O Patricarca de Lisboa, Rui Valério, quer "humildade" para que o Governo e os parceiros sociais cheguem a um entendimento sobre um Pacote Laboral que sirva as necessidades da população e que tire o país da situação de "estagnação"."Como é que olho para o estado a que nós chegamos atualmente? Não vou dizer que olho com preocupação, ou que olho de outra forma, mas sem dúvida que rezo para que sejam encontradas soluções para que, de facto, Portugal deixe de estar onde está agora. Pelo menos é a sensação que temos, um país estagnado", afirmou Rui Valério durante conferência de imprensa no Santuário de Fátima nesta terça-feira, 12 de maio.O Patriarca destacou a sua própria origem para afirmar que "tinha e ainda tenho alguma esperança e alguma expetativa" de que a lei possa vir a atender as necessidades da população."Como sou oriundo de uma família de trabalhadores, permitam-me essa nota muito pessoal. Uma das grandes sensibilidades que sempre tive é relativamente sobre a condição salarial dos trabalhadores portugueses. Ainda hoje não compreendo, sinceramente, um trabalhador, um mecânico, eletricista, não estar no mesmo nível salarial do que um mecânico espanhol, francês, italiano, quando os níveis de vida são semelhantes. Para mim, é um dos grandes mistérios. Eu tenho ainda grande expetativa que a lei laboral possa vir a responder a essa situação", declarou Rui Valério.Negociações infrutíferasA maratona negocial do Governo com os parceiros sociais terminou de forma infrutífera, culminada com a ausência de acordo com a UGT. Luís Montenegro, se quiser cumprir a difícil missão de aprovar o Pacote Laboral na Assembleia da República, precisará de um dos dois maiores partidos da oposição, no mínimo, a viabilizar pela abstenção.Ainda não há indicações do timing de chegada do Pacote Laboral ao parlamento e a hipótese de as alterações pretendidas pelo Governo irem a Conselho de Ministros já nesta semana foi admitida, após a ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, ter dito que seria o mais depressa possível.Para o Patriarca de Lisboa, "todos o parceiros devem ter a humildade de fazer, através da negociação, se alcançar um bem maior", inclusive a ver "onde é possível ceder". Segundo o religioso, não apenas a situação dos trabalhadores, mas "economia nacional depende muito daquilo que virá a ser decidido".E caso haja aprovação por parte do Governo sem acordo com os representantes dos trabalhadores, Rui Valério questionou. “Nesse caso, e sendo aprovada essa lei, a pergunta que nos devemos fazer é: em que condições ela vai ser posta em prática? Efetivamente como é que ela se vai concretizar? Não estou a dizer isso, deixa-me aqui uma questão no ar"..Montenegro ainda procura quem possa aprovar o Pacote Laboral."Queremos estagnar ou avançar?" Montenegro diz que só razões políticas impedirão acordo sobre lei laboral