Nuno Melo insistiu esta quinta-feira, 2 de julho, que é preciso aumentar mais o investimento em Defesa, ainda que Portugal já tenha atingido em 2025 o compromisso assumido com a NATO em 2014 para dedicar 2% do PIB a esta área. O ministro da Defesa acrescentou ainda, num almoço organizado pelo International Club of Portugal, que este tipo de investimento “não é uma despesa”, mas a criação de oportunidades económicas de grande escala. Nuno Melo, para justificar esta perspetiva, garantiu que Portugal está neste momento “a investir em satélites, fragatas, veículos blindados, defesa antiaérea, munições”, o que, além de garantir retorno económico, assegura que as “Forças Armadas ficam muito melhor capacitadas”.Perante uma audiência composta por representantes do mundo empresarial, Nuno Melo avisou que “a paz nunca foi perpétua” e que agora “tudo se alterou”. O ministro descreveu um cenáro em que os “nossos povos” – na Europa – vivem com a “garantia de qualidade de vida”, que implicou mais investimento no “pilar social” do que em armamento e tecnologia militar. Porém, com um mundo em mudança, observou, é preciso ter em conta que a “realidade impõe-se à percepção”. “E a percepção de paz perpetua, se não faz sentido, tem hoje como contraponto a realidade do mundo, que é multipolar, que se alterou, por razão de circunstâncias que são evidentes”, afirmou, aludindo à guerra na Ucrânia e ao ataque dos Estados Unidos ao Irão, com impactos evidentes, comoa subida imediata do custo d evida.Neste cenário, Nuno Melo explicou que Portugal agora dispõe de acesso ao SAFE, o programa de financiamento para o reequipamento militar dos países da União Europeia, que garante “5,8 mil milhões de euros”, que permitem investimento “em todos os domínios” das Forças Armadas”.O ministro reiterou que Portugal vai produzir veículos blindados de médio porte, atraindo “uma das top três indústrias globais”, num “modelo que há de ser próximo do da OGMA”, uma empresa dedicada ao fornecimento de serviços de manutenção e fabrico de estruturas aéreas, onde o Estado (através da Portugal Defence) detém uma participação minoritária de 35%.O DN apurou que a intenção do Governo é criar uma empresa de raíz que tenha como estrutura acionista um parceiro internacional, de forte cariz tecnológico, para a construção dos blindados de médio porte, com o Estado como minoritário. O objetivo é não apenas equipar o Exército português, como vir a exportar o equipamento fabricado em Portugal. Nuno Melo, um dia antes desta intervenção, já tinha sido questionado no Parlamento sobre o facto dos contratos para aquisição de equipamentos militares ao abrigo deste programa ainda não estarem assinados, apesar de ter havido a garantia de serem assinados até ao final de junho. À margem do almoço, Nuno Melo afirmou que, “quando a oposição se centra numa audição parlamentar na data em que o contrato se assina, percebe-se que de facto tem muito pouco o que contestar”..Nuno Melo afirma que Portugal parte para cimeira da NATO com 2,01% do PIB em Defesa.Nuno Melo rejeita exército europeu e defende importância dos EUA e da NATO na defesa da Europa.Nuno Melo nega apontar substitutos dos F-16: "Não quero passar os próximos 30 anos em comissões de inquérito"