses, valores e princípios estão, mais do que nunca, sob desafio por meio de diversas vertentes — políticas, económicas, tecnológicas, militares, cibernéticas, espaciais e híbridas, pelo que têm presente que a cooperação em matéria de defesa promove a estabilidade na Europa e no mundo, numa abordagem de 360 graus", acrescentou.
"Ambos os países reafirmam que a NATO é, e continua a ser, a pedra angular da sua postura comum de dissuasão e defesa, bem como o alicerce fundamental da arquitetura de segurança europeia e transatlântica", acrescentam.

