PJ detém dois iraquianos em Lisboa por suspeita de terrorismo

A investigação contou com o apoio do SEF e das autoridades judiciárias do Iraque. Os dois suspeitos estavam a ser monitorizados desde que entraram em Portugal para pedir asilo. Não cometeram crimes em território nacional, segundo apurou até ao momento a investigação titulada pelo DCIAP

Dois cidadãos iraquianos foram detidos pela Unidade Nacional de Contraterrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária (PJ) por suspeita de adesão e apoio à organização terrorista ISIS / daesh. A investigação foi conduzida pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Segundo anuncia em comunicado a PJ, estão em causa crimes de adesão e apoio a organização terrorista, de terrorismo internacional e crimes contra a humanidade. A PJ coadjuvou o DCIAP nesta investigação que contou com a colaboração do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

As detenções e buscas tiveram lugar na região de Lisboa, numa operação desenvolvida com a participação da Magistrada do MP titular do inquérito e vários quadros da investigação criminal e peritos da Unidade de Perícia Tecnológica Informática (UPTI) da Polícia Judiciária.

O DN apurou que os dois suspeitos são irmãos e tinham entrado em Portugal em 2017 a partir da Grécia, no âmbito do programa de recolocação e refugiados da União Europeia.

Alegados comportamentos suspeitos denunciados, levaram à sua monitorização pelas autoridades nacionais, designadamente o SEF, polícia responsável por estes acompanhamentos.

Durante a investigação a UNCT contou com o apoio das autoridades judiciárias iraquianas, através da UNITAD- ONU, o organismo da Nações Unidas que apoia as investigações internacionais relacionadas com os crimes do Daesh. Esta colaboração, adianta a PJ "permitiu recolher prova indiciária bastante para imputar os referidos crimes".

As provas recolhidas indicam ainda que os dois irmãos assumiram posições de comando no ISIS / daesh. Ao que o DN apurou, os estavam já referenciados pelas autoridades iraquianas como tendo pertencido e cometidos crimes e nome daque organização terrorista.

Em Portugal não terão cometido crimes, segundo a investigação conseguiu apurar.

Infiltrações terroristas em refugiados são raras

Esta não é a primeira vez que a polícia portuguesa deteta e investiga suspeitos de terrorismo que entraram em Portugal ao abrigo dos programas de asilo. Foi o caso de dois marroquinos, Abdesselam Tazi (condenado e falecido na prisão) e Hicham el Hachi (condenado em França) da chamada célula de Aveiro.

De resto, as tentativas de infiltração de terroristas nos fluxos migratórios e de refugiados para a União Europeia é um fenómeno a que as autoridades, incluindo as portuguesas, estão muito atentas.

"Os dados quantitativos disponíveis não demonstram qualquer correlação entre o acolhimento de refugiados e o aumento de incidência de violência terrorista"

No entanto, como frisa ao DN o analista de risco e investigador académico de terrorismo internacional, Diogo Noivo, são casos muito residuais.

"O acolhimento de refugiados, ou de requerentes de asilo, não constitui um problema de segurança. É, contudo, um desafio. Tem de ser escrutinado e acompanhado de perto pelas forças e serviços de segurança do país de acolhimento, tanto para garantir a segurança nacional como para assegurar a cabal integração dos que chegam. Os dados quantitativos disponíveis não demonstram qualquer correlação entre o acolhimento de refugiados e o aumento de incidência de violência terrorista. De resto, a presença de refugiados em conspirações terroristas na Europa e nos Estados Unidos da América é absolutamente marginal, sobretudo quando comparado com o total de refugiados acolhidos", assinala.

Os arguidos ora detidos, vão ser presentes às competentes Autoridades Judiciais, para efeito de primeiro interrogatório judicial e consequente aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.

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