Patriaca de Lisboa, Rui Valério.
Patriaca de Lisboa, Rui Valério.Foto: TIAGO PETINGA/Lusa

Patriaca de Lisboa lembra que o mundo "precisa de corações ressuscitados" e não apenas de “soluções técnicas”

Na homilia da missa do dia de Páscoa, celebrada na Sé Patriarcal, em Lisboa, o patriarca direcionou o apelo à sociedade em geral.
Publicado a
Atualizado a

O patriarca de Lisboa Rui Valério lembrou este domingo, 5 de abril, aos fieis que o “mundo precisa de corações ressuscitados” e não apenas de “soluções técnicas”, convidando à renovação interior para que vivam “a fé com coragem e esperança”.

Na homilia da missa do dia de Páscoa, celebrada na Sé Patriarcal, em Lisboa, o patriarca direcionou o apelo à sociedade em geral: “o mundo de hoje não precisa apenas de soluções técnicas; precisa de corações ressuscitados”.

Para Rui Valério, “só uma humanidade aberta ao transcendente” pode libertar-se “do medo, do egoísmo, do vazio e da morte interior”, concluindo com um convite pessoal a cada crente: “ver os sinais… e acreditar”.

Afirmou que “a Ressurreição de Cristo é o centro da história” e a resposta para “o vazio espiritual e existencial” que, disse, marca profundamente o mundo contemporâneo.

Perante uma igreja cheia de jovens e menos jovens e muitos estrangeiros, o patriarca iniciou a reflexão, sublinhando que a Páscoa “não é um dia entre outros dias”, mas o momento em que “ressuscita a esperança, o sentido da vida e o destino eterno da humanidade”.

Ao longo da homilia, Rui Valério apresentou uma leitura crítica da sociedade atual, marcada, no seu entender, por “um profundo materialismo” que reduz a vida “ao útil, ao imediato e ao visível”.

O fenómeno, alertou, conduz a um “analfabetismo humano e espiritual”, tornando o ser humano incapaz de responder às perguntas essenciais: “Para quê viver? Para onde caminhar? Qual o sentido da vida?”

O patriarca afirmou que o esquecimento de Deus se traduz num “esquecimento do homem pelo homem”, gerando uma “indiferença generalizada perante o sofrimento, sobretudo dos mais frágeis”.

Essa indiferença, disse, “empobrece a alma e obscurece o sentido da vida”.

Citando São Paulo, o patriarca sublinhou que “aspirar às coisas do alto” não significa fugir do mundo, “mas iluminá-lo com um horizonte mais amplo, capaz de devolver profundidade e verdade à vida humana”.

Rui Valério lembrou ainda que a Páscoa não é apenas uma celebração litúrgica, mas um convite a “uma mudança concreta de vida”, considerando que essa renovação transforma “o modo de olhar a vida, de enfrentar o sofrimento, de amar e de esperar”.

O patriarca apelou também para um abandono do “fermento velho” — pecado, mentira, mediocridade espiritual — para viver com “pureza e verdade”, numa referência à imagem bíblica dos “pães ázimos”.

No final da homilia, Rui Valério ainda se dirigiu aos fiéis em inglês, espanhol, francês e italiano.

Foi ainda assinada no fim da missa, a nova Carta Pastoral intitulada: “Levanta-te, Igreja de Lisboa, e resplandece em Cristo”.

O documento propõe, aos diocesanos, uma reflexão abrangente sobre a identidade, a missão e a renovação espiritual e pastoral da Igreja de Lisboa.

O texto insere-se no contexto da celebração da Páscoa, do Jubileu da Encarnação de 2025 e da preparação para os dois mil anos da Redenção, em 2033.

Com um “forte acento missionário”, o documento convida a igreja a “recentrar-se em Jesus Cristo, Salvador da humanidade” e a assumir com “renovado dinamismo a missão evangelizadora, num contexto marcado por múltiplas crises humanas, sociais, culturais e espirituais”.

Ao longo da carta, Rui Valério identifica desafios concretos do tempo presente – como o vazio interior, a solidão, a polarização social, a precariedade económica, a crise da habitação, o envelhecimento demográfico, a guerra e o afastamento da prática religiosa.

Patriaca de Lisboa, Rui Valério.
“Quem tem armas nas mãos, que as deponha!", apela o papa na sua primeira missa pascal
Patriaca de Lisboa, Rui Valério.
Cardeal Américo Aguiar pede "inquietação face ao sofrimento do mundo" na Páscoa

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt